Brasilia Para Pessoas

10
outubro
Publicado por Brasília no dia 10 de outubro de 2017

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Com esta declaração, o governador Rodrigo Rollemberg resumiu as ações voltadas à mobilidade. Ao fazer balanço de mil dias de governo, em artigo publicado no jornal Correio Braziliense (28/9/2017), o atual governador exalta a política rodoviarista vigente, que prioriza o transporte automotivo. A principal obra em andamento, com custo inicial de R$ 207 milhões, é o Trevo de Triagem Norte (TTN), também conhecido como Terrível Trevo Norte, que consiste num conjunto de pistas, túneis e viadutos que vem devastando grande área na busca incessante por fluidez automotiva.

 

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Devastação causada pelas obras do TTN: túneis, pontes e viadutos no norte do DF

 

O artigo do governador destaca o TTN entre os “investimentos relevantes”. É nítida a contradição com o programa de governo, que dedica um capítulo à mobilidade:

“O modelo de mobilidade urbana centrado no alargamento de vias para escoar o crescente número de veículos movidos a combustíveis fósseis dá claros sinais de esgotamento e tem significativos impactos negativos sobre o clima e a qualidade do ar.”

“É obrigação do poder público oferecer, direta ou indiretamente, alternativas ao automóvel, como calçadas e ciclovias conectadas e de qualidade, transporte coletivo eficiente, com o uso integrado de ônibus, metrô e trens urbanos e metropolitanos, a fim de avançar na transição para a economia de baixo carbono também no setor de transportes.”

 

O texto com a frase que exalta o modelo centrado no transporte individual motorizado foi publicado na semana seguinte à celebração do Dia Mundial sem Carro (22/9), momento em que se discutem ações para melhorar a mobilidade e qualidade de vida na cidade. Na audiência pública realizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal sobre mobilidade urbana, no dia 21/9, os palestrantes e o público foram enfáticos na necessidade de mudança do modelo rodoviarista para um modelo humanizado, com menor limite de velocidade nas vias e com prioridade ao transporte coletivo e aos modos ativos.

 

A lógica automotiva declarada no artigo do governador poderia ser pensada na ótica caminhante:

Nenhum outro governo fez tão pouco pelos pedestres.

 

Ao caminhar pela capital federal e tropeçar nas inúmeras crateras, a impressão é que, com tantos recursos gastos com túneis e viadutos, não sobrou nada para os pedestres. Mesmo a área central da capital “moderna” é inacessível.

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Realidade no DF: calçadas com muitas crateras e invadidas por muitos carros.

 

Percebe-se que a necessária mudança de paradigma – do modelo rodoviarista insustentável baseado no automóvel para o modelo moderno centrado nas pessoas – requer não apenas infraestrutura, mas especialmente mudança de mentalidade dos gestores públicos e planejadores. As cidades modernas de verdade vêm investindo há décadas num modelo humanizado, menos dependente do carro e com mais praças e parques, em vez de túneis e viadutos.

 

SAIBA MAIS:

 

– Nota de Repúdio do Brasília para Pessoas:

https://brasiliaparapessoas.wordpress.com/2016/08/19/nota-de-repudio-ao-gdf-contra-a-politica-rodoviarista-cara-e-atrasada/

NOTA DE REPÚDIO AO GDF CONTRA A POLÍTICA RODOVIARISTA CARA E ATRASADA

 

– Vídeo sobre a Imobilidade no norte do DF:

https://www.youtube.com/watch?v=rFDdaVe4bqM

Imobilidade e rodoviarismo no norte do DF

 

– Álbum com fotos da devastação e do rodoviarismo no norte do DF:

https://www.facebook.com/media/set/?set=a.1090651480970945.1073741843.100000783095745&type=1&l=182d9429e2



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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