Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, olhar para as propostas sobre clima, mobilidade urbana e redução das desigualdades é também refletir sobre o país e as cidades que queremos para o futuro.
Neste domingo, 25 de outubro, os brasileiros voltam às urnas para escolher a próxima Presidência da República. Em meio às decisões que definem os rumos do país, a agenda climática merece atenção especial. Afinal, as escolhas feitas agora influenciam as políticas públicas, os investimentos e as ações que podem tornar nossas cidades mais verdes, seguras e menos desiguais.
No Instituto Aromeiazero, acreditamos na bicicleta como uma ferramenta de transformação social. Há 15 anos, desenvolvemos iniciativas que usam a bicicleta para criar cidades mais verdes e menos desiguais. Por isso, falar sobre clima também é falar sobre mobilidade, acesso à cidade e qualidade de vida.
A emergência climática já faz parte do nosso cotidiano. Está nas ondas de calor que tornam os deslocamentos mais difíceis, nas chuvas intensas que provocam alagamentos e nas ruas sem árvores, onde faltam sombra e espaços agradáveis para caminhar ou pedalar.
Esses impactos não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Nas periferias e nos territórios com menos infraestrutura e áreas verdes, os desafios ambientais se somam a desigualdades que já fazem parte da rotina da população.
Enfrentar esse cenário exige políticas públicas que conectem a agenda ambiental às necessidades reais das pessoas. Ampliar a arborização, melhorar as calçadas, conectar ciclovias, fortalecer o transporte público e garantir espaços públicos seguros e acessíveis são medidas que contribuem para a qualidade de vida e ajudam a preparar as cidades para os efeitos das mudanças climáticas. Essas transformações dependem de planejamento, investimento e articulação entre os governos federal, estaduais e municipais.
Bicicleta: ponto de partida para criar oportunidades e fortalecer comunidades Foto: Divulgação
A bicicleta também faz parte dessa mudança. Além de não emitir poluentes durante o uso, ocupa menos espaço nas ruas e pode ampliar o acesso ao trabalho, à educação, à cultura e ao lazer. Mas, para que pedalar seja uma possibilidade real para mais pessoas, não basta incentivar escolhas individuais. É preciso investir em infraestrutura segura, conectar ciclovias, oferecer locais adequados para estacionar e facilitar a integração com o transporte público.
Também com a bicicleta pode-se gerar trabalho e renda, fortalecer iniciativas locais e aproximar as pessoas dos territórios onde vivem.
Quando acompanhada de políticas públicas que considerem as diferentes realidades da população, contribui para uma mobilidade mais democrática e para cidades menos desiguais. É essa visão que orienta o nosso trabalho: usar a bicicleta como ponto de partida para criar oportunidades, fortalecer comunidades e promover mudanças positivas na vida das pessoas.
Propostas
Com o segundo turno chegando, este é o momento de olhar com atenção para as propostas das candidaturas à Presidência e entender como pretendem enfrentar os desafios climáticos e urbanos do Brasil. Quais compromissos apresentam para a proteção ambiental e a redução das emissões de gases de efeito estufa? Como pretendem preparar o país para eventos climáticos extremos? Há propostas para fortalecer a mobilidade ativa, ampliar o acesso ao transporte público e apoiar iniciativas que promovam inclusão social e geração de renda?
Também vale observar como essas propostas poderão sair do papel, considerando os investimentos previstos, as políticas públicas e os mecanismos de acompanhamento. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) disponibiliza os planos de governo das candidaturas que disputam o segundo turno, permitindo que cada eleitor conheça os compromissos apresentados e faça suas próprias avaliações.
A escolha de quem vai presidir o país é importante, mas a construção de cidades mais sustentáveis também depende da atuação dos governos estaduais e municipais e da participação da sociedade. Acompanhar as decisões públicas, cobrar compromissos e participar das discussões sobre os territórios são formas de contribuir para que as mudanças aconteçam para além do período eleitoral.
Acreditamos que cidades mais verdes, inclusivas e menos desiguais são construídas quando as pessoas têm acesso a oportunidades e participam das decisões que afetam suas vidas. Por isso, nosso convite, nesta reta final das eleições, é conhecer as propostas, buscar informações e refletir sobre como as escolhas feitas nas urnas podem influenciar o presente e o futuro.
Neste domingo, vote pensando também no clima, na mobilidade e nas cidades que queremos deixar para as próximas gerações. O futuro se constrói com participação, escolhas conscientes e compromisso coletivo.
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