Autolib vai encerrar atividades em Paris

Altos custos com reparos e limpeza tornaram o negócio insustentável. Carros devem sair das ruas até o final de julho

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Fonte: Folha de S. Paulo  |  Autor: Eduardo Sodré / Folha de S. Paulo  |  Postado em: 10 de julho de 2018

Carros do Autolib na capital francesa: fim de cicl

Carros do Autolib na capital francesa: fim de ciclo?

créditos: Left Lane

A ideia parece perfeita: em vez de adquirir um carro que ficará parado a maior parte do tempo, opta-se pelo uso compartilhado. Melhor ainda: os veículos são elétricos. Esse é o conceito básico do Autolib e seus carrinhos franceses, que, apesar da simpatia que despertam, tornaram-se um fracasso enquanto negócio. Os veículos circulam por Paris e seus arredores desde 2011. Há 100 mil usuários inscritos e cerca de 4.000 automóveis em 1.100 estações. 

 

É basicamente o mesmo esquema das bicicletas compartilhadas disponíveis na capital paulista. Porém, carros são mais complexos e caros que bicicleta Vincent Bolloré, dono da empresa que administra o sistema, viu o negócio tornar-se insustentável. Os custos com reparos e limpeza são tão altos e frequentes que deterioram as contas. Outras soluções modernas de mobilidade urbana passaram a disputar a atenção dos franceses, mas essa não é a principal questão.

 

O maior problema está na gênese humana e no seu talento em deteriorar o que é público. Se o carro é de todos, não é de ninguém. Perdem os franceses, principalmente os 270 funcionários envolvidos na operação do serviço.

 

 

Carros do Autolib incendiados em 2013, em rua de Paris


Em 2016, durante a cobertura do Salão do Automóvel de Paris, havia um ponto do Autolib em frente ao hotel em que eu estava hospedado, em Montparnasse. A pintura prateada esmaecida ressaltava os anos de uso. Pela janela, pude ver guardanapos deixados ali por algum usuário. Perguntei sobre o serviço a um funcionário do hotel, que relatou problemas com a limpeza. Motoristas e passageiros deixam guimbas de cigarro, restos de fast-food e outras porcarias a bordo.

A imprensa francesa relata casos de arrombamento por moradores de rua, que dormem nos veículos. Usuários de drogas também são passageiros constantes.


O contrato atual de concessão do serviço deveria ir até 2023 e lucrar o equivalente a R$ 250 milhões. Entretanto, a interrupção do serviço deixa uma dívida igualmente milionária. O contrato foi rescindido no fim de junho, e os carrinhos devem ser retirados das ruas de Paris até o fim deste mês de julho.

  

O empresário Vincent Bolloré vai continuar investindo em mobilidade eletrificada, mas sem oferecer serviços públicos. Sua empresa produz baterias, setor que tende a crescer com a chegada de novos carros híbridos e elétricos. Não se sabe ainda se outra empresa terá coragem de assumir o projeto Autolib e fazê-lo ser rentável. Só há duas alternativas para isso: ou muda-se o sistema de compartilhamento, ou o ser humano muda.

 

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