Ciclovia Tim Maia: grupos pedem alternativas seguras para dias de bloqueio

Carta entregue ao prefeito do RJ na 6ª (29) solicita medidas provisórias de segurança a pedestres e ciclistas na Av. Niemeyer como faixa segregada e redução de velocidade

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Mobilize Brasil  |  Postado em: 27 de maio de 2026

Ciclovia foi interditada e reaberta na noite de sá

Ciclovia foi interditada e reaberta na noite de sábado (23)

créditos: Prefeitura/ COR-Rio

Repercutiu na mídia a seguinte notícia do último final de semana: ciclistas furaram o bloqueio e invadiram a Ciclovia Tim Maia, na zona sul do Rio, que estava interditada desde quinta-feira (22), por razões de segurança, devido à forte ressaca e ao risco provocado por ondas de mais de dois metros de altura. A cena foi registrada em vídeo, gravado por câmera de segurança no local. Só faltou à sociedade entender melhor as motivações dos ciclistas para essa atitude radical.

  

Assim, após o ocorrido, três entidades voltadas à mobilidade ativa - a Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio (CSC-RJ), a Ong Caminha Rio e o movimento Bike na Pista - se uniram para redigir um documento que foi encaminhado ao prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), cobrando medidas práticas para quem depende dessa ciclovia no cotidiano.

 

 Agora, a carta será entregue pessoalmente a Cavaliere durante a reunião do Conselho da Cidade, que acontecerá na manhã de sexta-feira (29), no Museu do Amanhã.

 

No texto, as entidades alertam que a ciclovia Tim Maia já há muito tempo deixou de ser apenas um trajeto de lazer e esporte, e se tornou uma importante ligação para a mobilidade de moradores, trabalhadores e estudantes que circulam entre os bairros Leblon, Vidigal, Rocinha e São Conrado. Por isso, quando a ciclovia fecha, muita gente é vista andando na contramão dos carros na Avenida Niemeyer, num improviso perigoso. 

 

Desta vez, vale dizer, a ciclovia foi reaberta na noite de sábado (23), segundo o Centro de Operações e Resiliência da Prefeitura do Rio, após a redução da altura das ondas e término do período de ressaca.

 

Protocolo
Os grupos defendem a criação de um protocolo oficial para os dias de interdição da ciclovia, com alternativas seguras para pedestres e ciclistas na Niemeyer, como criação de faixa operacional segregada temporária para mobilidade ativa; redução de faixas destinadas aos carros em horários específicos; implantação de sinalização provisória; presença de agentes de trânsito para orientar os deslocamentos; revisão operacional da reversível nos horários críticos. 

 

O documento também pede redução da velocidade máxima da Niemeyer de 50 km/h para 40 km/h, além de mais sinalização, com semáforos cicloviários, reforço nas travessias e campanhas educativas. “Essas medidas vão contribuir para reduzir conflitos entre ciclistas e pedestres, especialmente em áreas de grande circulação na orla da cidade”, diz Raphael Pazos, representante da CSC-RJ. 

 

Pazos conta que as entidades estão vendo com grande expectativa a oportunidade de apresentar o documento ao prefeito Eduardo Cavaliere: "Estamos confiantes de que o pleito será acolhido, considerando sua relevância para a segurança viária, a mobilidade urbana e a preservação da vida", destacou. 

 

Segundo ele, as medidas propostas beneficiarão diretamente toda a população que se desloca por bicicleta e a pé na região da Avenida Niemeyer, especialmente os moradores do Vidigal e da Rocinha, "que dependem diariamente desse trajeto para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais", explicou o ciclista. E acrescentou: "Mais do que uma ciclovia, a Tim Maia cumpre hoje o papel de uma calçada compartilhada que historicamente nunca existiu naquela ligação entre bairros, sendo uma infraestrutura fundamental para garantir o direito de ir e vir com segurança e dignidade."

