Mobilize Europa

10
maio
Publicado por admin no dia 10 de maio de 2013

“As estradas que peguei eram vias de mão dupla, sem acostamento e com apenas uma faixa de rolamento em cada sentido, mas os automóveis sempre mudam de pista ao ultrapassar o ciclista, o que faz toda a diferença”
 
Partindo de Bremen, cidade-estado com aproximadamente 500 mil habitantes, meu destino agora era Hamburgo, uma das maiores cidades da Alemanha, que tem o segundo maior porto da Europa. De Hamburgo pedalaria mais aproximadamente 380 km, de três a quatro dias, até Berlim, a capital nacional. Depois de Berlim, meu destino era Dresden, perto da fronteira com a República Tcheca. Esta seria portanto a semana em que eu de fato atravessaria o país e conheceria as cidades realmente grandes.
 
Sair de Bremen até que foi fácil e o caminho até Hamburgo bastante tranquilo. Embora eu tenha optado por pegar algumas vias de trânsito compartilhado com os carros, não me senti ameaçado em nenhum momento. As estradas que peguei eram vias de mão dupla, sem acostamento e com apenas uma faixa de rolamento em cada sentido, mas os automóveis sempre mudam de pista ao ultrapassar o ciclista, o que faz toda a diferença.
 
O norte da Alemanha é totalmente ciclável, e basicamente plano. Se eu quisesse fazer todo o caminho por ciclovias, passando por pequenas vilas e fazendas, isso também seria possível, mas optei por um caminho “híbrido”, para conhecer um pouco de tudo.
 

Ciclovia à beira de rodovia, perto de Hamburgo

Ciclovia à beira de rodovia, perto de Hamburgo


 
Nesse percurso, procurei entrar um pouco nas pequenas cidades, passar pelo centro e ter algum contato com a cultura local. Três coisas me chamaram bastante atenção nestes casos:
 
– A quantidade de igrejas, em sua maioria protestantes;
 
– Os limites de velocidade para o trânsito de automóveis na região central, quase nunca superior a 30km/h;
 
– A imensa malha ferroviária alemã. Se eu levantasse os pés para fazer um pedido cada vez que eu cruzasse uma linha de trem, não pedalaria nunca!
 
Naquele momento eu possuía um mapa pouco detalhado das regiões por onde passava, mas não me furtei a pedir informações, quando necessário. Tudo funcionava de forma bastante simples e mesmo me perdendo um pouco, logo já estava chegando a Hamburgo. Para acessar a cidade é preciso atravessar o rio Elba, um dos maiores do país, por uma ponte ou pelo túnel. Optei pelo túnel e logo na saída dele já estava no porto, que também é um polo comercial, cultural e gastronômico.
 
Hamburgo é uma cidade grande e dotada de muitas ciclovias. Assim como as demais metrópoles alemãs, conta com um bem desenvolvido sistema de VLTs e trens urbanos, além da sinalização específica preferencial para ciclistas e pedestres. E muitas, muitas bicicletas. Portanto, uma vez na cidade, não foi difícil encontrar meu caminho.
 
Pela primeira vez percebi a atenção da polícia em organizar o tráfego de bikes. Fui abordado por quatro oficiais alemães que me pediram documentos e me disseram que eu trafegava pela ciclovia no sentido contrário ao dos automóveis, o que era proibido e me renderia uma multa de 20 euros.
 
Expliquei que era brasileiro, não conhecia a lei, e além do mais, não havia ciclovia no outro lado da rua. Nesse caso, me explicou o policial, eu deveria trafegar na via, junto com os carros, sempre no mesmo sentido que estes e com preferência sobre eles. Me livrei da multa, mas achei a medida um tanto confusa e talvez por isso nem os alemães a respeitam.
 
Sinalização para ciclistas, no meio urbano de Hamburgo

Sinalização para ciclistas, no meio urbano de Hamburgo


 
Algo parecido aconteceria também em Dresden, quando a polícia me abordou por ter cruzado um farol vermelho. Naquela ocasião expliquei ao policial que se tratava de um mal-entendido. Eu aguardava pacientemente a abertura do farol e atravessei apenas quando percebi o sinal verde para os pedestres, já que na maioria dos casos os sinais para bicicletas e pedestres, embora independentes, são sincronizados. O policial disse que havia acompanhado tudo e mais uma vez me liberou, mas me deixou de sobreaviso.
 
Em Dresden, assim como em Amsterdã, Hamburgo e também em Berlim, é extremamente importante respeitar as regras de trânsito e sinalizar suas intenções quando estiver pedalando. Existe de fato um tráfego intenso de magrelas e se estes códigos não forem respeitados, você pode se envolver em muitos acidentes ou mesmo ter que pagar multas. Não é brincadeira! Pedalei pela cidade inteira e mais uma vez, com total segurança.
 
Algumas pessoas utilizam o capacete, mas não se trata da maioria, e me parece que não é obrigatório. Outro fato curioso, que até agora só vi em Hamburgo, foi a existência de vagas de estacionamento exclusivas para mulheres. Não saberia explicar o motivo, mas elas estavam sempre localizadas próximo à saída das garagens.
 
Me perdi um pouco na saída de Hamburgo e após uma hora e meia pedalando, me vi novamente chegando à cidade. Nesse momento desisti do meu guia de ciclorrotas e resolvi fazer meu próprio caminho, seguindo para Berlim.
 
Leia o outro blog de Du Dias, Dicamelo: http://dicamelo.wordpress.com/
 
 
 



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1 Comentário

Helga Lutzoff Bevilacqua
Enviado 11 de maio de 2013 às 3:23 | Permalink

Oi, Du! Que bacana! Vou acompanhando sua viagem daqui! Berlim não é demais? Quando estive por ai, não queria voltar para nenhum outro lugar do mundo! rs Coma um apfel strudel por mim e se encontrar outra Helga com menos de 90 anos de bicicleta, mande saudações! bj

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Especialistas, colaboradores e parceiros do Mobilize escrevem suas impressões sobre a mobilidade urbana nas cidades europeias, de bicicleta, sobre skates, em cadeiras de rodas, correndo ou andando, no metrô, VLT, ônibus, barcos, funiculares, riquixás e outras modalidades de transporte urbano.
Com a palavra...
Mariana Falcone Mariana Falcone Guerra é arquiteta graduada e com mestrado pela FAU-USP. Atualmente está na Espanha, realizando doutorado no Centro de Inovação em Tecnologia para o Desenvolvimento Humano da Universidade Politécnica de Madri. Há mais de dez anos dedica-se à área urbanística, desenvolvendo projetos e consultorias voltadas ao desenho urbano inclusivo, e ao reforço da métrica pedestre. Acredita que a apropriação do espaço público pelas pessoas é a melhor estratégia para reforçar a segurança e a vitalidade das cidades.
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