Brasilia Para Pessoas

16
julho
Publicado por Brasília no dia 16 de julho de 2018

Texto e fotos: Uirá Lourenço

 

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Andar pela área central de Brasília é desafiador. Apesar da fama de cidade moderna, as crateras e os obstáculos no caminho revelam uma cidade antiquada, que prioriza o fluxo de carros e deixa os pedestres em estado de abandono.

 

Nos arredores da rodoviária do Plano Piloto, por onde passam milhares de pessoas todos os dias, há muitas crateras. No período de chuvas, o caminho se torna um lamaçal.

 

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Estado de total inacessibilidade na Esplanada dos Ministérios.

 

Como justificar a ausência de rampas em plena Esplanada dos Ministérios, ao lado dos principais pontos turísticos?

 

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No caminho até a Catedral de Brasília, calçadas destruídas e sem rampas.

 

Na plataforma superior da rodoviária do Plano Piloto é interessante notar a péssima distribuição do espaço urbano. Na frente do Conjunto Nacional, um bolsão de estacionamento gratuito totalmente tomado por carros e calçadas estreitas, sem rampas de acessibilidade e destruídas.

 

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Pedestres obrigados a andar na rua e excesso de carros na frente do Conjunto Nacional.

 

Cadeirantes, cegos e pessoas com mobilidade reduzida precisam de ajuda para transpor os inúmeros obstáculos no caminho. As crateras e a falta de piso tátil e de rampas impedem que a locomoção se dê de forma autônoma. Situação bem diferente do que a prevista em lei.

 

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Pessoas com deficiência precisam de ajuda para andar pela rodoviária do Plano Piloto.

 

O Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei Federal n° 13.146/2015) assegura muitos direitos à pessoa com deficiência, incluindo o direito à mobilidade:

 

Art. 46.  O direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida será assegurado em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, por meio de identificação e de eliminação de todos os obstáculos e barreiras ao seu acesso.

 

Art. 53.  A acessibilidade é direito que garante à pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida viver de forma independente e exercer seus direitos de cidadania e de participação social.

 

A Esplanada dos Ministérios, no centro da capital federal, deveria ser vitrine da mobilidade e acessibilidade e servir de referência para outras cidades. Mas acaba sendo a síntese da inacessibilidade vergonhosa observada nas cidades brasileiras. Se nossas autoridades caminhassem – e tropeçassem – pela cidade, a situação não tardaria a melhorar.

 

VÍDEOS SOBRE PEDESTRES EM BRASÍLIA:

 

Esplanada dos Ministérios: inacessibilidade vergonhosa em Brasília

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Trajeto com cegos na área central de Brasília

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Caminhada e conversa sobre Brasília com participantes do EREA

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Pedestres no entorno do UniCEUB: conversa com senhor caminhante

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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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