📝 Coletivo da Mobilidade

Louyang, a China antiga com ares de modernidade

Cidade próspera, repleta de locais históricos, com espaços públicos de qualidade. É bem-sinalizada, mas há problemas: motos param em calçadas e furam o tempo de travessia

Por Meli Malatesta
Largas avenidas, sinalizadas com enormes placas su

Largas avenidas, sinalizadas com enormes placas suspensas | Foto: Meli Malatesta

Louyang, situada na planície central da China, é uma das suas cidades mais antigas, com mais de quatro mil anos. Por várias vezes, e em diversas dinastias, foi capital do país. Repleta de monumentos históricos antiquíssimos, dentre eles o Templo Xaolin, lá surgiu a luta marcial Kung Fu, que até os dias de hoje continua sendo praticada e ensinada na cidade. 

 

Apresentação de Kung Fu no Templo Xaolin Foto: Meli Malatesta


Mobilidade urbana
Atualmente, além da indústria têxtil, petroquímica e metalúrgica, Louyang abriga uma unidade de produção da BYD, empresa conhecida pelos carros elétricos que vemos rodando por aqui e mais ainda por lá. Essa característica confere ao ambiente urbano uma imagem de modernidade próspera, com vários centros comerciais e imensos shoppings centers.

 

No caso dos veículos de duas rodas, elétricos ou a propulsão humana, vemos repetida nessa cidade a solução encontrada em outras da China: os modos leves dividindo a mesma pista, onde ocupam a faixa da direita das avenidas, para ficarem segregados do restante do tráfego motorizado. Tudo muito bem-sinalizado, com enormes placas suspensas.

 

Interessante é que, diferentemente de outras cidades chinesas, não vemos em Louyang as inúmeras passarelas para pedestres, mas sim extensas faixas de travessia nas vias. Há foco específico para o pedestre, na figura verde de uma pessoa caminhando e depois correndo nos segundos finais. Esse tempo de travessia quase nunca é suficiente para transpor as largas avenidas, mas os condutores dos automóveis esperam... Já os de moto e bicicleta, não.

 

Travessia no tempo verde para o pedestre Foto: Meli Malatesta
 

Pilotos de scooters não respeitam o tempo de travessia Foto: Meli Malatesta

 

Espaços públicos
Mas o que me encantou mesmo foi a qualidade de vida urbana ofertada pelos espaços públicos da cidade, não só em terra firme, como no desfrute do Rio Lou, que corta a cidade. Ao longo de suas margens, as pessoas podem caminhar, correr, fazer exercício e o melhor, nadar e pescar em suas águas limpas.

 

Pescaria ao final de uma tarde de sexta feira Foto: Meli Malatesta


Porém, como nem tudo é perfeito, as calçadas de Louyang ficam completamente obstruídas por bicicletas e motos, o que dificulta e até mesmo impossibilita a passagem de quem vai a pé, mesmo defronte a faixas de travessia.
 

Invasão das calçadas por motos estacionadas Foto: Meli Malatesta

 

Mas nada tão perfeito quanto ver mulheres e meninas vestidas a caráter visitando locais históricos de Louyang. É um hábito muito comum na China, e há até lojas onde se pode alugar vestimentas de época e também contar com serviços de cabelereiro e maquiagem para se tornar uma personagem típica das históricas dinastias.

 

Elas ficam passeando pelos espaços históricos e adoram que façamos fotos, sem nada cobrar para isso. A recompensa é simplesmente se integrar aos locais históricos e a tudo o que ocorreu nesses locais.
  

 


Mulheres posam com roupas típicas em locais turísticos Fotos: Meli Malatesta

 

 

Maria Ermelina Brosch Malatesta é arquiteta e urbanista formada pela FAU Mackenzie. Mestra e doutora em Mobilidade Urbana Ativa pela FAU USP, atua como consultora em políticas públicas, planos diretores de mobilidade e projetos de sistema viário e espaço público para a mobilidade ativa, a pé e por bicicleta. Autora dos livros Pé de Igualdade e A Rede da Mobilidade a Pé.

 

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