Nos 50 anos do Metrô de SP, uma visita ao plano de 1906

Primeira proposta, de 1906, privilegiava o centro, e não avançou por causa dos bondes. Depois a Light preparou sua proposta, também arquivada. Veja matéria do Estadão

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Fonte: O Estado de S. Paulo  |  Autor: Bruno Ribeiro / O Estado de S. Paulo  |  Postado em: 24 de abril de 2018

Projeto da Light, dos anos 1920

Projeto da Light, dos anos 1920: metrô sob o Largo S. Bento

créditos: Arquivo Histórico do Estado / Acervo Light

 

Uma rede circular, que daria a volta no que hoje os técnicos de trânsito chamam de “rótula central” - o círculo que sai da Praça da República, passa pelas Avenidas Ipiranga, São Luís, Viadutos Jacareí e 9 de Julho, segue pela Praça João Mendes e volta à República, pela Rua Boa Vista. Se tivesse havido disposição política e recursos, essa seria a “cara” inaugural do metrô de São Paulo. 

 

Mais de 60 anos depois, a Companhia do Metropolitano de São Paulo foi fundada pelo prefeito Faria Lima em 24 de abril de 1968, em plena ditadura militar. Mas a discussão sobre uma rede de transporte subterrâneo na capital paulista vem desde o fim do século 19 , quando Londres, na Inglaterra, era a grande referência. Ainda hoje, metroviários amantes da história da empresa guardam, na memória e em arquivos, as origem da rede. 

 

O primeiro projeto foi idealizado pelo engenheiro Felipe Antônio Gonçalves e finalizado em 1906. “Ele tinha conseguido, com a Câmara Municipal, autorização para explorar o subterrâneo da cidade”, afirma o arquiteto, urbanista e historiador Ayrton Camargo, funcionário do Metrô de São Paulo.

 

Camargo compilou nove traçados estudados por governos e empresas privadas antes de o projeto oficial ser lançado  - o que só ocorreu depois da primeira Pesquisa Origem-Destino da cidade, que identificou as reais demandas de transporte público da capital paulista e que vem sendo realizada a cada década. Atualmente, a empresa está realizando a sexta edição do estudo. O jornal "O Estado de S. Paulo" conseguiu obter os projetos para apresentar a história da empresa. 

 

Primeiro esboço
O plano de Gonçalves circulava toda a capital da época. Era uma cidade de 240 mil pessoas. Mas o projeto esbarrou na Light, uma gigante da época, que distribuía energia, gás, cuidava da rede de bondes e detinha o monopólio do transporte elétrico. Segundo Camargo, com ajuda da Prefeitura, a empresa conseguiu fazer o projeto de Gonçalves não prosperar. 

 


O Plano da Light
Segundo o historiador, a empresa decidiu fazer seu plano como resposta às críticas que os bondes sofriam naqueles anos. O momento da apresentação foi durante a renovação dos contratos de concessão. “A tarifa ficou congelada em 200 réis por um longo período, o que sucateou os bondes”, afirma.  

No caso do plano da Light, foi o contexto político que engavetou a proposta. Camargo lembra as turbulências do período: a Revolução de 1930, a Revolução Constitucionalista de 1932 e o Estado Novo, em um litígio com o governo federal que duraria até 1945, como motivo da não implementação.  

Defensor do transporte de massa, Ayrton Camargo aponta como “vilão” um personagem que entrou para a história como um dos grandes urbanistas da cidade. Francisco Prestes Maia, prefeito indicado para o cargo entre 1938 e 1945, era um ferrenho crítico dos bondes e defensor das rodovias - e dos ônibus. “Ele não gostava dos bondes”, diz Camargo.   

 


A proposta de 1947
Assim, foi só após a sua saída do poder que as discussões ganharam força. Entre os anos de 1940 e 1960, cinco novas propostas foram discutidas na cidade. Uma delas, feita sob encomenda de um escritório francês, propunha uma rede de 40 km e também guardava semelhanças com a rede atual. 

 

 

 


O Metrô de 1968
A decisão de se criar o metrô, entretanto, só foi tomada em 1967, já na ditadura militar. O prefeito (eleito) era o brigadeiro Faria Lima. Ele foi beneficiário de uma reforma tributária que engordou os cofres públicos. No discurso que marcou a criação da empresa, registrado pelo Estado, destacou que o custo de implementação do Metrô consumiria 11 orçamentos anuais da Prefeitura. Mas que, naquele 1968, seria necessário apenas um orçamento - os altos custos terminaram fazendo o governo estadual assumir a empresa. O traçado inicial saiu após a primeira Pesquisa Origem-Destino, de 1967, que apontou os reais deslocamentos na cidade. “A pesquisa é feita até hoje e, com ela, podemos calcular a demanda de cada estação com precisão”, diz o diretor de planejamento e expansão dos transportes metropolitanos do Metrô, Alberto Epifani - ele mesmo um estagiário na época. No primeiro ano de operação comercial, em 1974, a média era de 3 mil passageiros por dia. Hoje, é de 4,5 milhões. 

 

 

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