E se os fios fossem enterrados? – SampaPé
SampaPé

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julho
Publicado por leticia no dia 11 de julho de 2013

 

Não é só por uma questão estética; o maior argumento para os que defendem o enterramento dos fios elétricos é a segurança dos transeuntes e a melhora na entrega do serviço de energia.

 

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Obviamente na Av. Paulista, o laboratório paulistano de melhorias urbanas, isso já foi feito. Depois o exemplo foi seguido na Oscar Freire, na Faria Lima, na Amauri, na João Cachoeira e em algumas outras ruas específicas. Porém muitas por iniciativa privada, como a Oscar Freire por exemplo, que foi pago em parte pelos lojistas e que afirmam ter sentido uma melhora muito significativa nas vendas depois da medida (óbvio: somado à melhoria das calçadas e à implementação de mobiliário urbano para se sentar nas ruas – ou seja, medidas pensadas para os pedestres, as pessoas -, o impacto econômico é imediato).

 

Para ter a cidade “limpa” e segura teríamos que enterrar ainda 38 mil km de fios, o que, segundo estimativas, sairia por 100 bilhões de reais. O governo entra sempre no mesmo impasse: deve ser feito mas não se sabe de onde viria esse investimento (o mesmo papo da responsabilidade das calçadas etc.; e todos os IMPOSTOS, onde andam?).

 

 

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Desde 2005 existe uma lei municipal estabelecendo que quem deveria enterrar os fios são as provedoras dos serviços a cabo, como a NET, Eletropaulo, Vivo e outras. Previa-se na lei o enterramento de 250 km por ano pela provedora de energia, entrando em vigor no ano de 2006. Mas, como se vê, parece que nada foi feito desde então.

 

Muito da falta de iniciativa das empresas, disse o vice-presidente da Eletropaulo em entrevista à Folha de S. Paulo, é que o investimento não compensaria e teriam que repassar esse custo para o consumidor final, nós. Me pergunto se ele já fez as contas dos gastos que eles têm todo verão com as chuvas, com as árvores que caem nos fios expostos, com os caminhões que esbarram na fiação e muitos outros fatores que exigem deles consertos emergenciais.

 

 

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Mas uma coisa é fato: se o governo não dá nenhum incentivo, entendo completamente o ponto deles, empresas e empresários. Mas nessas horas é inevitável não pensar uma vez mais: ONDE está o dinheiro dos nossos impostos? E o interesse das empresas em promover melhorias reais associadas aos seus serviços? (E não apenas criando áreas sociais na empresa e investindo em ONGs). Na minha opinião devemos caminhar para uma PPP.

 

Mas enfim isso tudo pode ser visto com mais detalhes em artigos e notícias, que inclusive deixo com o link no final deste texto. O que eu queria mesmo dizer é do ponto de vista de caminhabilidade da cidade e da percepção das pessoas.

 

 

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Sem sombra de dúvidas essa medida mudaria o nosso patamar de cidade “walking friendly”. O excesso de postes nas ruas, muitas vezes implantados no MEIO das calçadas, é um enorme obstáculo para quem anda. Quantas vezes não temos que andar na via carroçável? E estar subindo e descendo a calçada, como se estivéssemos em uma aula de “step”? Ou seja, no sentido prático da atividade de deslocar-se a pé já haveria um grande avanço no enterramento dos fios.

 

Porém, como sempre gosto de lembrar, ser caminhável não significa apenas ter um piso bom, plano, não derrapante, e calçadas com espaço suficiente para o fluxo de pedestres. Ser caminhável envolve muitas outras questões intangíveis, indiretas e sensoriais, como por exemplo a oferta de experiências na rua, a sensação de segurança e a sensação de bem-estar.

 

Já notaram o quanto os fios bloqueiam a nossa visão do céu, das construções e da cidade? Quanto de paisagem está interrompida? Ou seja, existe sim um problema estético. E diferentemente do que muita gente então pensa a estética da cidade não é algo secundário, ou fútil. Pois além de deixar a cidade mais bonita, as experiências e as percepções das pessoas com a cidade acarretam muitas outras mudanças internas e para a cidade.

 

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A cidade criativa tem um ambiente favorável para o estímulo das respostas dos cidadãos.  Ter a visão mais livre causa sensação de maior liberdade e segurança e afeta diretamente no humor e na criatividade. Que por consequência vai afetar em todos os outros âmbitos da vida dos indivíduos, sejam eles profissionais, pessoais, e inclusive do prefeito, do vice-presidente da Eletropaulo, o meu e o seu.

 

Então, quando será que eles (e nós) vamos entender ao que criar melhorias para a cidade estamos criando melhorias para nós mesmos?

 

Temos que lutar para essas mudanças positivas na cidade, mas como sempre digo, não vamos esperar os fios estarem enterrados para sermos criativos ou para sairmos as ruas, vamos?

 

Por isso, nas minhas andanças fiz essa coletânea de imagens de pequenas atitudes e intervenções nos postes e fios que se utilizam desses possíveis “poluidores” da cidade de maneira criativa, deixando para mim as ruas mais caminháveis e o espaço público mais interativo.

 

 

 

http://www.infraestruturaurbana.com.br

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,por-lei-sp-teria-de-ter-mil-km-de-fios-aterrados-tem-15,545430,0.htm/solucoes-tecnicas/7/artigo235532-1.asp

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/sao-paulo-discute-enterramento-de-fios

http://colunas.revistaepoca.globo.com/planeta/2013/02/26/malditos-fios-que-amarram-nossas-cidades/

http://www.prysmianclub.com.br/revista/PClub_12/materia_de_capa.htm

 



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Leticia Leticia Leda Sabino, 29 anos, é administra-
dora de empresas e idealizadora do SampaPé!. Depois de uma temporada na Cidade do México, percebeu que não só era possível viver sem carro, como somente se deslocando a pé podia experimentar realmente a cidade. Decidiu então partilhar sua descoberta, e criou o projeto de mobilidade urbana com foco no pedestre, para levar as pessoas a refletir sobre modos mais conscientes de locomoção.
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