Mobilize Europa

13
junho
Publicado por admin no dia 13 de junho de 2013

A saída de Munique foi com chuva mesmo. A região alemã da Baviera, bem como boa parte da Europa, têm sido assolada por chuvas e temperaturas baixas de forma atípica, causando cheias em rios, alagamentos e até a interdição de alguns caminhos. Apesar do cenário catastrófico, minha cautela e o roteiro me ajudaram a não sofrer muito as consequências destes fenômenos. Passei bastante frio e tive que pedalar na chuva, mas felizmente só peguei uma ou outra pequena ponte interditada e algum deslizamento de terra em trilhas no interior, que não impossibilitaram meu deslocamento ou me colocaram em perigo em nenhum momento.

 

Acessei a Isarradweg novamente, seguindo o rio Isar até o balneário de Bald Tolz, no sul da Alemanha. O sol começava a aparecer, e com ele mais pessoas nas ruas e ciclovias. Ali mudei meu curso para a ciclovia Bodensee-Konigsee, que segue às margens da fronteira da Alemanha com a Áustria até o Bodensee, próximo também da Suíça. Todos o caminhos de bicicleta eram indicados por placas específicas, que naquela região fazem parte da malha cicloviária da Baviera, chamada de Bayernnetz fur Radler.

 

Placas indicativas de ciclorrotas, caminhos para pedestres e alerta para a presença de crianças nas ruas

Placas indicativas de ciclorrotas, caminhos para pedestres e alerta para a presença de crianças nas ruas

 

Os trajetos para caminhada também tem sinalização própria, que diferem das indicações das ciclo-rotas em cor e formato, e indicam o tempo do deslocamento e não a distância. Muitas vezes os caminhos de pedestres e ciclistas são compartilhados, mas em boa parte as rotas para pedestres são exclulsivas. Mesmo assim, um ciclista ou caminhante desatento pode facilmente se perder, já que muitos trechos do caminho fazem parte de duas, três ou até mais rotas diferentes!

 

Esta região já apresentava uma variação de altitude maior do que os trechos anteriores, com o surgimento das primeiras cadeias de montanhas dos Alpes no horizonte. Mesmo assim o deslocamento de bicicleta foi muito fácil, mas agora com uma pequena redução na velocidade média.
Seguindo os padrões que já vi até o momento, as ciclorrotas cortam as pequenas cidades, passavam pelo centro, ora por caminhos exclusivos, ora com o espaço compartilhado com pedestres, ora dividindo as ruas com os automóveis. A esta altura eu já estava acostumado, e muito mais do que eu, os motoristas alemães também.

 

Em um dos dias que passei na pequena vila de Uffing, ainda na Baviera, pedalei por curiosidade até a estação de trem local, que é sempre um ponto interessante na cidade, já que geralmente ocupa algum prédio histórico. Embora algumas linhas de trem estivessem interditadas devido às condições climáticas, várias outras ainda funcionavam muito bem. Pude observar basicamente dois tipos de trens: as composições locais e os trens de alta velocidade, estes geralmente utilizados para percorrer distâncias maiores.

 

Sistema automatizado de venda de passagens de trem em Uffing, na Alemanha

Sistema automatizado de venda de passagens de trem em Uffing, na Alemanha

 

Na pequena estação de Uffing não há um funcionário sequer, e a compra dos bilhetes é totalmente automatizada. Por meio de um sistema eletrônico o usuário digita o ponto de partida, o destino, o horário que deseja pegar o trem (entre as opções disponíveis), o tipo de passagem (para idosos, bihletes de 24 horas, bilhetes regionais etc.), se quer a primeira ou segunda-classe e uma infinidade de outras opções. O pagamento pode ser feito por dinheiro ou cartão e a máquina imprime o bilhete na hora. O sistema ainda está disponível em três línguas diferentes: alemão, inglês e francês.

 

De Uffing passei pela belíssima cidade de Fussen para só depois chegar a Lindau, às margens do Bodensee. Com a presença constante da chuva, do vento e do frio, continuava me abrigando nos pontos de ônibus do caminho, para descansar e fazer as pequenas refeições no meio da viagem.

 

Ponto de ônibus na Baviera, a caminho de Lindau

Ponto de ônibus na Baviera, a caminho de Lindau

 

Mais um ponto de ônibus: telefone público e lousa para recados

Mais um ponto de ônibus: telefone público e lousa para recados

 

Assim como as placas de trânsito, os pontos de ônibus se tornaram meu xodó, já que um é sempre mais bonito do que o outro. Com variação no tamanho e no formato, todos eles possuíam uma boa estrutura, cobertura, proteção contra o vento, bancos, lixeira e mapas com itinerários dos ônibus.
Já as placas de trânsito tinham uma característica peculiar: muitas delas eram visivelmente feitas pelos próprios moradores locais, indicando a presença de crianças nas ruas e o limite de velocidade. Fica aí uma pequena lição de cidadania…

 

 Leia o outro blog de Du Dias, Dicamelo: http://dicamelo.wordpress.com/

 

 



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Sobre o Blog
Especialistas, colaboradores e parceiros do Mobilize escrevem suas impressões sobre a mobilidade urbana nas cidades europeias, de bicicleta, sobre skates, em cadeiras de rodas, correndo ou andando, no metrô, VLT, ônibus, barcos, funiculares, riquixás e outras modalidades de transporte urbano.
Com a palavra...
Mariana Falcone Mariana Falcone Guerra é arquiteta graduada e com mestrado pela FAU-USP. Atualmente está na Espanha, realizando doutorado no Centro de Inovação em Tecnologia para o Desenvolvimento Humano da Universidade Politécnica de Madri. Há mais de dez anos dedica-se à área urbanística, desenvolvendo projetos e consultorias voltadas ao desenho urbano inclusivo, e ao reforço da métrica pedestre. Acredita que a apropriação do espaço público pelas pessoas é a melhor estratégia para reforçar a segurança e a vitalidade das cidades.
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