SampaPé

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outubro
Publicado por leticia no dia 01 de outubro de 2013

Dia 22 de setembro, que este ano caiu em um domingo, para desgosto de muitos, foi o Dia Mundial Sem Carro.
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Para quem está no mundo da mobilidade urbana, não há como “passar em branco” pela data.  Pois promovemos atividades, debates e intervenções sobre como conscientizar e incentivar melhores práticas, como melhorar a logística da cidade, como humanizar as relações no ambiente urbano e assim gerar uma melhor experiência de vida nas cidades.
Porém, o que acontece muito, e quem acompanha esses eventos e iniciativas já sabe, é que os que frequentam e discutem são geralmente “os convertidos”, ou seja,  aqueles que já se deslocam de maneira inteligente por terem enxergado tanto o benefício pessoal como coletivo nessa mudança de práticas e hábitos. Para esses, todo dia é dia sem carro.
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experimenta O objetivo da data seria fazer com que aquelas pessoas que usam o carro todos os dias possam EXPERIMENTAR uma forma diferente de se deslocar, ao menos uma vez no ano, e começar a ver as vantagens dessa mudança de hábito, deixar de ser o trânsito e se tornar solução, de uma maneira prática.
(É nessa linha da experiência que o SampaPé! atua: procuramos levar as pessoas para caminhar, conhecer e experimentar a cidade de uma forma lúdica. Nesses passeios, nos finais de semana, os participantes caminham cinco quilômetros sem nem perceber e, desta forma, estreitam os laços com a cidade e com as outras pessoas. Com certeza vão querer mais disso no seu dia a dia.)
Assim a data de 22 de setembro deveria estimular e criar um grande constrangimento fazendo com que os “não convertidos” evitassem ao máximo o uso do carro nesse dia e fossem quase “obrigados” a experimentar outras formas de deslocamento.

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Multa simbólica (fotos: Leonard Castro)

Multa simbólica (fotos: Leonard Castro)

 

Mundano

Mundano

Mas não foi o que aconteceu. O domingo estava feio, choveu, fez frio, e o paulistano se escondeu no interior dos carros. Nós que estávamos tentando ocupar a Paulista para as pessoas (com bandeira “Se a Paulista fosse minha…), facilmente conseguimos fechar uma pista porque a velocidade era tão lenta que não houve em barrar os carros para ocupar a via.

BALANCO DA CET SOBRE A OPERACAO RODIZIO MOSTROU QUE A LENTIDAO NA CIDADE DE SAO PAULO AUMENTOU DE 2005 PARA 2006DSC_1349
Esses carros que deveriam estar em casa “enjaulados” (como na campanha da caloi), e as pessoas que no mínimo deveriam estar constrangidas por estarem sendo o trânsito, na verdade não estavam entendendo nada e nem mesmo sabiam do dia. Não houve anúncios, avisos, cartazes, nem nada para o publico-alvo desse dia e mais uma vez pregamos para “convertidos.”
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Quem nos segue nas redes sociais já está consciente e aqueles que andam a pé e/ou de bike, aqueles que podem parar no meio da Paulista para participar das atividades também já estão convertidos.
Arte: Coletivo Mais Voz

Arte: Coletivo Mais Voz

Então ainda existe um erro de comunicação e uma falta de experimentação das pessoas para termos mais adeptos a mobilidade consciente. Como solucionar?
Dia mundial sem trânsito

>Talvez o que dificulte sua divulgação, e o que muita gente critica, é o fato de ser um dia proibitivo, que diz: “NÃO use o carro hoje”,  ao invés de uma mensagem positiva: “experimente se deslocar de outra forma hoje”.

Você não está no trânsito, você É o trânsito!

Você não está no trânsito, você É o trânsito!

Ou talvez, mais por culpar apenas um modo de transporte, como se ele fosse um “super vilão” e a única causa da imobilidade, e não a soma da falta de qualidade dos transportes, de calçadas inacessíveis, falta de ciclovias e da cultura do conforto individual das pessoas.
Então, que tal o Dia Mundial Sem Trânsito, para atacar o problema em vez da causa, incentivando assim com que cada um faça o seu melhor para deixar de ser o trânsito: oferecendo carona, indo a pé, fazendo um dia de home-office ou qualquer outra saída que deixe a cidade mais desafogada.
Mas no final, o que a gente percebe é que muitas vezes é preciso fazer com que as pessoas experimentem agir diferente e escolham por elas mesmas como querem se deslocar e que papel querem desempenhar nas cidades. Mas, para isso provavelmente é preciso criar espaços que incentivem essa experiência.
Times Square antes e depois

Times Square antes e depois

 

Av. Atlântica aos domingos, Rio de Janeiro

Av. Atlântica aos domingos, Rio de Janeiro

Abaixo-assinado pela Paulista livre

Foi assim em Nova York, Copenhague, Berlim, no Rio de Janeiro e em muitas outras cidade, e aqui não vai ser diferente. É por isso que começamos um abaixo-assinado para que aos domingos uma das vias da Av. Paulista seja bloqueada ao trânsito motorizado para dar a oportunidade das pessoas experimentarem uma cidade para pessoas, mais humana, e assim possam aos poucos desejar uma cidade para todos nós.
Enquanto vamos investindo em macroações nesse sentido, devemos ainda assim continuar  comunicando e gerar espaços para experimentar a cidade, que estejam ao nosso alcance e na realidade do nosso dia a dia.
Faça um amigo ir a pé com você até o bar, marque o próximo encontro com os amigos em uma praça, pegue o metrô para voltar da balada, vá a andando até a padaria com seus pais, vá a pé e conte as descobertas que fez no caminho, tire fotos, sejamos comunicadores, impactemos e incentivemos a experimentação.



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Leticia Leticia Leda Sabino, 28 anos, é administra-
dora de empresas e idealizadora do SampaPé!. Depois de uma temporada na Cidade do México, percebeu que não só era possível viver sem carro, como somente se deslocando a pé podia experimentar realmente a cidade. Decidiu então partilhar sua descoberta, e criou o projeto de mobilidade urbana com foco no pedestre, para levar as pessoas a refletir sobre modos mais conscientes de locomoção.
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