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06
Fevereiro
Publicado por Administrador Mobilize no dia 06 de Fevereiro de 2018

Aplicando o Índice Cidadão de Caminhabilidade no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc/SP

Como são os caminhos que você percorre?

Aplicando o Índice Cidadão de Caminhabilidade no Centro de Pesquisa e Formação do SESC

No dia 13 de janeiro, organizamos a oficina Mobilidade Urbana e o Caminhar, no Centro de Pesquisa e Formação do SESC. Lá, tivemos a oportunidade de falar com um público diverso sobre os principais aspectos do caminhar e sua participação na mobilidade urbana de São Paulo. Também apresentamos e aplicamos a metodologia do Índice Cidadão de Caminhabilidade com as pessoas participantes.

Para explicar o índice, tivemos uma discussão breve sobre o que seria o conceito de “Caminhabilidade”, ainda pouco conhecido. Traduzido do termo em inglês “Walkability”, caminhabilidade significa o quão convidativa ou não é uma área para caminhar.

O Índice Cidadão de Caminhabilidade é uma metodologia desenvolvida pelo SampaPé!, congregando aspectos de outros índices, com o objetivo de empoderar cidadãs e cidadãos em relação aos principais conceitos e elementos que influenciam na qualidade do caminhar e participar ativamente da construção de cidades mais caminháveis e para as pessoas. O Índice traduz aspectos técnicos para uma linguagem simples, mostrando que se tratam de elementos cotidianos do caminhar, o que permite que qualquer cidadão participe na análise e avaliação da caminhabilidade da cidade, além de mudar seu olhar com relação aos elemento que afetam a qualidade e a segurança das ruas para quem caminha. A partir daí, as pessoas adquirem mais conhecimento para promover e cobrar mudanças no planejamento e desenho dos seus bairros, ruas e cidades.

Para facilitar a análise da caminhabilidade, dividimos os aspectos avaliados em seis camadas: calçadas, mobiliário público e serviços, travessias, comunicação e sinalização, fachadas e sensações.

As seis camadas analisadas pelo ICC

São mesclados na análise elementos físicos e percepções que são exclusivas do caminhar (como cheiro, conforto térmico, interesse etc.). E esse é o diferencial da metodologia: ela permite análises objetivas sem ignorar as subjetividades e complexidades. Justamente por isso, é importante aplicar o Índice Cidadão de Caminhabilidade com pessoas diversas e em momentos distintos da semana, uma vez que a cidade é dinâmica e atende a cada pessoa de maneira diferente. Entendemos que o caminhar deve estar no centro do planejamento urbano, e por isso analisar a cidade caminhando com as pessoas que vivem a cidade faz todo o sentido quando se quer pensar em uma cidade para todas as pessoas.

O SampaPé! Já promoveu análises com o Índice Cidadão de Caminhabilidade na Vila Madalena, em parceria com o Jane’s Walk, em Jundiaí, no projeto Jundiaí Caminhável, em Sorocaba, com o apoio do SESC, em Valparaíso, no Chile, durante o evento Placemaking Latinoamerica. Agora chegou a vez do bairro da Bela Vista, onde fica o Centro de Pesquisa e Formação do SESC.

Participantes analisam as ruas da Bela Vista.

Para fazer a avaliação, separamos as pessoas participantes em grupos e distribuímos fichas onde elas fariam suas anotações e dariam notas. Foram seis trechos percorridos e analisados, no total. Cada grupo ficou responsável por analisar uma camada. Além das notas, os grupos também tinham a missão de fotografar o que encontravam de bom e de ruim, usando as molduras verdes e vermelhas disponibilizadas pelo SampaPé!

Participantes registram aspectos positivos da caminhada usando a moldura verde

Algumas fotos dos participantes, como exemplo, registrando como negativo a “proibição” de ficar na rua e a ausência de faixas de pedestres, e como positiva a calçada plana, fachadas onde se pode sentar e a arte urbana em muros.

Algumas das impressões registradas por participantes durante a oficina
Grafite no caminho foi a grande sensação da oficina

Ao final, somamos as notas de cada trecho e camada, vimos as fotos tiradas e também discutimos entre nós as impressões que cada grupo teve. Ainda que cada um tivesse a “missão” de avaliar apenas uma camada, todas as pessoas participantes fizeram observações sobre todos os aspectos possíveis, o que só enriqueceu a discussão.

Abaixo é possível conferir as camadas que mais se destacaram.

As calçadas da Bela Vista foram bem avaliadas, assim como as sensações proporcionadas pelo caminhar. As piores notas ficaram por conta das travessias e da (falta de) sinalização para quem caminha.

Já nos quadros abaixo é possível conferir quais trechos obtiveram as melhores e piores notas. Esse tipo de categorização ajuda a estabelecer prioridades de intervenção no espaço.

Trajeto percorrido durante a avaliação da oficina. Cada trecho tem uma numeração.
Notas da avaliação por trecho percorrido

A partir dos resultados do índice, é possível partir para a próxima etapa, que é a discussão de soluções e de possíveis intervenções no local. Pode-se pensar tanto em resolver os principais problemas levantados ou ruas em pior situação, quanto enaltecer e replicar o que aparece como mais positivo para o caminhar.

A turma participante (Imagem: SESC)

Quer aplicar o Índice Cidadão de Caminhabilidade na sua cidade ou bairro? Entre em contato conosco no e-mail contato@sampape.org .



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Com a palavra...
Leticia Leticia Leda Sabino, 28 anos, é administra-
dora de empresas e idealizadora do SampaPé!. Depois de uma temporada na Cidade do México, percebeu que não só era possível viver sem carro, como somente se deslocando a pé podia experimentar realmente a cidade. Decidiu então partilhar sua descoberta, e criou o projeto de mobilidade urbana com foco no pedestre, para levar as pessoas a refletir sobre modos mais conscientes de locomoção.
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