Metrô pode parar em cinco capitais

Com corte de verbas, os metrôs de Recife, BH, Maceió, Natal e João Pessoa podem operar só em horário de pico a partir de 5 de março; paralisação total não é descartada

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Fonte: O Estado de S. Paulo  |  Autor: Leonardo Augusto  |  Postado em: 07 de fevereiro de 2018

Metrô de BH e de quatro outras capitais em risco d

Metrô de BH e de quatro outras capitais em risco de parar

créditos: Brasil 247

Os metrôs de Recife, Belo Horizonte, Maceió, João Pessoa e Natal, as cinco capitais brasileiras operadas pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), vão funcionar apenas de segunda a sexta-feira, no horário de pico, se o orçamento de 2018 para o setor não for revisto. 

A informação consta em ata de reunião realizada no último dia 30 e assinada por representantes das cinco praças da estatal. A paralisação total dos trens não foi descartada. Ao todo, cerca de 600 mil pessoas seriam prejudicadas diariamente.

Na reunião, ocorrida no Recife, foi marcada inclusive a data, 5 de março próximo, para que as composições passem a operar com horário reduzido. “Acaso não seja respondido positivamente à recomposição da LOA (lei orçamentária anual), ou ainda suplementação orçamentária para cobertura do déficit pelos ministérios Cidades/Planejamento até o dia 20/2/2018, as superintendências verificam como a alternativa menos danosa a de operar no horário de pico de segunda a sexta-feira a partir de 5/3/2018, sem prejuízo de reestudo e eventual paralisação total do sistema”, diz a ata. 

São considerados horário de pico de 6h às 8h30 e das 16h30 às 19h30.

Corte
O orçamento para os metrôs das cinco praças, que no ano passado foi de aproximadamente R$ 260 milhões, conforme informações retiradas da reunião, foi reduzido para R$ 139,7 milhões no orçamento de 2018. O valor para este ano foi repassado pelo Ministério das Cidades.

Conforme informações da pasta, o montante para o ano foi enviado pelo Poder Executivo ao Poder Legislativo, que aprovou os recursos. Foi informado ainda que, ao menos por enquanto, não há expectativa de alteração no valor.

A ata foi encaminhada pelo presidente interino da CBTU, José Marques de Lima, para o presidente do Conselho de Administração da empresa, Pedro Cunto de Almeida Machado. O texto afirma ainda que “como medida preventiva as superintendências farão notificação das empresas que prestam serviços à CBTU por meio de aviso prévio contratual, para suspensão total/parcial dos contratos, com vistas a atendimento ao corte orçamentário, a partir de 5/2/2018 (segunda-feira)”.

Conforme o presidente do Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais, Romeu José Machado Neto, o que vinha sendo feito antes era contingenciamento de recursos, nunca corte no orçamento. “No contingenciamento o governo segura o dinheiro mas vai liberando ao longo do ano. Agora o que fizeram foi o corte direto no orçamento”, disse. “Isso é para fechar as portas”, acrescentou.

Em nota, a CBTU confirmou que a redução nos recursos para o metrô pode afetar o sistema, mas que não é possível dizer “de que forma isso acontecerá, nem quando”. Segundo a nota da CBTU, houve um corte de 43% no orçamento em relação ao do ano passado.

Manutenção
No caso de Belo Horizonte o valor para que o sistema opere sem problemas é de R$ 100 milhões, conforme cálculos de Machado Neto. Este ano, o total a ser repassado será de R$ 57 milhões: “O impacto será nos contratos para limpeza de vagões, máquinas, estações e, ainda, na compra de peças e manutenção das composições”.

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Comentários

Eduardo A Vasconcellos - 07 de Fevereiro de 2018 às 21:48 Positivo 0 Negativo 0

É uma boa oportunidade para rever o que deve ser feito com sistemas ferroviários urbanos que há décadas transportam uma quantidade muito pequena de passageiros. Precisamos de alternativas de transporte público nestes casos.

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