Bicicletas sem estações chegam a São Paulo

Empresa Yellow aguarda autorização da prefeitura para iniciar operação na capital paulista. Sistema "dockless" oferece vantagens ao usuário

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Fonte: Folha de S.Paulo  |  Autor: Folha de S. Paulo / Mobilize  |  Postado em: 02 de abril de 2018

Bicicleta da Yellow: semelhanças com a chinesa Ofo

Bicicleta da Yellow: semelhanças com a chinesa Ofo

créditos: Divulgação

O que era esperado está chegando. Uma empresa quer implantar um sistema de bicicletas compartilhadas sem estações (dockless) na cidade de São Paulo. O anúncio foi feito hoje (2) pelo jornal Folha de S.Paulo, que cita informações da empresa Yellow, "fundada por ex-executivos da Caloi e da 99 Táxis".

 

A ideia é que as bicicletas sejam usadas em trechos curtos, de 1 km a 2 km, para complementar o transporte público, como integração entre a casa do usuário e a parada de ônibus ou a estação de metrô. Por isso, o sistema vai começar com mais força pelo centro expandido, em saídas de estações de trem e metrô. Mas a ideia é também alcançar as periferias da cidade, informa o texto da Folha de S. Paulo.

 

"Carros farão a redistribuição das bicicletas no começo, mas com o tempo o sistema se balanceará sozinho", explica Eduardo Musa, ex-dono da Caloi, hoje à frente da Yellow. Os usuários pagarão pelo uso das bikes e embora ainda não haja um preço definido, Musa avalia que deve ser bem mais em conta do que a tarifa do transporte público.

 

Haverá ainda um sistema de preço dinâmico, que fica mais caro ou barato de acordo com a demanda, como acontece na Uber. O pagamento poderá ser feito por cartão bancário, Bilhete Único e até pela fatura do celular do usuário, informa o texto divulgado. A companhia está em processo de cadastro com a prefeitura paulistana e a expectativa é de que consiga a autorização ainda nesta semana.

 

Na reinauguração do sistema Bike Sampa, o prefeito Doria disse que sua gestão aceitaria cadastrar empresas que oferecem o serviço com ou sem estações, num esquema também similar ao da Uber: sem licitação nem exclusividade, desde que a companhia siga regras determinadas, como compartilhar informações sobre deslocamentos com o poder público e aceitar pagamento com o Bilhete Único.

 

A empresa apostará na "gamificação" (uso da lógica de jogos) para premiar usuários que deixarem as bikes em locais predefinidos pela empresa —onde há espaço suficiente para não atrapalhar os pedestres, como em praças.


Vandalismo

Outros desafios são os roubos e depredações. Com base na experiência de empresas chinesas, que tiveram boa parte de suas frotas vandalizadas ou furtadas, a Yellow tem alguns diferenciais: os quadros são de aço (mais baratos e mais resistentes), e o pneu é maciço, sem câmara de ar, o que reduz o custo com manutenção, já que ele não fura. Para isso, a Yellow acredita em três fatores. Primeiro, que a alta quantidade de bicicletas nas ruas vai coibir os crimes. "Os índices de roubos são maiores onde não há essa escala. Com poucas bicicletas na rua, perdidas, há a sensação de que elas não têm dono. Além disso, a bicicleta foi desenvolvida com características específicas para nosso país. O fato de não ter marchas, por exemplo, reduz o interesse de ladrões de peças. Há também um pneu especial, que não encaixa em outros veículos. O selim tem ainda travas que dificultam sua retirada. Por fim, todas terão monitoramento por GPS", diz Musa.

 

Em fevereiro passado, a empresa Gobbe, de bicicletas sem estações, encerrou seu projeto na Europa após destruição de sua frota em Paris. No ano passado, a chinesa Wukong Bikes faliu após ter 90% de suas bicicletas furtadas. A companhia chinesa Ofo, uma das maiores do setor, possui uma frota de mais de 10 milhões de bikes.


Ouça uma entrevista com Eduardo Musa realizada dia 4 de abril, na Rádio Trânsito:

 

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