Muitas ciladas para quem anda a pé – SampaPé
SampaPé

26
abril
Publicado por leticia no dia 26 de abril de 2015

Em tempos de (finalmente) holofotes na mobilidade a pé em São Paulo, tivemos uma sequência de iniciativas para os que caminham na cidade: participação da sociedade civil em diretrizes da mobilidade a pé para o Plano Municipal de Mobilidade Urbana, plano de calçadas anunciado pelo prefeito Fernando Haddad para reformar e construir 1 milhão de metros quadrados de calçadas e o projeto de lei do Andrea Matarazzo para passar a responsabilidade de manutenção das calçadas para o poder público.

Porém enquanto muito se discute e se anuncia a estrutura da cidade para se deslocar a pé continua triste quando decidimos olhar para isso com um olhar crítico.

Motivada pela bela iniciativa dos parceiros da CorridaAmiga, a campanha #calçadacilada, marquei de fazer um mapeamento crítico de toda a calçada da Rua Manoel de Nóbrega no domingo, dia 22/03 e vou compartilhar o resultado com vocês.

A #calçadacilada é uma campanha que pretende chamar a atenção da população e do poder público sobre a condição precária das nossas calçadas, gerando dados e informações de forma colaborativa, registradas no aplicativo Cidadera.  Para então depois em cima destes dados discutir e cobrar ações (e até mesmo servir de subsídio para os planos de calçada ou a responsabilidade da calçada).

No caso especifico de São Paulo a campanha começou com um foco: diagnosticar a situação atual das calçadas definidas como rotas emergenciais pelo Plano Especial de Calçadas – PEC, instituído pela Lei nº 14.675, de 23 de janeiro de 2008 – da então vereadora Mara Gabrilli. Esta lei determinou que as subprefeituras da cidade definiriam rotas estratégicas de acesso a transporte público e equipamentos públicos, e estas rotas seriam reformadas pelo poder público conforme padrões técnicos de acessibilidade.

 

Uma das ruas exemplo do que o Plano estava definindo e que deu certo é a Avenida Paulista (ainda que a parte de mobiliário urbano de apoio nunca tenha sido considerado).

 

O decreto que definiu as rotas emergenciais de toda a cidade é do mesmo ano, 2008, e com base nele, 7 anos depois, escolhemos nossa rua de ataque: Rua Manoel da Nóbrega.

 

A rua Manoel da Nóbrega foi incluída neste decreto provavelmente pois é a rua que conecta a estação Brigadeiro do Metrô até o Parque do Ibirapuera em uma linha reta de 1,8km. E levando em conta a falta de acesso que ao mais importante parque da cidade, decidimos realizar o mapeamento deste caminho.

mapa

Éramos 4 pessoas, e a primeira coisa antes de sair foi nos dividir em duplas para conseguir mapear as calçadas dos dois lados da rua. A metodologia de mateapemento que utilizamos, comum no SampaPé!, foi a das molduras verdes e vermelhas, em que tira-se foto do que está ruim com a moldura vermelha e o que está bom com a moldura verde.

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Na foto: Meli Malatesta, Silvia Stuchi, Marijke Vermander e eu.

(MEU AGRADECIMENTO TOTAL)

 

Começamos a caminhar e aí vou mostrar tudo que encontramos.

 

Lado ímpar:

 

QUADRA 1 – ENTRE AV. PAULISTA E ALAMEDA SANTOS

 

A quadra encostada na Paulista sofreu influência dela e tem piso tátil e calçada lisa e plana, porém algumas concessionárias de serviço já fizeram alguns estragos bem irresponsáveis.

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(Rua Manoel da Nóbrega, 71)

 

Porém muda o proprietário, muda a calçada. Ou seja, esta rua nunca sofreu a reforma pelo poder público definida pela lei.

 

No número 103, a calçada tem desníveis para criar a rampa de acesso aos carros e além disso um postezinho no meio do passeio livre, além dos bueiros-obstáculos.

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No número 111, a calçada estava bonitinha, mas os bueiros podem ser um belo de um obstáculo. E a responsabilidade das concessionárias?

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Esquinas sempre são pontos críticos na cidade, já na esquina com a Santos, cadê a rampa? E quando têm está em más condições ou mal localizada.

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QUADRA 2 – ENTRE ALAMEDA SANTOS E RUA CORONEL OSCAR PORTO

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Concessionárias, estamos precisando bater um papo sério né? E a regulamentação sobre quebrou tem que fazer direito?

