Tarifa zero ou racionamento? Países reagem à alta do petróleo

Enquanto alguns governos optam por subir preços, Austrália dá o exemplo e torna o transporte público gratuito para conter uso do carro e consumo individual de gasolina

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Fonte: Mobilize Brasil/ BBC  |  Autor: Mobilize Brasil  |  Postado em: 01 de abril de 2026

Transporte gratuito na cidade de Hobart, na Austrá

Transporte gratuito na cidade de Hobart, na Austrália

créditos: Governo da Tasmânia

Governos do mundo estão buscando caminhos para driblar a crise de abastecimento de petróleo causada pelo conflito no Irã. As medidas adotadas vão do racionamento ou alta no preço do combustível a soluções mais sustentáveis, como transporte gratuito e incentivo à bicicleta. 

 

Em todos os casos, o objetivo é minimizar os efeitos da elevação nos preços globais do petróleo, que já é sentido nos diversos cantos do planeta em razão da prolongada guerra encetada pelos Estados Unidos no Oriente Médio e o fechamento, pelo Irã, do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás natural mundial.    

 

Nenhum governo ou especialista em política sabe avaliar quanto tempo esse cenário irá durar e a extensão de seus impactos sobre a vida urbana. Por isso, governos correm para implementar medidas que, às vezes opostas, buscam proteger consumidores e as economias. É o que mostra a BBC em reportagem sobre as reações nos diversos países. 

 

Tarifa Zero

Caso emblemático de aposta na mobilidade sustentável é a Austrália, na Oceania. Na contramão da dependência dos combustíveis fósseis, os estados de Victoria (onde fica a populosa cidade de Melbourne) e Tasmânia decidiram oferecer transporte público gratuito à população por um período determinado.

 

A aposta é que, ao estimular o uso dos coletivos, será possível reduzir nas ruas a quantidade de veículos particulares e assim economizar a escassa gasolina. Em Victoria, a gratuidade deve durar por volta de um mês; na Tasmânia, esse período vai até julho, e vale para ônibus e balsas do transporte coletivo. 

 

Já no Sudeste Asiático, o Vietnã apostou em políticas para a mobilidade ativa, e adotou medidas para incentivar os cidadãos a usar bicicletas, além do transporte público e compartilhamento de carros. Também os impostos sobre a gasolina e o diesel foram suspensos temporariamente. 

 

Ainda no continente asiático, Mianmar estabeleceu dias alternados para a circulação de veículos particulares, e o racionamento monitorado de combustível. E as Filipinas decretaram estado de emergência nacional, com redução dos serviços de balsa e subsídio do governo a motoristas de transporte, que estão sendo duramente afetados pela crise. 

 

A crise energética se estende inclusive para o norte da África. O governo do Egito não quis adotar incentivos para tentar frear os problemas, e partiu logo para o aumento dos preços do combustível e, o que é pior, das tarifas de transporte público. 

 

E aqui?

No Brasil, até o momento o governo vem tentando conter o aumento nas bombas com medidas como subsídios ao diesel e redução de tributos federais sobre combustíveis. Por outro lado, Congresso e governo andam devagar na adoção de medidas que permitam diminuir nossa dependência do combustível fóssil. Também falhamos ao não adotar a tempo medidas que de fato priorizem o transporte público e os modos ativos. Já há relatos, por exemplo, de dificuldades enfrentadas por municípios gaúchos para a compra de combustível, além de problemas de abastecimento. 

 

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