O metrô de São Paulo chegará mesmo até Cotia?

Licitação para anteprojeto da Linha 22-Marrom do metrô de SP é um passo, não uma garantia ainda, avalia o Plamurb. Ideia agora é que a linha termine na Estação Sumaré

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Fonte: Plamurb  |  Autor: Thiago Silva/ Plamurb  |  Postado em: 08 de setembro de 2022

Estação Sumaré, ponto final da futura Linha 22-Mar

Estação Sumaré, ponto final da futura Linha 22-Marrom

créditos: Rovena Rosa/ Agência Brasil


Você já sabe: projetos, planos e propostas pipocam em períodos eleitorais. Surgem ciclovias entre cidades, trens rápidos e novas linhas de metrô. Passadas as eleições, tudo volta para a gaveta do esquecimento.
Na semana passada, o governo paulista lançou a licitação de uma nova linha de metrô, até a cidade de Cotia, na Região Metropolitana de São Paulo. A proposta é antiga, como lembra Thiago Silva, do site Plamurb. Mas, fica aqui o registro que ele fez e nos repassou...

 

Como muitos puderam acompanhar nos últimos dias, a Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô), acaba de lançar licitação para o anteprojeto para a Linha 22-Marrom, ramal que vai ligar São Paulo a Cotia, passando próximo ao eixo da Rodovia Raposo Tavares, entre outras vias importantes.

 

Não se trata de uma linha nova. O ramal já foi apresentado em outras oportunidades, sendo, inclusive, estudada a possibilidade de ser operado por monotrilho, chegando a ser conhecido como “monotrilho de Cotia”. De lá para cá, houve algumas alterações, como o traçado, localização das estações e até a tecnologia modal. Mais do que isso, a linha terá uma grande importância já que permitirá uma ligação rápida por um trecho que diariamente vive congestionado, como é o caso da Rodovia Raposo Tavares.

 

Mapa esquemático da Linha 22-Marrom. Foto: Metrô-SP

 

Antes prevista para ter seu terminal central na região de Pinheiros, agora a ideia é que a linha termine na Estação Sumaré, permitindo conexão direta com a Linha 2-Verde. Segundo o Termo de Referência (TR) divulgado pelo Metrô, quando completa, a linha possuirá 30 km de extensão e 19 estações. Além da Linha 2-Verde, o novo ramal possibilitará conexões com as linhas 20-Rosa, 4-Amarela, 9-Esmeralda e Arco Oeste-Sul. A demanda estimada é de cerca de 650 mil pessoas.

 

Por se tratar de uma linha radial onde os empregos, em sua maioria, estão situados na região de Pinheiros, enquanto as moradias, no sentido oeste, o ramal terá um forte carregamento pendular, ou seja, um grande fluxo de pessoas em um sentido nos horários de pico, enquanto que no outro lado, composições mais vazias. No sentido mais carregado, o carregamento máximo será de 36 mil passageiros por hora e, no sentido menos carregado, é de cerca de 13 mil passageiros por hora.

 

Segundo o Metrô, a maior parte da demanda desta linha concentra-se no trecho entre região de Granja Viana e o distrito de Pinheiros, razão pela qual, nesta etapa de projeto, ter sido indicada como Fase I de implantação. A Fase II, entre o centro de Cotia e região de Granja Viana, terá seu modo consolidado dentro do escopo deste contrato. Haverá também a validação e consolidação de aspectos tecnológicos inovadores no âmbito deste contrato. As estações da Fase II estarão ainda sujeitas consolidação modal e tecnológica para viabilizar seu posicionamento.

 

Isso pode significar que o trecho da Fase II possa ser viabilizado com outro modo, o que para nós, é meio preocupante, visto que qualquer situação já é motivo para trocar por um BRT da vida, como tem ocorrido ultimamente em alguns casos, mas essa é uma análise bem preliminar nossa e esperamos que não se concretize.

 

Lembrando que esse faseamento é algo muito comum em obras desse tipo, uma vez que, por sua grande extensão, é quase impossível inaugurar a linha toda de uma vez. Sendo assim, inaugura-se um trecho prioritário, aqui no caso a Fase I, permitindo o início de operação da linha, sendo que posteriormente, conclui-se a fase seguinte.

 

Alterações do traçado

Muito comum à medida que os estudos avancem, o traçado da Linha 22-Marrom sofreu alterações com relação ao anterior.

 

Como já citado anteriormente, agora a ideia é que o ponto terminal leste da linha seja na estação Sumaré da Linha 2-Verde. Antes, terminaria na futura estação Rebouças da Linha 20-Rosa. Agora a conexão com esta linha se dará na futura parada Teodoro Sampaio.

 

Na Linha 4-Amarela, a conexão se dará na estação Faria Lima; antes estava prevista na estação Butantã. Um detalhe curioso é que a Linha 22 cruzará com a linha administrada pela ViaQuatro novamente, mas sem conexão. E na Linha 9-Esmeralda se manteve a conexão com a estação Hebraica-Rebouças.

 

A maior diferença entre o projeto antigo é que, agora, a Linha 22-Marrom, após conexão com a Linha 9, seguirá mais ao norte passando por dentro da Cidade Universitária atendendo a Universidade de São Paulo (USP), uma reinvindicação antiga. Em seguida, haverá duas estações nos limites da cidade de Osasco.

 

A partir da futura estação Monte Belo, o traçado segue sem grandes alterações com relação ao projeto antigo, a não ser pela localização das estações e suas denominações.

 

Prazo para início das obras?

Essa é a pergunta que muitos fazem, mas é difícil responder, até mesmo para o Metrô. De acordo com o TR, o prazo de conclusão desse trabalho será de 35 meses a partir da assinatura do contrato, o que daria uma previsão de entrega lá pelo ano de 2026, caso não ocorra nenhum atraso. Depois disso, haverá uma análise do Metrô.

 

Caso a estatal esteja de acordo, a linha poderia ter suas obras iniciadas ainda no final dessa década. Ou seja, no melhor dos cenários, o primeiro trecho da linha teria não seria concluído antes de 2032 por exemplo.

 

Mas é preciso deixar claro que existem muitas variáveis. Ainda não sabe o modelo de construção e operação da linha, a prioridade de implantação e até mesmo o fator político pode pesar, já que poderá depender do governador de ocasião.

 

Ilustração comparando o traçado atual com uma das versões antigas. Fotomontagem: Thiago Silva

 

Leia o artigo completo no site Plamurb


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