Pé de Igualdade

04
February
Publicado por admin no dia 04 de February de 2016


São Paulo fez 462 anos, mas a cidade continua impraticável para quem deseja simplesmente andar a pé

Os 462 anos de São Paulo passaram e foram comemorados merecidamente com muitas festas e atividades em seus espaços públicos.

Passada a ressaca, retornamos ao dia a dia desta cidade que de um pequeno vilarejo fadado ao esquecimento chegou à metrópole, uma das maiores do mundo em habitantes, conforme o gráfico com a população das regiões metropolitanas mundiais.

 

Fonte: Archdaily[1]/ Demographia

 

A cidade segue com a mesma situação nada animadora para quem se atreve a praticar o mais primordial modo de deslocamento, o caminhar. Já mostramos isso em um de nossos posts de 2014, sobre as impressões de Álvares de Azevedo, quando veio estudar na Faculdade de Direito do Largo São Francisco.

Álvares de Azevedo

Desde a época do nosso querido poeta, áreas de caminhada continuam sendo terra de ninguém ou de quem delas se apossar para as mais variadas finalidades, e pelas mais impossíveis justificativas. Isso a gente vê todos os dias nos nossos caminhos a ponto de nos tornamos especialistas darwninianos em adaptação ao meio ambiente urbano da caminhada e acharmos tudo isso muito normal, bem intencionado e simpático…



Obras de melhoria da calçada não justificam sua total interdição. Da mesma forma, estabelecimentos comerciais não podem se apropriar definitivamente de áreas públicas para a instalação de mobiliário para seu uso exclusivo

 

Nossos caminhos continuam sendo cuidados por quem parece não considerar o andar a pé tão importante assim. Pelo menos este é o recado subliminar contido na ilustração da CET, em comemoração ao aniversário da cidade e divulgada nas redes sociais. Ela mostra a modalidade a pé num lugarzinho pequenino situado no cantinho esquerdo do coração onde as outras modalidades são mostradas com maior destaque.

wally
Onde está o pedestre?

 

Assim só se pode interpretar que é este o tamanho do significado da Mobilidade a Pé para quem cuida do assunto, apesar de haver por aí muito mais gente caminhando pra chegar aos seus destinos, para embarcar no busão, pegar seu carro ou táxi, ou mesmo para chegar até sua bike.
O recado implícito, até com possibilidade de não ter sido voluntário mas sim um ato falho, indica que ainda temos um longo e árduo caminho para conquistar o carinho e o cuidado merecidos a quem simplesmente anda pela cidade.



[1] http://www.archdaily.com.br/br/603524/ranking-2014-demografia-das-maiores-areas-urbanas-do-mundo-segundo-demographia

 



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Pe-de-igualdade Meli Malatesta (Maria Ermelina Brosch Malatesta), arquiteta e urbanista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com mestrado e doutorado pela FAU USP. Com 35 anos de serviços prestados à CET – Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, sua atividade profissional foi totalmente dedicada à mobilidade não motorizada, a pé e de bicicleta. Atualmente, ministra palestras e cursos de especialização em Mobilidade Não Motorizada além de atuar como consultora em políticas, planos e projetos voltados a pedestres e ciclistas.
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