Mobilize Europa

15
maio
Publicado por admin no dia 15 de maio de 2013

Dresden foi a última cidade alemã onde pernoitei, antes de entrar na República Tcheca. O tempo chuvoso não era muito animador para a pedalada, mas ficar trancado num quarto de albergue também não me apetecia. Optei por partir e fui recompensado com o sol que apareceu tão logo eu me aproximava da ciclovia do rio Elba, o caminho que eu escolhera para chegar em Praga. Assim como o próprio rio, esta ciclovia é tão grande que eu mesmo já havia passado por ela mais ao norte da Alemanha, entre Hamburgo e Berlim. Ela ainda seguiria até bem próximo da capital tcheca, onde é ainda mais bonita do que no país vizinho.
 
Acessei a ciclovia pela cidade de Pirna, ainda em terras germânicas. Boa parte do percurso é exclusivo para pedestres e bicicletas, mas se engana quem acha que por ali não passam carros. Em alguns trechos urbanos e também em pequenas cidades, ou próximo aos portos, o tráfego de automóveis é permitido na via, mas com velocidade reduzida (30km/h) e sempre dando preferência para pedestres e ciclistas. No trecho em que eu estava, o rio passava a minha esquerda, e a direita eu era acompanhado de perto pelos trilhos do trem, quase sempre em desnível com relação à ciclovia. Do outro lado do rio eu podia avistar uma via rápida para carros e alguns barcos responsáveis pela travessia de pedestres e ciclistas, de uma margem a outra.
 
Diversos trechos da ciclovia, já em território tcheco, estavam em reforma, ou ainda sendo pavimentados. Nestes casos tive que, necessariamente, pedalar na via para carros, o que não é tão perigoso como no Brasil, mas ainda assim pode assustar. Os tchecos, como os alemães, adoram acelerar seus automóveis, mesmo que isso implique ultrapassar limites de velocidade estabelecidos.
 

República Tcheca: trecho de ciclovia ainda inacabado. Rio Elba à esquerda

República Tcheca: trecho de ciclovia ainda inacabado. Rio Elba à esquerda

 

A diferença é que na Alemanha, quase 100% dos motoristas tomam uma distância mais do que segura para ultrapassar o ciclista, o que não ocorre na República Tcheca. A situação fica ainda mais tensa quando um motorista de caminhão passa em alta velocidade e muito próximo de você, que pode ser facilmente derrubado apenas com o deslocamento de ar de um veículo desse porte.

 

Rodovia na República Tcheca: pista compartilhada com carros e caminhões. A estrada acompanha o rio Elba

Rodovia na República Tcheca: pista compartilhada com carros e caminhões. A estrada acompanha o rio Elba

 

O país conta com uma ampla rede de ciclovias, por isso é muito raro ter que pegar vias rápidas de bicicleta, mas isso também pode acontecer, por exemplo, quando a sinalização da ciclovia desaparecer, ou você não entender nada do que ela diz. É comum também encontrar placas tortas, com indicações confusas ou mesmo não encontrar placa alguma. Em geral isso não se aplica aos demais meios de transporte.

 

Parada para descanso: ponto de ônibus no interior da República Tcheca

Parada para descanso: ponto de ônibus no interior da República Tcheca

 

Não cheguei a pegar um barco, um trem ou um ônibus antes de chegar em Praga, mas pela quantidade de ferrovias, pela condição e estrutura dos pontos de ônibus e pelo tamanho e frequência com que se vê os barcos circulando pelos rios, imagino que eles tem sua importância. Eu sigo pedalando.

 
Leia o outro blog de Du Dias, Dicamelo: http://dicamelo.wordpress.com/
 
 
 



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1 Comentário

Maria Cristina Pinheiro Dias de Souza
Enviado 16 de maio de 2013 às 21:58 | Permalink

Viagem deliciosa, linda paisagem, bons ventos…

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Especialistas, colaboradores e parceiros do Mobilize escrevem suas impressões sobre a mobilidade urbana nas cidades europeias, de bicicleta, sobre skates, em cadeiras de rodas, correndo ou andando, no metrô, VLT, ônibus, barcos, funiculares, riquixás e outras modalidades de transporte urbano.
Com a palavra...
Mariana Falcone Mariana Falcone Guerra é arquiteta graduada e com mestrado pela FAU-USP. Atualmente está na Espanha, realizando doutorado no Centro de Inovação em Tecnologia para o Desenvolvimento Humano da Universidade Politécnica de Madri. Há mais de dez anos dedica-se à área urbanística, desenvolvendo projetos e consultorias voltadas ao desenho urbano inclusivo, e ao reforço da métrica pedestre. Acredita que a apropriação do espaço público pelas pessoas é a melhor estratégia para reforçar a segurança e a vitalidade das cidades.
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