📝 Coletivo da Mobilidade

Xangai: a São Paulo chinesa

Bem maior e mais populosa que a brasileira, Xangai impressiona com 900 km de metrô, ampla rede de ônibus e de travessia de pedestres. Meli esteve lá e conta o que viu

Por Meli Malatesta
Travessias por faixas semaforizadas em área comerc

Travessias por faixas semaforizadas em área comercial | Foto: Meli Malatesta

É impossível ir à China sem passar por Xangai, assim como é impossível não fazer a comparação: São Paulo é para o Brasil como Xangai é para a China, o centro nervoso do PIB, business, cultura, pesquisa, educação e tecnologia. 

 

Obviamente Xangai é muito maior e mais populosa que São Paulo: tem metrô muito mais extenso, com mais de 900 km, e a maior rede de ônibus urbano do planeta. Já a ciclomobilidade é tratada da mesma forma que no restante das cidades chinesas, inclusive com seus veículos automotores invadindo o espaço dos pedestres.


 

Esquina com calçada invadida por bicicletas e até veículos de carga Foto: Meli Malatesta

 

Já a mobilidade a pé recebe tratamento híbrido. Há redes de passarelas, mas também semáforos no nível do chão para organizar o tráfego motorizado em locais onde pedestres não são tão numerosos, como nas regiões de edifícios corporativos e de serviços. Já nas regiões de comércio e shoppings, a travessia é feita por faixas semaforizadas, com tempo de travessia que exige preparo de atleta (!). Ainda bem que as largas faixas de pedestres conseguem acomodar os fluxos dos caminhantes nos dois sentidos.

 

Passarelas formam rede de travessia entre os elevados e avenidas Foto: Meli Malatesta
 

Um outro aspecto notável em Xangai é o grande número de radares: presentes em praticamente todos os cruzamentos semaforizados, esses equipamentos fiscalizam a obediência do condutor à sinalização de velocidade e semafórica.


 

Placa (amarela, à dir.) adverte para a presença de radar Foto: Meli Malatesta

 

Os espaços públicos de Xangai refletem sua localização de porto e ponto estratégico que sofreu, ao longo de sua história, sucessivas invasões e chegadas de povos diversos, tais como: piratas japoneses, ingleses durante as guerras do ópio, refugiados judeus à época da segunda guerra mundial... Essas incursões influenciaram em muito a cultura, arquitetura e desenho urbano da cidade, e criaram uma paisagem que mistura o velho e o contemporâneo. É de tirar o folego até dos moradores, não apenas durante o dia mas principalmente à noite.

 

Xangai by night Foto: Meli Malatesta

 

 

Maria Ermelina Brosch Malatesta é arquiteta e urbanista formada pela FAU Mackenzie. Mestra e doutora em Mobilidade Urbana Ativa pela FAU USP, atua como consultora em políticas públicas, planos diretores de mobilidade e projetos de sistema viário e espaço público para a mobilidade ativa, a pé e por bicicleta. Autora dos livros Pé de Igualdade e A Rede da Mobilidade a Pé.

 

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