"Desde muito cedo eu tenho um sonho de cidade. Uma cidade mais lenta, mais acolhedora, mais respeitosa com tod@s". No último dia 30 de março, a arquiteta urbanista Eveline Trevisan nos deixou, mas seu legado continuará a ser inspiração para a construção de cidades para pessoas.
Arquiteta urbanista, mestre em ciências sociais e doutora em urbanismo, Eveline Trevisan dedicou sua vida a transformar a mobilidade de Belo Horizonte em uma experiência, como dizia, “mais acolhedora e respeitosa para se deslocar pelas nossas ruas”.
Muito gentil e afetuosa, Eveline sempre demonstrou um cuidado com sua vida pessoal e seu trabalho, acreditando no poder da construção coletiva: “Para fazer uma intervenção urbana é preciso uma comunicação aberta e franca, resiliência, paciência e muito trabalho”. E assim foi sua trajetória, atuando mais de 30 anos como servidora pública da Prefeitura de Belo Horizonte, tendo assumido cargos de liderança voltados à sustentabilidade e meio ambiente.
Eveline coordenou projetos que se tornaram referência em mobilidade sustentável, como o Programa Pedala BH, que busca ampliar o transporte por bicicletas na cidade, e as Zonas 30, que redesenham ruas para garantir mais segurança a crianças, idosos, ciclistas e pessoas com deficiência.

Sua batalha profissional mais recente foi pela implantação da ciclovia na Avenida Afonso Pena, principal via da região central de Belo Horizonte e de grande atratividade para a circulação de ciclistas. Apesar de contemplar diretrizes da legislação municipal e federal e ter passado por processo participativo, a obra tem enfrentado resistência de parte da população e foi alvo de disputa judicial devido ao receio de prejuízos à fluidez dos automóveis.
Em 2019, foi reconhecida internacionalmente como Remarkable Women in Transport pelo TUMI, e em 2023 recebeu o título de Remarkable Feminist Voice in Transport pela GIZ e BMZ, instituições alemãs. Também foi finalista no eixo Meio Ambiente do Prêmio Espírito Público em 2022.

Eveline era ciclista, caminhante e sonhadora. E dentre seus sonhos realizados, foi idealizadora, roteirista e locutora do podcast Cidades Possíveis, provocando reflexões sobre os desafios urbanos e inspirando mudanças possíveis nas cidades. Sua trajetória deixa como legado não apenas projetos concretos, mas uma visão transformadora: o urbanismo como prática coletiva, inclusiva e comprometida com o futuro sustentável das cidades.

Deixamos nossa gratidão a sua luta, e compartilhamos suas perguntas questionadoras sempre importantes para pensar as cidades: “Qual é a cidade dos seus sonhos? O que a gente pode fazer agora para transformar nossa cidade na melhor cidade para se viver e conviver? O que está faltando para promover essa mudança?”
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Danielle Hoppe atua há mais de 15 anos na promoção do desenvolvimento urbano e mobilidade inclusivos, sustentáveis e resilientes ao clima. Acumula experiências no poder público, iniciativa privada e terceiro setor. É mestre em planejamento urbano pela McGill University, em Montreal (Canadá), e graduada em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Desde 2014, faz parte da equipe do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil)
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*Suzana Nogueira é arquiteta urbanista e pedagoga, e atua na promoção da mobilidade justa, inclusiva e sustentável nas cidades. Possui longa experiência na gestão, planejamento, projetos e condução de processos de participação social na área da mobilidade no setor público, privado e terceiro setor.
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