SampaPé

27
setembro
Publicado por leticia no dia 27 de setembro de 2017

Já imaginou nadar em um lago – com patos – em uma megalópole?

Em Londres isso é possível!

 

Isso mesmo, mesmo com seus quase 10 milhões de habitantes (8,8 milhões) e seu cosmopolitismo todo, ainda é possível pegar o metrô (ou outro transporte público) até Hampstead Heath, um parque no norte da cidade, e bater perna nos lagos por lá.

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Lago masculino de Hampstead Heath

 

Hampstead Heath em dia de calor (VIDEO)

Direito à cidade – direito a nadar na cidade

Meu programa absolutamente preferido de Londres – cidade onde morei durante meu mestrado – é simples: colocar um biquini, pegar metrô (ou ônibus ou overground – trem de superfície) para Hampstead, ir até Hampstead Heath, o parque (que no caso da estação do overground já começa na esquina), em um dos bairros mais chiques de Londres (onde moram atores famosos como o Tim Burton ), escolher o lago e pular. Programa que para mim só é viável nos dias mais quentes do ano (quando faz 27 graus em Londres).

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Print Screen do Google Maps mostrando algumas das estações de metrô e trem no entorno no parque.

 

O parque está aproximadamente a 30 min do centro da cidade em transporte público ou 30 minutos caminhando de Camden Town.

 

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A acessibilidade e facilidade deste programa é um dos grandes diferenciais, acessar um lago para nadar dentro da cidade através de transporte público e a pé, faz com que não precise ser algo programado e difícil, e por isso um DIREITO A CIDADE.

Saiu do trabalho mais cedo e está calor, que tal ir nadar? Imagina o valor que isso tem para a vida urbana, o direito a cidade e qualidade de vida? O direito e o acesso ao nado para todos.

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Em Hampstead, há três lagos em que o nado é permitido no parque: um só para mulheres, um só para homens e um misto.

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Entrada para o Lago para Mulheres

Eu só estive no lago para mulheres. É uma experiência incrível, com mulheres de todas as idades se deliciando nas águas, no sol e nas conversas.

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Lago para Mulheres

 

Água e Cidade

Muitas vezes a reflexão de discussão de água e cidade se limita ao nosso consumo de água na cidade e acesso a ela dentro de casa –  que é muito importante. E que ficou em alta em 2015 na seca -ou crise hídrica – de São Paulo, refletindo também nos anúncios nos prédios de que usam água de reuso – postei aqui http://www.mobilize.org.br/blogs/sampa-pe/sem-categoria/cenas-paulistanas/ . Como a Raquel Franzin explica bem no artigo Água de beber, água de molhar, água de brincar, sim! : “Em grandes centros urbanos, a desconexão da vida com os ambientes naturais e os elementos da natureza, além da desigualdade de acesso e a iminência da escassez, restringem o nosso olhar para a finalidade prática da água, tratando-a apenas como um bem de consumo.”

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Ter a possibilidade de interagir com água na cidade – em cidades não costeiras –  é uma experiência incrível, e que ainda carecemos no Brasil e em São Paulo mesmo com nosso clima tropical quase o ano todo- não à toa em BH aconteceu a Praia da Estação  e em Sao Paulo há um movimento chamado Secura Humana que propõe “cachoeiras” urbanas nas nascentes de rios.

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Praia da Estação em BH – Foto:  O Tempo

“Ruralizar” a urbe

Mas que uma mega cidade não costeira te de possibilidade de não só se molhar em fontes mas sim mergulhar de cabeça e bater perna de verdade em um ambiente de natureza – o que o ingleses chamam de “wild swim” e são fascinados – https://www.redbull.com/gb-en/london’s-10-best-wild-swimming-spots – é UNICO e NECESSARIO.

Porém, além do fácil acesso, outra coisa bastante impressionante de Hampstead, em Londres, é que é “wild” (selvagem) mas não é uma fuga do urbano, e sim uma convivência. Olha a vista da cidade – e do skyline londrino – que se tem do parque:

 

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Vista da cidade a partir do parque Foto: Letícia Sabino

 

(Sim, a vista me lembrou a Pedra Grande, na Zona Norte, o que imediatamente me lembrou a dificuldade de chegar ao Parque Estadual da Cantareira )

São experiências como estas e lugares como este que, para mim, reafirmam que não deve haver uma dicotomia campo-cidade e sim uma sobreposição como é o caso das hortas urbanas, do caminhar sem pressa e sem rumo na cidade, e o nadar em um lago na cidade –  como ressaltei nesta publicação virtual sobre o livro Cidade e as Serras do escritor português Eça de Queirós caminhando na rua Eça de Queiroz – www.bit.ly/porondeandeieca.

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(Meu segundo programa preferido de Londres é caminhar pelo Regent Canal, água também, e sempre que eu queria espairecer quando morava aqui ia pedalar ou caminhar na beira do Thames, ou seja ver água)

Algumas referências e outros conteúdos:

Água de beber, água de molhar, água de brincar, sim! : http://conexaoplaneta.com.br/blog/agua-de-beber-agua-de-molhar-agua-de-brincar-sim/

Praia da Estação  - aqui https://www.vice.com/pt_br/article/4xxdym/fotos-praia-da-estacao-2017 

Secura Humana – matéria aqui https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/12/27/Este-grupo-quer-transformar-as-nascentes-de-S%C3%A3o-Paulo-em-%E2%80%98cachoeiras-urbanas%E2%80%99 e pagina no Facebook  https://www.facebook.com/securahumana/ .

Quando voltei de Londres comecei a fazer alguns vídeos ironizando a relação com água na cidade: https://www.facebook.com/llsabino/videos/vb.553511336/10156847042351337/?type=3&theater 

Falando de nadar na cidade não podemos esquecer esse cara que ficou famoso na internet por ir nadando para o trabalho: http://www.bbc.com/portuguese/geral-40826977

Video sobre a área do parque Hampstead: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2012/07/120704_london_calling_hampstead

Em São Paulo, também começaram a divulgar e aparecer os lugares nos extremos que e possível nadar – como as represas a cachoeira do Jamil no extremo Sul –  http://passeiosbaratosemsp.com.br/6-cachoeiras-para-se-refrescar-dentro-de-sao-paulo/

Rios e Ruas (http://www.mostrarioseruas.com.br/)



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Leticia Leticia Leda Sabino, 28 anos, é administra-
dora de empresas e idealizadora do SampaPé!. Depois de uma temporada na Cidade do México, percebeu que não só era possível viver sem carro, como somente se deslocando a pé podia experimentar realmente a cidade. Decidiu então partilhar sua descoberta, e criou o projeto de mobilidade urbana com foco no pedestre, para levar as pessoas a refletir sobre modos mais conscientes de locomoção.
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