Viena, pelas margens do Danúbio – Mobilize Europa
Mobilize Europa

23
maio
Publicado por admin no dia 23 de maio de 2013

No interior da Áustria, mais do que em Viena, a bicicleta aparece muito forte, não só como meio de transporte mas também como motor de uma economia, pautada no turismo e com forte apelo para a terceira idade. Por incrível que pareça, mais de 70% das pessoas que cruzaram meu caminho pedalando pelas ciclovias do interior, tinham mais de 60 anos. Eram casais, grupos, ou até pessoas sozinhas, como eu, pedalando para ir ao mercado, à cidade vizinha, ou mesmo a turismo, com as bicicletas mais carregadas do que a minha! Os estabelecimentos que operam à margem das ciclovias mais famosas tem placas de boas-vindas aos ciclistas, local apropriado para o estacionamento das bicicletas, e muitos clientes idosos. Os jovens que vi pedalando por estes caminhos normalmente eram casais e com filhos pequenos, ou na cadeirinha ou numa espécie de reboque, protegido do vento.

 

A Áustria lembra mais a Holanda do que a República Tcheca, embora tenha também fortes características, principalmente no que se refere ao meio-ambiente, do país vizinho. Pedalei até a cidade de Tuln, nas margens do Danúbio, e de lá segui por uma belíssima ciclovia até a chegada a Viena, uma cidade sem comparações! A ciclovia acompanha o canal que sai do Danúbio e corta a capital, ligando a periferia ao centro, passando debaixo de pontes e viadutos – coloridos, grafitados, cheios de plantas ao seu redor e muito bem incorporados a paisagem.

 

Parada de ônibus, já na Áustria. Que capricho!

Parada de ônibus, já na Áustria. Que capricho!

 

Ao deixar as margens e subir para o nível da rua, a cidade apresenta uma ótima estrutura cicloviária, mas ainda pouco utilizada pelos moradores e turistas, se comparado a Berlin ou Amsterdam, por exemplo. Foi por isso mesmo que achei Viena a melhor cidade para se pedalar. Ali é possível passear com calma, observar a paisagem, curtir o lugar sem o ritmo frenético ditado por ciclistas afoitos de outras capitais. Um anel viário com uma ciclovia paralela é responsável por fazer a volta no centro da cidade, tornando o caminho agradável e dinâmico. Os VLTs também estão por toda parte, dividindo seus trilhos com carros e ônibus.

 

Viena: ônibus e VLTs trafegam na mesma pista

Viena: ônibus e VLTs trafegam na mesma pista

 

A capital austríaca também conta com uma infinidade de parques e praças, muito bem distribuídos por toda a cidade, que somados aos monumentos e prédios históricos, transformam qualquer caminho a pé em um enorme deleite. Em algumas praças vi banheiros públicos e bebedouros com água gelada, além das ótimas calçadas, largas e plenamente acessíveis.

 

Ciclovias em Viena

Ciclovias em Viena

 

 

Os sinais para bicicletas e pedestres, assim como as placas de trânsito são extremamente eficientes e não parecem causar muita confusão. Em algumas regiões comerciais, as faixas de pedestre ficam um pouco acima do nível da rua, acompanhando a altura das calçadas, como que numa lombada, tornando-se mais visíveis, forçando o motorista a diminuir a velocidade e certamente facilitando a travessia, principalmente para cadeirantes.

 

Para sair de Viena também não foi complicado – bastou procurar o canal que liga a cidade ao Danúbio e seguir agora no sentido Oeste, por uma das ciclovias mais conhecidas e tranquilas de se pedalar, as margens do rio.

 
 

Leia o outro blog de Du Dias, Dicamelo: http://dicamelo.wordpress.com/

 
 
 
 



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Especialistas, colaboradores e parceiros do Mobilize escrevem suas impressões sobre a mobilidade urbana nas cidades europeias, de bicicleta, sobre skates, em cadeiras de rodas, correndo ou andando, no metrô, VLT, ônibus, barcos, funiculares, riquixás e outras modalidades de transporte urbano.
Com a palavra...
Mariana Falcone Mariana Falcone Guerra é arquiteta graduada e com mestrado pela FAU-USP. Atualmente está na Espanha, realizando doutorado no Centro de Inovação em Tecnologia para o Desenvolvimento Humano da Universidade Politécnica de Madri. Há mais de dez anos dedica-se à área urbanística, desenvolvendo projetos e consultorias voltadas ao desenho urbano inclusivo, e ao reforço da métrica pedestre. Acredita que a apropriação do espaço público pelas pessoas é a melhor estratégia para reforçar a segurança e a vitalidade das cidades.
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