Brasilia Para Pessoas

19
abril
Publicado por Brasília no dia 19 de abril de 2018

Texto e fotos: Uirá Lourenço

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Na capital federal, milhares de homens e mulheres andam como ratos (e com os ratos) e correm como atletas nos trajetos diários.

 

No final da W3 Norte, entre o setor hospitalar e o boulevard shopping, as pessoas enfrentam uma saga diária nos canteiros e nas calçadas destruídas.

 

Não bastasse a ausência de calçadas, evidenciada pelos inúmeros “caminhos de rato” nos canteiros (caminhos demarcados pela passagem de pedestres), ainda se tem que dividir espaço com lixo e roedores.

 

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Calçadas destruídas e correria para atravessar e chegar vivo ao outro lado.

 

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Neste ponto a calçada está repleta de lixo e de ratos.

 Para completar, um dos poucos semáforos em que daria para atravessar com certa segurança leva muito tempo para liberar passagem ou fica desativado, possivelmente para dar maior fluidez motorizada.  O vídeo revela o sufoco para atravessar no final da W3 Norte. É necessário vigor físico de atleta!

 

E o que dizer dos pontos de ônibus? Lotados, escuros, sem acessibilidade e sem informações sobre linhas e horários.

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Escuridão e superlotação nos pontos de ônibus do final da W3 Norte.

 

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Superlotação, abandono e inacessibilidade nos pontos de ônibus da região.

 

– Obras do TTN (“Terrível Trevo Norte”)

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A poucos metros de onde as calçadas estão destruídas e largadas aos ratos, avançam as obras do TTN. Muitos tratores devastam canteiros e aterram as margens do lago Paranoá para construir dezenas de túneis e viadutos.

 

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Imagem aérea mostra a devastação causada para construir mais pistas e viadutos.

Fonte: Agência Brasília.

 

A contradição é óbvia: enquanto pedestres e usuários de ônibus estão em situação de completo abandono e insegurança, a obra milionária vai incentivar ainda mais o transporte automotivo e certamente vai aumentar o nível de insegurança e desconforto dos pedestres, afinal haverá mais pistas e viadutos para atravessar na saga diária.

 

Os canteiros no final da W3 Norte estão com marcações e árvores pintadas (possivelmente, marcadas para morrer), o que indica que as obras do TTN avançarão nos caminhos traçados pelos pedestres.

 

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Árvores pintadas e canteiros demarcados: avanço das obras do TTN.

 

Dá para ter noção do nível de insanidade e atraso do modelo de transporte rodoviarista (centrado no rei automóvel) ainda vigente no DF ao constatar a desproporção entre ônibus e carros na ponte do Bragueto. Todo dia, milhares de carros enchem as pistas e vêm para a capital federal, os ônibus passam abarrotados de gente e sem qualquer prioridade na via.

 

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 Na ponte do Bragueto, desproporção entre carros e ônibus.

 

Ao conversar com pessoas que usam ônibus e passam pela região, constatei que alguns acham que as escavações em andamento têm por objetivo expandir o metrô até a região norte do DF. Em razão da dimensão das obras e da falta de informações no local, é compreensível o equívoco, a ilusão de achar que se trata de melhorias no transporte coletivo.

 

Será que um dia iremos reverter o modelo rodoviarista atrasado e seguir no rumo certo, da mobilidade moderna e saudável, em que se priorizam os modos de transporte coletivos e ativos e detrimento do modelo centrado no carro?

 

VÍDEOS:

 

Pedestres Atletas no final da Asa Norte

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Caminhos de Rato, Ratos no Caminho

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Travessia difícil no Setor Hospitalar

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Cenas do final da Asa Norte – Ponte do Bragueto

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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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