 

Ainda na esquina

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No número 169 uma calçada que não deu nem para entender como foi feita, completamente desnivelada, esburacada, nenhuma tentativa nem de ser plana.

 

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Mas a gente também gosta de elogiar, depois de tanta coisa ruim, nos deparamos com essa que merceu um “Parabéns”, no número 181. Pavimento bom, está plana e acompanhando a inclinação da rua, o passeio livre.

 

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Mas aí trocar de proprietário é sempre conflitante, chega o Hortifruti, no número 209, e mais uma vez a calçada se rende ao automóvel.

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Outro parabéns.

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E então a rua começa a inclinar mais e os proprietários a se importarem menos com quem anda. Na altura do número 291 veja o que acontece com a calçada, os desníveis. Mas acredite que pode piorar, pelo menos os desníveis têm rampas.

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Mais uma esquina, e ai resolvemos elogiar e criticar de uma vez só, afinal houve uma tentativa de sinalizar para deficientes visuais que está chegando a travessia, porém com essa entrada que acumula água não dá, né? CET essa é com vocês?

 

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QUADRA 3 – ENTRE RUA CORONEL OSCAR PORTO E RUA MÁRIO AMARAL

 

E inicia uma quadra um pouco bipolar, grande variações entre desníveis e calçadas bacanas.

 

No número 355 parabéns, e um desenho diferente com os ladrilhos portugueses.

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Mas 395 em diante, aguenta joelho, que aí vem desnível.

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E ai chegando na Mário Amaral, conseguimos andar tranquilas outra vez.

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Rampa de acesso na esquina, mais uma vez achamos que mereceu uma sobreposição verde e vermelho, mas esta foi a melhor rampa de todo o caminho.

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QUADRA 4 – ENTRE A RUA MÁRIO AMARAL E RUA OTÁVIO NÉBIAS

 

Esta quadra é uma sequência de desníveis, nos números 489, 521, 533.

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Esquina com a rua Otávio Nébias, além de não tem as rampas, olha a condição da pista a faixa. CET vêm arrumar isso aqui.

 

 

 

QUADRA 5 – ENTRE A RUA OTÁVIO NÉBIAS E A RUA TUTÓIA

 

Essa quadra é um grande escadão, só vermelho nela.

Os números são 617 com buracos e do 627 até a esquina com a Tutóia só escadas.

 

Cadê a rampa? (esquina com a Tutóia)

 

 

 

QUADRA 6 – PARTE 1 – ENTRE TUTÓIA E INÍCIO DO BATALHÃO DO EXÉRCITO

 

Número 753, continuam as escadas.

 

 

Número 781 desnível

 

Números 783 e 793, muitos buracos, nível sem noção.

 

Continua, nos números 801, 827 e  degrau no 831.

 

Esquina com a Antonieta, entrada para uma vila, para atravessar sem rampas de acesso.

 

Buracão no número 859

 

Desnível e buraco 869

 

QUADRA 6 – PARTE 2 – ENTRE INÍCIO DO BATALHÃO DO EXÉRCITO E GINÁSIO DO IBIRAPUERA

 

 

Rua de acesso ao batalhão do exército sem rampa de acesso para os pedestre, abre a rua  nem arruma, que coisa feia.

 

 

Mas na calçada, depois de tantas coisas que vimos, até mereceram um “parabéns”.

 

Mas no meio do caminho fomos encontrando alguns probleminhas.

 

Ainda que pelo menos no outro acesso de carros não abriram uma rua.

 

QUADRA 6 – PARTE 3 – ENTRE INÍCIO DO GINÁSIO DO IBIRAPUERA E AV. MARECHAL ESTÊNIO ALBUQUERQUE LIMA

 

Abre uma rua de acesso ao ginásio do Ibirapuera, e aqui ganhou parabéns pelas rampas. A segunda até com piso tátil.

 

Mas o leito carroçável da travessia, alô CET!

 

Elogiamos, verdade a calçada do ginásio do Ibirapuera, olha só.

 

Porém além da faixa acabar na hora que passa na entrada do estacionamento, faltou respeito neste dia.

Carros estacionados na calçada.

 

Infelizmente percebe-se a falta de manutenção.

 

 

 

 

 

 

E a Sabesp fazendo o que não deve ser feito.

 

 

Mas quase na esquina de novo o ginásio ganha estrelinha pela sua super calçada e rampa de acesso, a seguir.

