Trem de passageiros Rio-Minas terá primeiro trecho inaugurado em 2019

Projeto de ONG Amigos do Trem permitirá a ligação entre as cidades de Três Rios (RJ) e Cataguases (MG) e deve atrair 800 turistas por fim de semana

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Fonte: O Globo  |  Autor: Lívia Neder  |  Postado em: 19 de dezembro de 2018

Projeto de sonho: um trem de verdade volta aos tr

Projeto de sonho: um trem de verdade que volta aos trilhos

créditos: Divulgação/ONG Amigos do Trem

Com a expectativa de impulsionar o turismo, a retomada do trem de passageiros ligando o município fluminense de Três Rios a Cataguases, em Minas Gerais, vem sendo aguardada com ansiedade pela população dos dois estados. Prevista para ser inaugurada em módulos a partir do primeiro semestre do ano que vem, a rota deve atrair para a cidade cerca de 800 turistas a cada fim de semana.

 

Desenvolvido pelo Movimento Nacional Amigos do Trem, o projeto era um sonho antigo do presidente da ONG, Paulo Henrique do Nascimento. Idealizador e captador de recursos para botar o trem nos trilhos, ele morreu há menos de um mês, deixando como legado a paixão pela ferrovia.

 

À frente da ONG até que nova eleição para a presidência seja realizada, Cyntia Nascimento conta que a paixão de Paulo Henrique pelo transporte ferroviário contagiou todos. Para viabilizar o projeto, foi injetado R$ 1 milhão, verba captada integralmente com a iniciativa privada.

 

"Os recursos para a compra do trem vieram de patrocinadores. O principal é o grupo Mil, do empresário trirriense Josemo Corrêa de Mello, que comprou essa ideia por amor à cidade e investiu R$ 700 mil. O trem já está pronto, em testes. Falta a conclusão da reforma da linha férrea, que está sendo feita pela concessionária VLI e depois será cedida para a associação", diz Cyntia.

 

Com um trajeto completo de 168 km, a rota de turismo Rio-Minas vai ligar oito municípios, sendo dois fluminenses e seis mineiros. O primeiro trecho que entrará em funcionamento liga a estação de Três Rios à de Chiador, em Minas. O trajeto completo continua por Sapucaia, Além Paraíba, Volta Grande, Recreio, Leopoldina e Cataguases.

 

Maquinista

No comando do trem está o maquinista Carlos Araújo, que veio de Pernambuco especialmente para trabalhar no projeto. Ele atuava como manobrador na Transnordestina e fez o curso de maquinista oferecido pela ONG.

 

"Era um sonho de todos e vim ajudar a realizá-lo. Trabalho com trens há 13 anos. É preciso ter muito amor pela profissão", diz Araújo, que tem tatuado no pulso a sigla RFFSA, da Rede Ferroviária Federal.

 

Enquanto o Trem Turístico Rio-Minas não é inaugurado, a linha férrea vem sendo recuperada para receber as composições. Atualmente, equipes da prefeitura realizam intervenções num trecho que abriga um dos cartões-postais da cidade, a Ponte Santa Fé, na divisa entre Três Rios e Chiador.

 

Trem passa por testes na Ponte Santa Fé, divisa de Três Rios e Chiador. Foto: ONG Amigos do Trem/Divulgação


Custos
Parte da linha férrea e a estação ferroviária de Três Rios serão reformadas com recursos obtidos através de emenda parlamentar no valor de R$ 400 mil; o projeto total dessas duas obras custa R$ 2 milhões. De acordo com o secretário municipal de Governo e Planejamento, Bernardo Goytacazes de Araújo, a nova estação será construída no mesmo local da antiga e do pátio ferroviário da cidade.

 

Três Rios já chegou a contar com quatro linhas de trem. A maior ligava São Paulo a Belo Horizonte, em Minas; uma anexa fazia a conexão Três Rios-Petrópolis; outra unia Três Rios ao interior de Minas que, após baldeação, chegava a Ouro Preto e Mariana; além da linha que será reativada agora, até Cataguases.

 

"Estamos fazendo uma série de ações de dois anos para cá, desde que recebemos o Paulo Henrique (ex-presidente da ONG Movimento Nacional Amigos do Trem, morto recentemente), que buscou apoio na prefeitura para reativar o trem. Fomos chamados de malucos", diz o secretário. 

 

Ele conta que o primeiro desafio era ter um trem, que foi comprado pela ONG com recursos de parceiros e trazido da base operacional da Vale. "Depois, chegaram duas locomotivas para manobrá-lo; uma logística complexa. Outra questão era o desmoronamento da linha, que estava descontínua. Com a concessionária VLI, nós a recuperamos e incentivamos um conjunto de ações para que o trem pudesse ser uma realidade", ressalta.


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Comentários

Ciro pereira da silva - 05 de Janeiro de 2019 às 13:14 Positivo 0 Negativo 0

Eu sou de Chiador, quero dividir com vocês, esta alegria de alguém ter tomado uma iniciativa de resgate de uma região muito importante para mim e para todos que conhecem e vivem nesta região, que é rica em possibilidades de turismo

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