São Paulo está na mira da chinesa Mobike, de bicicletas compartilhadas

Empresa pretende iniciar operação em São Paulo em junho próximo. Meta é chegar a 100 mil bicicletas e produzi-las no Brasil

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Fonte: Valor Econômico  |  Autor: João Oliveira/Valor Econômico  |  Postado em: 09 de abril de 2018

Bicicleta da Mobike em Guangzhou, China

Bicicleta da Mobike em Guangzhou, China

créditos: Foto: Nissangeniss

A chinesa Mobike, maior empresa de compartilhamento de bicicletas do mundo, vai começar a operar na cidade de São Paulo em junho. No começo da operação no país, as bicicletas serão trazidas da China. O plano é passar a fabricar no Brasil, quando a operação ganhar escala, declarou o vice-presidente de expansão internacional da Mobike, Chris Martin, em entrevista ao jornal Valor Econômico".

 

Martin explicou que o objetivo  da Mobike não é substituir o transporte público, mas ser um complemento, ligando pontos entre uma estação de metrô e o endereço de trabalho ou escola, ou entre um ponto de ônibus e a residência, percursos com até 4 km. "Nesse contexto, São Paulo tem potencial para ser nosso maior mercado fora da China", disse Martin, que esteve na semana passada em São Paulo.

 

A Mobike vai começar a operar em São Paulo com duas mil bicicletas, mas o plano é crescer rapidamente. "Queremos chegar a 100 mil bicicletas. Com esse número, acreditamos que teremos uma movimentação da ordem de dois milhões de trajetos por dia. Quando chegarmos a isso, poderemos produzir as bicicletas no Brasil. Já estamos estudando isso", disse Martin.

 

Crescimento frenético
A trajetória da Mobike tem sido frenética. Criada em janeiro de 2015 por Hu Weiwei, uma jornalista, e Xia Yiping, chefe de uma fornecedora de tecnologia do setor automotivo, a companhia já dominava as ruas de Xangai antes do fim de 2016 com quase dois milhões de bicicletas.


Em junho de 2017, o negócio recebeu US$ 600 milhões em rodada de investimento liderada pela Tencent, maior portal de serviços de internet da China. A Mobike usou os recursos para expandir o negócio para 130 cidades na Ásia, Oceania, Europa e Américas. E na última terça-feira, a Meituan, site chinês de varejo on-line que fatura US$ 6 bilhões por ano, assumiu o controle da Mobike, avaliando o negócio em US$ 3,4 bilhões.

 

Hoje, a Mobike opera 9 milhões de bicicletas em mais de 200 cidades de 18 países - o Brasil será o 19º a partir de junho - que fazem 25 milhões de percursos todos os dias. Além da China, opera em Cingapura, Reino Unido, Alemanha, México e Chile, entre outros. As "bikes", equipadas com GPS, estão conectadas a um aplicativo que pode ser usado em qualquer dos mercados em que a empresa atua.

 

À prova de roubos e vandalismo"
A gente desenvolveu uma plataforma de tecnologia com cadeado inteligente e posicionamento por GPS conectado em todo o mundo", diz Martin. "Nossas bicicletas são únicas, fabricadas por nós. Nenhuma peça é permutável com outros modelos de outros fabricantes. E todo nosso sistema de cabos e chips, que conectam a 'bike' à nossa plataforma, são internos, ficam dentro das peças". Segundo ele, tecnologia e produto único são a receita da Mobike para enfrentar os dois maiores desafios que o compartilhamento de bicicletas tem: roubos e vandalismo.

 

Na China, cidades como Pequim e Xangai têm áreas públicas ocupadas por milhares de bicicletas abandonadas. Um concorrente da Mobike, a Wukong Bikes, decretou falência em junho passado depois que teve mais de 90% de suas bicicletas roubadas ou destruídas.

 

Na Mobike, o processo de liberação das bicicletas só é feito via aplicativo, usando-se código QR. O GPS instalado na "bike" faz a localização para recolhimento posterior - o sistema funciona sem a necessidade de estações para devoluções. "Há uma logística da empresa para recolher as bicicletas e distribuí-las de acordo com a demanda local", diz Martin.

 

Essa tecnologia tem um preço. As bicicletas da Mobike custam na China mais que as de suas duas principais concorrentes, a Ofo e a Hellobike, em média 50% mais. E mesmo assim, a corrida custa em média o equivalente a R$ 0,60. No Brasil, a empresa ainda não definiu o preço, mas disse que vai ser inferior à metade de um trajeto de metrô ou ônibus, hoje de R$ 4.

 

A Mobike vai começar a operação em São Paulo em junho com cerca de duas mil bicicletas. "O ritmo de crescimento depende da demanda. Se precisar ter dez mil bicicletas em um mês temos disponibilidade", disse Martin. "O investimento que recebemos [na semana passada] nos deu mais poder para explorar as oportunidade de negócios e enfrentar a competição", afirmou. Martin disse que a empresa já estuda levar essa operação para outras grandes cidades do país, como Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte.

 

Em São Paulo, a Mobike vai ter entre as concorrentes a Yellow, lançada pelos empresários Eduardo Musa, ex-presidente da Caloi, e Ariel Lambrecht e Renato Freitas, fundadores do aplicativo de táxi 99. O plano da Yellow é oferecer, a partir de julho, 20 mil bicicletas. No longo prazo, a meta é atingir 100 mil unidades. A operação também usa bicicletas, que são equipadas com GPS e liberadas para uso por meio de aplicativo.

 

Mobike e Yellow são duas das quatro empresas - as outras são a Settel e a Trunfo - que vão integrar o novo sistema de compartilhamento de bicicletas na capital paulista, uma plataforma lançada pela prefeitura na sexta-feira, que tem a meta de atingir 80 mil "bikes". Os modelos e os preços das corridas ainda serão definidos pelos operadores.

 

O programa da prefeitura paulistana permite que as empresas de compartilhamento de bicicleta forneçam o serviço sem ter estações de estacionamento. Mas haverá lugares que poderão ser usados para áreas de estacionamento delimitadas, ou regras para os casos em que as "bikes" forem estacionadas em lugares públicos, como praças. Os operadores também terão que aceitar como forma de pagamento cartões bancários e o bilhete único da cidade.

Segundo Martin, haverá sistema de pontuação no aplicativo. Bons usuários poderão ganhar descontos, enquanto condutas inadequadas - como largar a bicicleta no meio da calçada atrapalhando ou na rua afetando o trânsito - serão punidas com avisos, multas e até bloqueio do consumidor.

 

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