Segundo dados do Anuário NTU 2025-2026, o número de viagens realizadas no transporte coletivo por ônibus caiu 3,7% em 2025 na comparação com o ano anterior. Atualmente, a demanda corresponde a apenas 77,5% do volume registrado em 2019, antes da pandemia. Paralelamente, o país registrou venda recorde de 2,2 milhões de motocicletas no último ano, um crescimento de 17,1%, superando pela primeira vez o licenciamento de automóveis de passeio e agravando os congestionamentos, os acidentes de trânsito e a emissão de poluentes nas cidades.
Como resposta a este cenário, a NTU apresenta o Programa Transporte para Todos, iniciativa que propõe uma nova arquitetura de financiamento permanente para o transporte coletivo no país, estruturada para garantir a modicidade tarifária, a melhoria dos serviços e a ampliação do acesso à população de baixa renda, sem a criação de novos impostos e sem gerar desequilíbrio fiscal. O Programa organiza o custeio do sistema gradualmente entre os beneficiários diretos e indiretos do transporte público, distribuindo a responsabilidade em três pilares fundamentais de financiamento — o novo Vale-Transporte do Trabalhador, o Financiamento das Gratuidades e o ValeTransporte Social.
O Anuário também registra avanços, como a sanção, em junho de 2026, do Marco Legal do Transporte Público Coletivo Urbano. A Lei nº 15.432/2026 - apesar dos vetos a mecanismos de sustentabilidade financeira, como a destinação de percentual da Cide-Combustíveis para as áreas urbanas e o custeio obrigatório das gratuidades sociais - consagra a separação entre o custo real da operação e a tarifa pública paga pelo usuário e preserva princípios estruturantes de segurança jurídica e modernização dos serviços em mais de 2.700 municípios.