São Paulo poderá ter 'pocket parks'

Os 'miniparques', existentes há 40 anos nos EUA, poderão ser aprovados no Plano Diretor. Modelo permite transformar pequenos terrenos em áreas públicas de convivência

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Fonte: O Estado de S. Paulo  |  Autor: Regina Rocha / Mobilize Brasil  |  Postado em: 07 de abril de 2014

Miniparque da rua Amauri: local de descanso e cont

Miniparque da Amauri: local de descanso e contemplação

créditos: Isay Weinfeld/ Divulgação

 

Há décadas construídos nos Estados Unidos, os "pocket parks" podem chegar finalmente a São Paulo. Só depende de se serem aprovados pelo novo Plano Diretor, onde estão previstos. A proposta é simples: com base em um projeto de arquitetura paisagística, pequenos espaços, como terrenos baldios e sobras de lotes, transformam-se em 'miniparques', com bancos, mesas e pequenas áreas verdes.

 

O objetivo é que áreas pouco aproveitáveis para a construção civil, pela pequena metragem, e que existem em toda a cidade, são potencialmente locais possíveis de se transformar em espaços de convivência, descanso ou lazer da população.  

 

Válida para áreas públicas ou privadas, a fórmula dos "pocket parks", se aprovada, poderá ser aplicada em qualquer região da cidade, informa a reportagem de hoje (7) do Estadão, de Adriana Ferraz.

 

O diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, Valter Caldana, entrevistado pela reportagem, esclareceu o conceito dos miniparques: "Pode ser feito em terrenos de 300 metros quadrados ou mais de 1 mil. O que importa não é o tamanho, mas sua capacidade de convidar as pessoas, seja para uma atividade esportiva ou mesmo de leitura", disse o urbanista. 

 

Segundo Caldana, a capital paulista tem um enorme potencial para desenvolver miniparques. A própria Lei de Parcelamento do Solo, que exige do empreender a doação de parte do terreno para a Prefeitura criar espaços verdes, pode servir de base para disseminar a ideia. Estes espaços podem ser instalados, por exemplo, entre duas construções, no meio de um quarteirão, explicou. Mas destacou também que, para funcionarem, estes pequenos parques, ou parques de vizinhança como são chamados, exigem atenção à manutenção. 

 

Em São Paulo, embora raros, estes espaços, menores que uma praça, já existem em dois pontos da capital: na Alameda Ministro Rocha de Azevedo e na Rua Amauri, ambas na zona sul.  O espaço da rua Amauri, foi projetado em 2002 pelo arquiteto Isay Weinfeld, a pedido do proprietário do terreno e de outros pontos comerciais na rua, como uma forma de valorizar a área da cidade. O espaço é usado desde então por moradores ou para quem trabalha na região.

 

Para o relator do novo Plano Diretor, o vereador Nabil Bonduki (PT), os miniparques seguem a mesma linha de outra ideia voltada à fruição pública, que é a abertura dos pavimentos térreos de prédios comerciais ou residenciais para melhor circulação do pedestre, como já é, por exemplo, o Conjunto Nacional, na Paulista. Com abertura para quatro ruas, oferece mais opções de mobilidade a quem anda a pé pela cidade.

 

Pouca compensação

Para a arquiteta Lucila Lacreta, diretora do Movimento Defenda São Paulo, a iniciativa merece ser apoiada, mas somente ela não basta como contrapartida ao adensamento populacional projetado pela gestão de Fernando Haddad (PT), alertou: "O plano prevê uma verticalização sem limites nos chamados eixos de transporte. Diante disso, 'pocket parks' são medidas pequenas de compensação. Precisamos discutir melhor esse plano para acharmos um equilíbrio mais saudável para São Paulo."

 

O projeto de lei que reorganiza a cidade já está tramitando na Câmara Municipal e deve ser votado pelos vereadores, em definitivo, até o fim de maio. 

 

Veja aqui outros exemplos de pocket parks.

 

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