Milalá

07
dezembro
Publicado por Administrador Mobilize no dia 07 de dezembro de 2017

Pois é, vivenciar a cidade de Nova York por dois meses foi algo muito enriquecedor!

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Nas minhas muitas atividades ligadas às pessoas com deficiência, saiu a aprovação de um estágio na organização mundial Rehabilitation International (RI), que promove a inclusão e os direitos humanos das pessoas com deficiência. Tudo o que eu vi, ouvi, aprendi e pratiquei por lá me fortaleceu e me capacitou para estar mais bem preparada para nos ajudar daqui para a frente. Transitei por todos os assuntos ligados às pessoas com deficiência. Na cidade de NYC, foquei em acessibilidade, transporte público, emprego, cultura e lazer.

Viver a cidade de NYC para quem usa uma cadeira de rodas e tem baixa visão é uma delícia!

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O tempo todo a cidade convida para estar na rua, ir pra lá e pra cá sem sofrer, usufruir dos espaços públicos, entrar com facilidade em mercados, farmácias, lojas, restaurantes, andar de cabeça erguida sem ter medo de cair em buracos, receber ajuda sem enfrentar olhares de piedade, enfim, viver e não ser privada de exercer os seus direitos é bom demais.

A acessibilidade da cidade para cadeiras de rodas é show! Na área mais central, as calçadas têm um passeio livre enorme e você desliza rodando por elas. A única preocupação é desviar das muitas pessoas que circulam o tempo todo, principalmente os turistas que param de repente para fotografar. E tem uma ou outra esquina sem rampa. No norte e no sul da ilha, e nos arredores encontrei calçadas mais estreitas, sem rampas e até com alguns buraquinhos no caminho.

Tive uma vida completamente independente, rodei por todos os cantos da cidade com a maior facilidade.

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Na ilha de Manhattan você somente utiliza ônibus se quiser e no meu caso, para economizar a bateria de minha scooter, a Julinha.  Sim, você leu ônibus. Andar de ônibus por lá é maravilhoso porque toda a frota é adaptada. Claro que demora mais porque o trânsito é intenso, mas o conforto de estar no ônibus vale a espera. Os ônibus não correm, têm uma velocidade amigável, ninguém te espreme (o carro pode estar cheio, mas respeitam o seu espaço), tem um excelente layout interno que permite fazer manobras sem ouvir resmungos, levam dois cadeirantes ao mesmo tempo com segurança, e você tem preferência para entrar e sair. É tudo de bom! Há também a opção de balsas, que também são acessíveis e bem confortáveis.

Evite o metrô: a maioria das estações não é acessível e o tempo todo eles alteram a direção dos trens, além de formar degraus e aquele gap entre a plataforma e o trem.

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Não há assistência nas estações, e quando disserem a você para ir na Boarding Area é só pra ficar perto do condutor, porque as dificuldades para entrar no trem continuam.  Ah, e quando você entra, fica solto no vagão, porque o lugar reservado lugar existe, mas sempre está ocupado por alguém dormindo… Ai, que não gostei nadinha do metrô. Mas os ônibus e as balsas, amei!

Andando pela cidade você encontra alguns semáforos sonoros e um ou outro identificador sonoro de ônibus.

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Nos pontos de ônibus, senti muita falta destes identificadores e acabei abordando as pessoas na rua para me ajudar com informação. Senti falta, também, de calçadas identificadas com piso tátil de direcionamento. Conversando com os meus novos amigos cegos que vivem lá, soube que não são necessários. Pois é, respeito a posição deles, mas penso que para turistas eles seriam bem-vindos.

A sinalização da cidade funciona bem pra quem enxerga bem. Tem informação de onde você está, o que tem perto, quais as linhas e integração. Mas se você não enxerga bem, vale sair de casa já com a informação de onde irá.

Uma outra coisa muito boa por lá de que eu vou sentir muita saudade é o respeito ao pedestre.

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No semáforo, é fantástico. Você não espera quase nada e quando abre pra você, também abre para os carros, que esperam calmamente você realizar a travessia. E, quando há obra que invade a calçada, utilizam o espaço do carro para o pedestre passar, com rampa e tudo no desvio.

Pois é, nem tudo são flores, mas os espinhos encontrados não machucam.  Me acompanhem por aqui que tenho mais história pra contar!

 



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Milala Vamos conhecer o Milalá?
Mila Guedes, 45 anos, é publicitária e idealizadora do Milalá, projeto que estimula quem tem mobilidade reduzida a passear, viajar e curtir a vida. Acompanhe suas aventuras e as experiências incríveis que viabilizou em 22 anos como portadora de esclerose múltipla. Mila acredita que quanto mais informação, mais fácil será enfrentar os obstáculos que aparecerão pelo caminho. Sem medo, sem limite. Conheça este trabalho aqui no portal Mobilize, na página do Facebook e também no site www.milala.com.br
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