“Às vezes a única coisa que precisamos é de uma nova perspectiva” – Mobilize Europa
Mobilize Europa

14
setembro
Publicado por admin no dia 14 de setembro de 2015

 

Se tem algo que viajar pode te proporcionar é exatamente isso – uma nova perspectiva. E para cada Mapinhaviagem há muitos jeitos de viver, sentir e interpretar o ambiente do seu caminho, que depende de vários aspectos, por exemplo: como você chegou aí? Como se locomoveu? Como interagiu com a paisagem e com as pessoas que vivem ou ocupam o local?

Durante essa nossa viagem, queríamos fazer um teste: o que aconteceria se combinássemos diferentes modos de transporte ativo? E se fôssemos com apenas o mínimo de planejamento? Foi assim que partimos, deixando nossas zonas de conforto, sem muita coisa previamente organizada, praticamente levadas pelo vento. O mapinha que desenhamos pode dar uma indicação do nosso nível de preparação ;).

Em 4 dias, percorremos a pé, de patins e bicicleta cerca de 200km pela Dinamarca. No entanto, para além da distância percorrida, optamos por contar nossa história sob a perspectiva imaterial, das coisas intangíveis, que só se sente quando realmente nos permitimos passar por certas experiências. Nossos corpos foram postos à prova, e mais ainda, colocamos à prova os limites das relações humanas impostos por regras e normas da sociedade. Nós realmente buscamos ao máximo interagir não só com a paisagem, mas com a vida que habita cada pedacinho dos locais pelos quais passamos.

Após 14h de ônibus saindo de Bruxelas, iniciamos nosso trajeto com a “Augusta”, nossa bike-companheira de toda a trip, que alugamos na “Les Vélos” em Copenhaguen. Nossa aventura começou no vilarejo de Stege e de lá, subimos ate Møns Klint (Falésia de Møn) para em seguida retornarmos à Stege. PRevíamos um deslocamento de 48km, mas nos perdemos e acabamos percorrendo alguns quilômetros a mais. Por conta desse “desvio” tivemos uma das mais lindas visões de todo o trajeto: a praia.

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Logo que chegamos à Stege começamos a procurar local para dormir, já que estava escuro e ventava forte. Pernoitar nas residências das pessoas que moravam no caminho era parte da filosofia da viagem, visando resgatar valores esquecidos por grande parte da nossa sociedade, sobretudo, a confiança e hospitalidade. Neste primeiro dia, no entanto, como terminamos o trajeto à noite, tivemos dificuldade de encontrar pessoas nas ruas que poderiam nos ajudar.

A dificuldade nos levou a pensar em alternativas para descansar: uma cabana na floresta; uma igreja; pneus enormes que achamos ao lado de uma bicicletaria; chegamos até a cogitar o banheiro do cemitério (estava limpo e quentinho e parecia uma opção válida para a noite). Perguntamos no supermercado, e nada! Até que em uma lojinha local, enquanto contávamos nosso propósito mais uma vez, tivemos a sorte de conhecer o Thomas, que justo nesse momento passava por lá e nos ofereceu ajuda. Com a sua filosofia de “por que não?” abriu as portas da casa dele – onde ele havia recém-chegado e além de possuir pouquíssima mobília, sequer tinha concluído a reforma.

Descobrimos que o Thomas é um cara cheio de histórias para contar. Acorda todos os dias às 4h da madrugada para começar sua labuta. No tempo livre ele é soldado voluntário e membro da equipe do Røskilde Festival, que acontece todo verão nessa região. Na casa dele também se hospedava a Pia, uma  pessoa muito doce que nos recebeu com um café quentinho em uma noite fria.

No segundo dia, após nos despedirmos de nossos novos amigos, percorremos cerca de 50km de Stege à Faxe Ladeplats. Silvia correu 30km, caminhou 10Km e pedalou os 10Km restantes. Enquanto a Silvia usava os pés, a Mari seguia firme na bike, de olho na rota e registrando os momentos da trip. Chegando à Faxe começamos novamente a saga da busca por um local para dormir. Começamos a contar nossa história novamente no mercado, falando com o pessoal que estava no caixa. Lá quem ouviu a nossa história foi a Karin, que ficou imediatamente intrigada em como poderia nos ajudar.

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Karin nos chamou para jantar em sua casa – convite que aceitamos com muita gratidão. O primeiro morador da casa da Karin que conhecemos foi justamente o membro mais ativo da família: uma cachorrinha de 7 anos de idade que não mostrava nenhum sinal de cansaço mesmo após termos jogado a bolinha uns 30 vezes. Em seguida fomos apresentados à caçula da família, Mathilde, um amor de menina. Tommy, marido de Karin e pai da Mathilde também era apaixonado pela bicicleta, e pedalava aproximadamente 50 quilômetros todos os dias para ir e voltar do trabalho.

Durante a refeição, após horas de boa conversa, descobrimos que uma família nos Estados Unidos havia Screen shot 2015-09-14 at 07.45.36abrigado e acolhido uma das outras filhas do casal. Aparentemente eles viram em nós a oportunidade de “passar o presente para frente”. Felizmente nós entendemos que isso – passar as boas ações para frente – é a melhor maneira de “retribuir” um favor. Esperamos que em breve possamos passar também este valioso presente para frente ;).

A família da Karin nos deu a dica de visitar a famosa pedreira de calcário em Faxe antes de retomar nosso trajeto original. O local é aberto para visitação e as pessoas podem trinchar as pedras até encontrar um fóssil ou um dente de tubarão para levar pra casa! Assim, na manhã seguinte por volta das 6h30 o Tommy nos deixou na entrada da pedreira (Faxe Limestone Quarry). Apreciamos a linda paisagem e voltamos à nossa rota, infelizmente sem ter achado nenhum dente de tubarão… :/



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Especialistas, colaboradores e parceiros do Mobilize escrevem suas impressões sobre a mobilidade urbana nas cidades europeias, de bicicleta, sobre skates, em cadeiras de rodas, correndo ou andando, no metrô, VLT, ônibus, barcos, funiculares, riquixás e outras modalidades de transporte urbano.
Com a palavra...
Mariana Falcone Mariana Falcone Guerra é arquiteta graduada e com mestrado pela FAU-USP. Atualmente está na Espanha, realizando doutorado no Centro de Inovação em Tecnologia para o Desenvolvimento Humano da Universidade Politécnica de Madri. Há mais de dez anos dedica-se à área urbanística, desenvolvendo projetos e consultorias voltadas ao desenho urbano inclusivo, e ao reforço da métrica pedestre. Acredita que a apropriação do espaço público pelas pessoas é a melhor estratégia para reforçar a segurança e a vitalidade das cidades.
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