Brasilia Para Pessoas

03
julho
Publicado por Brasília no dia 03 de julho de 2018

???????????????????????????????

 

No dia 27 de junho, o caos se instalou. Dia de jogo do Brasil na Copa, muitos carros nas pistas. No trajeto de bicicleta, aproveitei para observar e clicar. No Eixo Monumental, o que mais chama atenção, além do excesso de carros (muitos ocupados apenas com o motorista), é a falta de prioridade ao transporte coletivo.

 

 ???????????????????????????????  ???????????????????????????????
 ???????????????????????????????  20180627_130207_Eixo Monumental_Copa_Ponto Onibus_edit2

Cena comum, agravada em dia de jogo: excesso de carros e ônibus lotados.

 

O Eixo Monumental e a Esplanada dos Ministérios têm seis pistas de cada lado, sem prioridade ao transporte coletivo. E não há outra opção além de ônibus (VLT e metrô). Também se observam baixo movimento de pessoas a pé e de bicicleta e má conservação de calçadas e ciclovias.

 

 ???????????????????????????????  ???????????????????????????????

Nas proximidades do estádio, calçada totalmente destruída e ciclovia vazia.

 

Ao longo dos seguidos governos, repetem-se as promessas na mobilidade: expansão do metrô, construção de linhas de VLT e de Linhas Verdes. A realização da Copa do Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016) prometia um legado em mobilidade urbana. O programa do atual governo está recheado de boas propostas: além do VLT e dos investimentos no metrô e em acessibilidade, foram prometidos trens regionais (para Luziânia e para Goiânia).

 

No programa Circula Brasília, lançado em 2016, a proposta de VLT foi retomada. O mapa divulgado mostra a rede de transporte integrado, com BRT, linhas de metrô (expandido até a Asa Norte) e linhas de VLT. No papel, uma imagem de cidade avançada; na prática, o destaque fica para os projetos milionários de túneis e viadutos, em particular o TTN, no final da Asa Norte (conjunto de 26 pontes, túneis e viadutos).

Agencia Brasilia_Circula Brasilia_Transporte integrado_Imagem

No mapa do programa Circula Brasília, uma rede invejável de transporte integrado. Fonte: GDF.

 

Com o aumento vertiginoso da frota automotiva e sem prioridade ao transporte coletivo, o cenário de caos deve se instalar de vez. Em notícia sobre o caos no dia do jogo da seleção brasileira, o DER (Departamento de Estradas de Rodagem) afirmou que os congestionamentos foram causados pelo fato de “todo mundo sair no mesmo horário: meio-dia.”

 

No entanto, se boa parte das pessoas optasse pelo transporte coletivo, associado à mobilidade ativa, o resultado seria diferente. Afinal, com mais ônibus, metrô e bicicletas, e com menos carros nas pistas, o que veríamos seria um sistema de transporte mais eficiente e menos poluente. O modelo de transporte baseado no automóvel requer muito espaço nas pistas e nos estacionamentos.

 

Foto_Espaco ocupado_Onibus_Bicicleta_Carro

Espaço ocupado na rua por diferentes meios de transporte: ônibus, carro e bicicleta.

 

Para o jogo seguinte do Brasil na Copa do Mundo (2 de julho, segunda-feira), para evitar novo caos nas pistas, o GDF decretou ponto facultativo aos servidores públicos e decidiu liberar as faixas de ônibus para os carros. Segundo a notícia divulgada pelo governo, “Para facilitar a mobilidade no dia do jogo, os veículos poderão trafegar livremente pelas faixas à direita da via, reservadas para os ônibus, da 0 hora às 23h59.”

 

Ou seja, durante os jogos, adotam-se medidas paliativas e de improviso (decretação de ponto facultativo e liberação das faixas de ônibus), em vez de medidas duradouras que revertam o quadro de imobilidade. Torço para que o Brasil avance na Copa e conquiste o hexacampeonato. Torço ainda mais para que os gestores públicos despertem para a relevância da mobilidade urbana e revertam o modelo de cidade. Em vez de cidade para carros, que possamos desfrutar de uma cidade planejada para pessoas.

 



Compartilhe

Comente

Seu e-mail nunca é exibido. Campos obrigatórios são marcados *

*
*
*


Busca no Blog
Com a palavra...
Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
Posts mais lidos
Categorias
Arquivo
Realização
Associação Abaporu
Desenvolvimento
MSZ Solutions
Comunicação
Mandarim Comunicação
Patrocínio
Itau

Allianz
Apoio
Ernst & Young
Prêmio
Empreendedor Social
Prêmio Empreendedor Social