Sem que ninguém esperasse, uma portaria publicada nesta quarta-feira (4) pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) de São Paulo, e divulgada hoje (5) em matéria no site Diário do Transporte, informa que a atual administração fará o remanejamento de recursos destinados à manutenção e operação de ciclovias.
Assim, a verba que iria para conservação e ampliação da infraestrutura cicloviária da capital passa agora integralmente para estudos a serem contratados sobre dois novos projetos de transporte na cidade, a saber: um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ou "Bonde de São Paulo", e um teleférico de transporte urbano que a gestão quer construir na região da Brasilândia (zona norte).
O total dos recursos que até então serviriam à "manutenção e operação de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas" soma R$ 1,88 milhão (R$ 1.881.537,28). Parte desse dinheiro, R$ 1,12 milhão (R$ 1.128.922,36) será transferido para o bonde e R$ 752 mil (R$ 752.614,92) para o teleférico. De acordo com a publicação, o remanejamento já está em curso.
Para se avaliar o impacto que essa "puxada de tapete" dos recursos para a mobilidade ativa deve trazer à cidade, basta lembrar que a capital paulista tem hoje a maior malha cicloviária do país, com 737 km de extensão de ciclovias e ciclofaixas espalhadas por todo o território, e ainda é tida como modelo por várias cidades que querem estimular o uso da bicicleta.
Obs. do Mobilize:
Nada contra pensar em novos modos de mobilidade urbana: quando planejados com viabilidade financeira e sustentabilidade, são muito bem-vindos. O que não dá para aceitar é que, de uma hora para outra, sem justificativas ou discussão prévia com a sociedade, o poder público simplesmente anuncie a retirada da verba destinada à estrutura que já está implantada e tem a concordância da população. As ciclovias permitem o deslocar seguro pelo modo de mobilidade mais limpo e sustentável que existe, promotor de saúde e qualidade de vida. A bicicleta tem que ser levada a sério.
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