Paulistano passa, em média, 1 mês e meio por ano preso no trânsito

Pesquisa Sobre Mobilidade Urbana, da Rede Nossa SP, mostra que morador da capital perde 45 dias a cada ano para fazer todos os deslocamentos diários

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Fonte: O Estado de S. Paulo  |  Autor: Juliana Diógenes  |  Postado em: 19 de setembro de 2016

Cresce apoio da população a ações de mobilidade ur

Cresce apoio da população a ações de mobilidade urbana em SP

créditos: Instagram Mobilize

 

O paulistano passa, por ano, o equivalente a um mês e meio parado no trânsito. A média faz parte de um levantamento do Ibope, a pedido da Rede Nossa São Paulo, divulgado nesta segunda-feira (19), na semana do Dia Mundial Sem Carro. A Pesquisa Sobre Mobilidade Urbana mostra que um morador da capital perde 45 dias a cada ano para fazer todos os deslocamentos diários, como ir e voltar do trabalho, ir e voltar do hospital ou da academia, deixar e buscar os filhos na escola.

 

O tempo médio gasto no trânsito por dia para realizar a totalidade dos deslocamentos aumentou 20 minutos entre o ano passado e este. Em 2016, ficou em 2h58 ante 2h38 no resultado anterior. Entre os que usam carro todos ou quase todos os dias, a média ficou em 1h59. Entre os usuários de transporte público, 2h12.

 

Tempo recorde

Já o tempo que o paulistano passa no trânsito para a realização da atividade principal - trabalho ou faculdade, por exemplo - bateu recorde. O número é o mais alto desde 2009, ano em que foi incluída na pesquisa a pergunta sobre tempo de deslocamento. Este ano, o gasto diário é de 2h01, dezessete minutos a mais do que em 2015 (1h44). Entre quem usa automóvel todos ou quase todos os dias, o tempo médio é de 3h06; entre os usuários do transporte público, 3h11.

 

Para Oded Grajew, coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, o aumento no tempo médio diário do paulistano no trânsito se deve à necessidade de grandes deslocamentos entre a casa e o trabalho. "Alguns distritos concentram os empregos de São Paulo. As pessoas saem da periferia, principalmente, para trabalhar em um mesmo local. Elas não passam esse tempo todo no trânsito porque querem, mas porque precisam. Porque, no seu distrito, além de não ter emprego, faltam também equipamentos culturais e esportivos, além de hospitais", afirma.

 

Aprovação às políticas de mobilidade

Entre os destaques apontados pela Rede Nossa São Paulo, estão as faixas e corredores de ônibus, a abertura de ruas e avenidas, as ciclovias, a redução da velocidade e a aplicação de multas para quem invade faixa de pedestres. Dos entrevistados, 92% são favoráveis a mais corredores ou faixas de ônibus na capital, ante 90% no ano passado. Entre os usuários frequentes de carro, a aprovação também é alta: 90%. 

 

Política implementada no ano passado, a abertura de ruas e avenidas aos pedestres - como a Avenida Paulista - é aprovada por 76% dos entrevistados. Em 2015, 64% apoiavam. Também cresceu a aprovação para a construção e ampliação de ciclovias: passou de 59% no ano passado para 68% em 2016. 

 

São favoráveis à aplicação de multa para quem invade faixa de pedestres 88% dos entrevistados; somente entre usuários frequentes de carros, a aprovação é de 93%.

 

Entre as principais conclusões da Pesquisa sobre Mobilidade Urbana estão:

 

- 92% dos entrevistados (ante 90% de 2015) são a favor de mais corredores ou faixas de ônibus. Entre os usuários frequentes de carros, a aprovação é de 90%.

 

- 88% (idem resultado anterior) são favoráveis à aplicação de multa para quem invade a faixa de pedestres. Entre os usuários frequentes de carros, a aprovação é de 93%.

 

- A abertura de ruas e avenidas aos pedestres, como a Paulista, é apoiada por 76% dos entrevistados. No ano passado, 64% disseram ser favoráveis. 

 

- Também cresce a aprovação para a construção e ampliação de ciclovias: passou de 59%, no ano passado, para 68%. neste ano. 

 

- Redução da velocidade máxima:  50% afirmaram ser contra, 47% a favor. No ano passado, 43% eram favoráveis e 53%, contrários. Entre quem nunca utiliza o carro, 54% aprovam a medida. 

 

- No geral, o nível de satisfação com aspectos, áreas e serviços de locomoção em São Paulo melhorou, seguindo uma tendência desde 2008. A maior nota ficou para "quantidade de faixa de pedestres" (5,5). A nota de "transporte público" passou de 4,5 para 5,1; "aplicação das leis do trânsito", de 4 para 4,5;  "tempo gasto para se deslocar da cidade", de 4 para 4,2; e a "situação do trânsito na cidade", de 2,9 para 3,2. 

 

- Poluição: 64% dos entrevistados afirmam que tiveram problemas de saúde (ou alguém da sua casa) relacionados à poluição do ar. No ano passado, eram 62%. 

 

- Tempo: o tempo médio diário para a atividade principal ficou em 2h01. No ano passado, era 1h44. Em 2016, 33% dos paulistanos gastam entre 1 e 2 horas para ir e voltar do trabalho ou escola;  e outros 30%, mais de 2 horas. Entre os que usam carro todos ou quase todos os dias, a média ficou em 1h59. Entre os usuários de transporte público, 2h12.

 

- O tempo médio gasto no trânsito para realizar todos os deslocamentos diários ficou em 2h58. No ano passado, eram 2h38. Entre quem usa carro todos ou quase todos os dias, o tempo médio ficou em 3h06. Entre quem utiliza transporte público, 3h11.

 

- Posse de automóvel: 60% dos entrevistados afirmam ter carro em casa. O resultado vem se mantendo no mesmo patamar desde 2014. Em 2009, eram 50%.

 

- 34% dos entrevistados afirmam utilizar carros todos os dias, mesmo que de carona ou de táxi. No ano passado, eram 32%.

 

- Frequência do uso do automóvel nos últimos 12 meses: 49% dizem que usam o carro com "menor frequência"; 27% afirmam que usam com "frequência igual"; e 22%, com "menor frequência". A pergunta é inédita e, portanto, não há resultados anteriores.  

 

- 51% dos entrevistados "com certeza" deixariam de utilizar o carro se tivessem "melhor alternativa de transporte". No ano passado, eram 52%. 

 

- 21% disseram que já andaram de bicicletas nas ciclovias ou ciclofaixas. 15% se sentem "muito seguros" ou "seguros" nesses locais, e 76%, "nada seguros" ou "pouco seguros". Entre os que já utilizaram as ciclovias ou ciclofaixas, 30% consideram "seguras" ou "muito seguras". E 17% avaliam como "nada seguras". 

 

- Medidas mais importantes para a melhoria da mobilidade: para 45%, "melhorar a qualidade do transporte por metrô"; para 45%, "construir mais linhas de metrô ou ampliar as já existentes"; para 41%, "melhorar a qualidade do transporte por ônibus". 

 

- As faixas de pedestres estão "mais respeitadas" na opinião de 45% dos entrevistados. No ano passado, eram 40% e em 2011, 26%. 

 

Confira aqui todos os resultados da Pesquisa de Mobilidade Urbana em SP. 

 

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