 

 

QUADRA 7 – ENTRE AV. MARECHAL ESTÊNIO ALBUQUERQUE LIMA E AV. SARGENTO MÁRIO KOZEL FILHO (EXÉRCITO)

 

Calçada boa, relativamente.

 

 

 

Travessia não, super difícil com este buraco quando chega na via.

 

 

QUADRA 8 – ENTRE AV. MARECHAL ESTÊNIO ALBUQUERQUE LIMA E AV. PEDRO ÁLVARES CABRAL (ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA)

 

Travessia ruim principalmente por uma concessionária que achou que exatamente na rampa seria um bom lugar para fazer um buraco.

 

 

 

 

 

 

Calçada boa.

 

Mas e agora como acessamos o parque CET?

 

Lado Par:

 

QUADRA 1 – ENTRE AV. PAULISTA E ALAMEDA SANTOS

 

Conforme apontado no lado ímpar, de modo geral, no lado par essa quadra também possui boa sinalização, piso tátil e calçada plana, lisa e em bom estado. No entanto, algumas concessionárias realizaram obras no local e não reconstituíram o piso de modo adequado, comprometendo a qualidade dos passeios dessa quadra.

 

Do nº46 ao nº62 encontramos obra nas calçadas sem reconstituição de piso / tampas de caixa em desnível com problema de drenagem; Do nº60 ao Nº66, a mesma situação, mas as tampas estão na faixa de serviço e não atrapalham tanto.

 

 

nº136 reconstituição de piso mal feita com retenção de água

Pavimento em mau estado na esquina da Manoel com a Alameda Santos

 

 

QUADRA 2 – ENTRE ALAMEDA SANTOS E RUA CORONEL OSCAR

PORTO

 

Guia rebaixada na esquina da Alameda Santos com pequeno degrau em desnível

 

 

Tampa da válvula de incêndio na esquina da Alameda Santos em desnível

 

 

Em frente ao prédio do ministério publico estadual, calçada em mau estado junto ao meio fio com saída de água pluvial aparente.

 

Elevou-se o nível da calçada para entrada/saída de veículos, em frente ao nº 318, rampa em desnível ao longo da calçada.

 

QUADRAS 3 e 4 – ENTRE RUA CORONEL OSCAR PORTO, RUA MÁRIO AMARAL e RUA OTÁVIO NÉBIAS

 

Serie de rampas elevadas ao longo dessas quadras para entrada/saída de veículos, em frente aos nºs 444, 456.

 

 

 

Degraus abruptos na transversal em frente ao nº498. Curioso que se trata de um buffet infantil, ficamos imaginando as crianças e idosos para se locomoverem nesse local…

 

Degrau nº 580 para saída de veículo

foto2

 

 

QUADRA 5 – ENTRE A RUA OTÁVIO NÉBIAS E A RUA TUTÓIA

 

Degrau para acesso ao predio nº586

Enfim uma foto utilizando o enquadramento verde! Estão trocando os ladrilhos por padrão antiderrapante no nº604.

 

Mas no mesmo Nº 604, que recebeu o enquadramento verde, há também degraus na transversal 🙁

Nessa quadra encontramos uma infinidade de degraus na transversal… Que carinhosamente apelidamos de “escadaria” do Bonfim…

 

nº 638 degraus na transversal

nº 646 “escadaria” do Bonfim e portão de veículos

nº668 escadaria, vários degraus!!!

 

Na altura do  nº 670, tem essa planta com espinhos, uma perfeita armadilha para quem não prestar atenção no caminho…

Na esquina com a rua Tutoia, há uma sequencia de pisos ruins

 

 

 

QUADRA 6 – PARTE 1 – ENTRE TUTÓIA, BATALHÃO DO EXÉRCITO e GINÁSIO DO IBIRAPUERA

 

E mais degraus nessa quadra…

Altura do nº691

 

Mais degraus…

foto1

 

 

Degrau para acesso à garagem, altura do nº922.

Altura do n º1240, tem “respiros” altos

E para finalizar o mapeamento de modo positivo e com esperança, destacamos o piso tátil em ótimo estado também na altura do n º1240.

 



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Leticia Leticia Leda Sabino, 30 anos, é administra-
dora de empresas e idealizadora do SampaPé!. Depois de uma temporada na Cidade do México, percebeu que não só era possível viver sem carro, como somente se deslocando a pé podia experimentar realmente a cidade. Decidiu então partilhar sua descoberta, e criou o projeto de mobilidade urbana com foco no pedestre, para levar as pessoas a refletir sobre modos mais conscientes de locomoção.
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