Londres anuncia (de novo): vai usar o calor do metrô para aquecer casas

Projeto integra estratégia para reduzir queima de gás para aquecimento nos meses frios. Estima-se que a cidade desperdice 38% da demanda de calor

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Fonte: CNN/Mobilize Brasil  |  Autor: Gianluca Mezzofiore/CNN|Marcos de Sousa/Mobilize  |  Postado em: 30 de agosto de 2019

Interior de um trem do

Interior de um trem do metrô londrino

créditos: visitbritain.com

Londrinos costumam reclamar do calor sufocante de certas linhas do London Underground, o metrô da capital britânica. No entanto, uma inteligente iniciativa pretende  usar esse mesmo calor para manter as pessoas aquecidas durante os meses de inverno.

 

A chamada Linha do Norte será provavelmente a primeira do mundo a compartilhar seu calor com as residências e empresas do bairro Islington, no norte de Londres, até o final de 2019. O projeto faz parte de um sistema para aquecer de forma mais econômica e sustentável as edificações dessa área londrina. O bairro já está recebendo aquecimento para 850 residências usando a energia gerada no Bunhill Energy Center, por meio de um esquema de energia e calor combinados a gás (CHP). A expansão agora usará um eixo de ventilação da Linha Norte para canalizar o calor para a rede.

 

 A notícia não é nova e já havia sido anunciada pelas autoridades de Londres em 2013. E embora alguns estudos tenham sido realizados em outras partes do mundo sobre a viabilidade de tal esquema, os especialistas britânicos acreditam que essa será a primeira vez que a ideia será mesmo colocada em prática. Paris também chegou a anunciar planos para aproveitar o calor de seu metrô, em 2010, mas o projeto não avançou. 

 

A Ramboll, empresa responsável para projetar e operar a rede de aquecimento, aunciou em um comunicado à imprensa que o projeto é o primeiro na Europa a "reciclar o calor residual do metrô de Londres" para fornecer "uma fonte de calor de baixo carbono e baixo custo para residências e empresas locais". O texto acrescenta que os passageiros da Linha do Norte também serão beneficiados com mais conforto nos túneis e trens com temperatura controlada.

 

 Plataforma do Underground de Londres: calor será bombeado para aquecer edifícios  Foto: Divulgação 


A Greater London Authority (GLA) estima que hoje Londres desperdiça uma quantidade de calor capaz de atender 38% de sua demanda de aquecimento. Os esquemas de aquecimento urbano com base em troca de calor estão surgindo em todo o Reino Unido, à medida que o país continua à procura de diferentes fontes de calor renovável. "Usar calor excedente em vez de desperdiçar é uma ótima maneira de garantir que reduzamos as emissões de carbono enquanto ajudamos as pessoas a se aquecer a um custo acessível", disse Lily Frencham, chefe de operações da Association for Descentralized Agency. 

 

Outros tipos de "desperdício de calor" estão sendo estudados e aplicados para aquecer casas no Reino Unido e no resto da Europa: incluem fábricas, usinas de energia, hospitais, poços de minas abandonados e supermercados, explicou Sofia Lettenbichler, que trabalha na Euroheat & Power, a rede internacional de energia distrital. Lettenbichler acredita que o projeto "heat from the tube" em Londres é o primeiro do mundo, pois conta com um sistema muito avançado de bombas de calor de primeira geração.

 

Um relatório de fevereiro do Comitê de Mudança Climática (CCC) do governo britânico informa que, a partir de 2025, todas as novas casas e edifícios deverão ser aquecidos usando fontes de energia de baixo carbono e nenhuma deverá ser conectada à rede de gás.

 

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