Bogotá quer mais mulheres pedalando

Programa municipal busca aumentar a presença de ciclistas mulheres nas vias da capital colombiana. Hoje elas estão em 24% das 880 mil viagens diárias de bike na cidade

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Fonte: Opas/Paho  |  Autor: Organização Panamericana de Saúde  |  Postado em: 30 de agosto de 2022

Eliana González, Directora Mamacitas en Bici

Eliana González, do coletivo "Mamacitas en Bici"

créditos: Opas/Reprodução


Não há mais dúvidas de que a bicicleta é a mellhor alternativa de locomoção nas cidades, com grandes benefícios para a saúde das pessoas e do ambiente urbano. E embora seja cada vez mais popular em cidades de todo o mundo, na região de Bogotá, ainda é mais comum ver homens que mulheres pedalando. A Prefeitura de Bogotá calcula que as mulheres respondem por 24% dos deslocamentos diários de bicicleta.


A explicação é óbvia: assédio, abusos e falta de segurança nas vias, além da precariedade e da falta de manutenção e de limpeza nas ciclovias são alguns dos desafios que as mulheres enfrentam diariamente em Bogotá, mas também em Belém, São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador ou qualquer grande cidade brasileira.


Mas, desde 2017, a iniciativa "Curvas en Bici" se dedica a promover e ajudar as mulheres a superar esses obstáculos. "Nos reunimos em pontos estratégicos e fazemos passeios aos domingos nas ciclovia de Bogotá, percorrendo entre 30 km e 50 km e também fazemos oficinas de mecânica básica", diz Ángela Sánchez, fundadora da "Curvas en Bici".


"Estes encontros criaram uma rede de apoio e cada vez que acontece um incidente - um roubo, abuso, algum tipo de violência, nós nos comunicamos e acionamos essa rede apoio antes de ativar as linhas de emergência", diz Ángela. A iniciativa, que reúne atualmente 450 mulheres de 20 bairros de Bogotá, ganhou o apoio da Prefeitura local, que está desenvolvendo uma política pública para estimular o uso das bicicletas entre as mulheres, com objetivos traçados até 2039.


"Reunimos órgão da Prefeitura, o setor privado e o mundo acadêmico para conseguir que a bicicleta seja um mecanismo para uma sociedade mais inclusiva. Isto, naturalmente, requer uma série de ações e investimentos dirigidos a melhorar as condições para a circulação das mulheres", diz Nicolás Estupiñán, Secretário de Mobilidade de Bogotá. Ele explica que o trabalho envolve cinco objetivos: 

- mais segurança no trânsito;

- mais segurança pessoal;

- mais e melhores deslocamentos em bicicleta;

- mais bicicletas para todas e todos. 

 

Um objetivo mais geral é alcançar a paridade em termos de viagens em bicicleta, e passar de 24% para 50% das viagens realizadas por mulheres. Hoje, em Bogotá, cerca de 880 mil deslocamentos são feitos de bicicleta, todos os dias. 


 

 

A iniciativa de Bogotá é uma das que se desenvolvem em cinco cidades, dentro do Projeto Global sobre Governança Urbana para a Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).  Neste projeto, os prefeitos de Bogotá, Cidade do México, Khulna (Bangladesh), Douala (Camarões) e Túnis (Tunísia) se comprometeram a tratar os assentamentos informais, os serviços públicos básicos e a coesão social através da colaboração intersetorial e da governança urbana participativa para a saúde e o bem-estar, promovendo inovações sociais e diálogos a nível local.


Um exemplo dessas iniciativas é o serviço de mensagens "Queens Messengers", fundado em 2018. Sua criadora, María Fernanda Ramírez, procura dar às mulheres oportunidades de trabalho e ferramentas para que saibam o que fazer em situações como roubos ou outros casos de violências. Hoje, este serviço de mensagens conta com aproximadamente 100 parceiras.


María Fernanda Ramírez, do "Queens Messengers", fundado em 2018. Foto: Opas

 

A médica Ginna Tambini, representante na Colômbia da OPAS/OMS, assinala que "chegar a acordos que se tornem políticas públicas em favor da saúde, como no caso da contribuição das mulheres para as políticas públicas para a bicicleta de Bogotá, também tornou visível a importância do papel delas, tão determinante não só em suas casas, mas também na comunidade e nas instituições onde elas trabalham". O objetivo desta nova política pública é promover a equidade e permitir o surgimento de atividades lideradas por mulheres para aumentar o uso que fazem da bicicleta.


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