"Quando é que os políticos andarão de ônibus, de metrô?"

Governantes que usam o transporte público têm mais chances de entender o mundo real, fora dos palácios e carros oficiais. Leia o editorial da Newsletter 222 do Mobilize

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Marcos de Sousa  |  Postado em: 18 de maio de 2017

David Cameron no metrô de Londres, em 2015

David Cameron: passageiro comum no metrô de Londres:

créditos: Agência Reuters


Em 2015 circulou pelas redes sociais do mundo inteiro uma foto do então primeiro-ministro britânico, David Cameron, em pé no metrô de Londres, calmamente lendo um jornal. No mesmo ano, Cameron foi fotografado viajando com a família na classe econômica em um avião que seguia da capital britânica para Portugal. Também em Londres, o ex-prefeito Boris Johnson costumava ir ao trabalho e deslocar-se pela cidade usando uma prosaica bicicleta speed ou uma bike pública. 


Boris Johnson, ex-prefeito de Londres, circula pela cidade com sua bicicleta Foto: Agência PA

 

Ano passado, em Brasília, durante seminário nacional das empresas de transportes, o arquiteto e ativista Nazareno Affonso arrancou aplausos da plateia ao questionar:  - Quando é que os empresários de ônibus e as autoridades públicas passarão a andar de ônibus, de metrô...? A provocação de Nazareno está até hoje sem resposta. 

 

Os fatos divulgados ontem, em Brasília, depois de dois anos de revelações envolvendo todos os grandes partidos políticos do país, confirmam a velha impressão de que políticos, juízes e outros funcionários públicos ainda se sentem superiores ao cidadão comum, esse que paga seus altos salários. Eles nunca são vistos na fila do ônibus, do supermercado, ou mesmo na sala de embarque dos aeroportos. Pensam fazer parte de uma casta superior, intocável, inalcançável. Ontem mesmo, o jornalista Alexandre Pelegi, da ANTP, publicou uma perguntinha simples nas redes sociais, depois que a câmara paulistana anunciou medidas para reduzir os gastos com os carros oficiais: - Por que não oferecer um bilhete único aos vereadores? 

 

Se os fatos recentes na Capital Federal dificultam nossa concentração, temos que tocar a vida e pensar em um novo projeto político e econômico para o país. A propósito, hoje foi divulgada uma pesquisa Ipsos sobre o descontrole ambiental no planeta, que ouviu mais de 18 mil pessoas, em 23 países. Resultado: cerca de 78% dos entrevistados acreditam que o mundo caminha para um desastre ambiental; no Brasil, 80% das pessoas apostam no desastre. Não o desastre político, mas...

 

O que fazer? Em nosso campo de trabalho, o da mobilidade urbana, algumas iniciativas, no Brasil e no mundo, apontam soluções sustentáveis a longo prazo e que merecem ser estudadas e talvez multiplicadas. Exemplos: o ônibus elétrico "fotovoltaico" de Santa Catarina, o Cyclobus, ônibus escolar a pedal da França,  a grande rede de teleféricos em construção na cidade de La Paz, Bolívia, ou o projeto da "superquadra"  em Campo Novo do Parecis (MT), um novo espaço que será exclusivo para a pedestres e ciclistas. São ideias inovadoras, instigantes, que nos fazem vislumbrar outras formas de usar os escassos recursos da Terra e de compartilhar espaços com as pessoas, de todas as cores e extratos sociais.

 

Compartilhar parece ser a palavra-chave deste momento. Aprende-se muito sobre a vida real em uma viagem de ônibus, numa estação de metrô ou simplesmente caminhando na cidade. Seria uma universidade para Suas Excelências. 

 

Marcos de Sousa
Editor do Mobilize Brasil


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