Pé de Igualdade

01
December
Publicado por admin no dia 01 de December de 2015

Há eventos que se destacam na vida das pessoas e das cidades porque provocam mudanças no cotidiano, na forma de pensar e de agir, deixando sua marca ao longo do tempo. Na semana passada, entre 25 a 28 de novembro, o Seminário Internacional Cidades a Pé, realizado no Centro Cultural Tomie Othake por iniciativa da Comissão Técnica de Mobilidade a Pé e Acessibilidade da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos), com o patrocínio do Banco Mundial e do GEF (Global Environment Facility), foi um desses momentos.

 

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Mensagem direta na entrada do evento – Créditos: Mova-se

Foi um seminário dedicado a apresentar e discutir a mobilidade a pé nas cidades brasileiras e no mundo; o primeiro totalmente direcionado a este assunto a ser realizado no Brasil. Seu próprio formato já era singular ao intercalar oficinas dirigidas ao corpo técnico do poder público e privado com mesas de debates formadas por especialistas internacionais e apresentações de iniciativas da sociedade civil, estas últimas denominadas simpaticamente de “Ponta Pés”.

 

Tanto os especialistas que participaram das oficinas e debates assim como as entidades da sociedade civil e organizações especializadas, dentre elas o Portal Mobilize (Marcos Sousa, editor do portal mediou uma das mesas), foram convidados por ter em comum seu trabalho focado no entendimento da Mobilidade a Pé como prioritária e essencial para a vitalidade dos centros urbanos e da qualidade de vida das pessoas que neles residem. Também foi consenso a forma negligente como é tratada a caminhada na maioria das cidades brasileiras e a urgente necessidade de reversão do quadro de descaso em que se encontram os espaços públicos a ela destinados.

 

Oficina de abertura do seminário: Mobilidade a pé e sua infraestrutura - Créditos: Mova-se

Oficina de abertura do seminário: Mobilidade a pé e sua infraestrutura – Créditos: Mova-se

 

Outro ponto muito destacado foi necessidade de mobilização da sociedade para pressionar e exigir do poder público melhores condições de infraestrutura de caminhada cotidiana, através de iniciativas como associações civis de ativismo à semelhança dos movimentos cicloativistas que já estão conseguindo suas redes cicloviárias em muitas cidades brasileiras. E por falar em cicloativistas, uma figura emblemática que atua na cidade do México, o Peatónito (um cicloativista que por lá ajuda os pedestres a atravessar as ruas e clama pelos seus direitos), participou de uma das mesas e inspirou outro jovem daqui a se tornar um super herói paulistano para proteger os pedestres: o Super Ando. O encontro dos dois foi um dos melhores momentos do seminário.

 

Confraternização entre heróis dos pedestres: Peatónito e Super Ando

Confraternização entre heróis dos pedestres: Peatónito e Super Ando – Créditos: Meli Malatesta

 

O evento foi encerrado num sábado de sol com a apropriação da Praça Ouvidor Pacheco e Silva, na Área Central da cidade, com várias atividades cidadãs, lúdicas e musicais, abertas ao público e dirigidas a todas as idades, dentro do espírito que predominou no “Cidades a Pé”. O material produzido nesta semana e replicado em todos os canais de mídia e redes sociais certamente está gravado no imaginário e na lembrança das pessoas que dele participaram diretamente ou que foram atingidas pelas notícias e posts na internet. Mas o mais valioso disso são os ecos que continuarão repercutindo pela valorização da Mobilidade a Pé.

Ocupação do espaço público com atividades lúdicas no último dia do seminário - Créditos: Mova-se

Ocupação do espaço público com atividades lúdicas no último dia do seminário – Créditos: Mova-se

 

Realmente a cidade não é mais a mesma.



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Pe-de-igualdade Meli Malatesta (Maria Ermelina Brosch Malatesta), arquiteta e urbanista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com mestrado e doutorado pela FAU USP. Com 35 anos de serviços prestados à CET – Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo, sua atividade profissional foi totalmente dedicada à mobilidade não motorizada, a pé e de bicicleta. Atualmente, ministra palestras e cursos de especialização em Mobilidade Não Motorizada além de atuar como consultora em políticas, planos e projetos voltados a pedestres e ciclistas.
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