 

Leia a seguir o documento:

 

À Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro
Exmo. Sr. Prefeito Eduardo Cavalieri
Assunto: Solicitação de criação de protocolo operacional para mobilidade ativa em dias de interdição da Ciclovia Tim Maia e medidas permanentes de segurança viária na Avenida Niemeyer


A Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio de Janeiro – CSC-RJ, juntamente com a Ong Caminha Rio e o Movimento Bike na Pista vem, respeitosamente, manifestar preocupação com os recorrentes episódios de interdição da Ciclovia Tim Maia, especialmente no trecho entre Leblon e São Conrado, em razão de
ressacas marítimas e demais eventos climáticos.

 

Recentemente, ganhou ampla repercussão na imprensa o episódio envolvendo ciclistas que ultrapassaram as barreiras de bloqueio instaladas na ciclovia durante período de fechamento preventivo. Embora a CSC-RJ reconheça a importância das medidas de segurança adotadas pelo Poder Público em situações de risco, o
caso evidencia um problema estrutural e histórico: a ausência de alternativas seguras de deslocamento para pedestres e ciclistas entre os bairros de Leblon, Vidigal, Rocinha e São Conrado nos períodos de interdição desta importante via compartilhada.

 

É importante destacar que a Avenida Niemeyer constitui a única ligação direta para circulação de pedestres e ciclistas entre essas regiões da cidade, sendo vedado e inviável o deslocamento pelos túneis integrantes da Autoestrada LagoaBarra. Diariamente, centenas — possivelmente milhares — de cidadãos utilizam esse trajeto para deslocamentos ao trabalho, estudo e demais atividades cotidianas, especialmente moradores do Vidigal e da Rocinha.

 

A Ciclovia Tim Maia, na prática, exerce função muito além de uma infraestrutura cicloviária recreativa. Trata-se de uma calçada compartilhada essencial para a mobilidade ativa da população local, suprindo uma carência histórica de espaço seguro para circulação não motorizada naquela região.

 

Diante disso, solicitamos à Prefeitura do Rio de Janeiro a adoção das seguintes medidas:
1. Criação de protocolo operacional para dias de interdição da Ciclovia Tim Maia
Que sejam estabelecidas medidas temporárias de circulação segura para pedestres e ciclistas na Avenida Niemeyer sempre que houver fechamento da ciclovia por ressaca, manutenção ou qualquer outra ocorrência operacional.

 

Entre as possibilidades sugeridas, destacam-se:
• criação de faixa operacional segregada temporária para mobilidade ativa;
• redução de faixas destinadas aos veículos motorizados em horários específicos;
• implantação de sinalização provisória;
• presença de agentes de trânsito orientando os deslocamentos;
• revisão operacional da reversível nos horários críticos.

 

Atualmente, nos dias de fechamento da ciclovia coincidentes com a operação da pista reversível no período da manhã, pedestres e ciclistas são obrigados a circular na contramão do fluxo veicular no sentido São Conrado–Leblon, situação extremamente perigosa e incompatível com os princípios de segurança viária e
preservação da vida.

 

2. Redução da velocidade máxima da Avenida Niemeyer 
Solicitamos a revisão da velocidade regulamentada da Avenida Niemeyer, reduzindo o limite máximo dos atuais 50 km/h para 40 km/h em toda a extensão da via. Trata-se de avenida sinuosa, estreita e com intensa convivência entre automóveis, ônibus, motocicletas, ciclistas e pedestres. A redução da velocidade contribuirá diretamente para diminuição da gravidade dos sinistros de trânsito, aumento do tempo de reação dos condutores e maior segurança para todos os usuários da via. Ressalta-se, inclusive, que determinados trechos da própria Avenida Niemeyer já operam atualmente com limite de 40 km/h, demonstrando plena viabilidade técnica da medida.

 

3. Ampliação da sinalização voltada à mobilidade ativa
Solicitamos a ampliação da infraestrutura semafórica e de sinalização específica para ciclistas e pedestres, incluindo:
• instalação de semáforos cicloviários;
• reforço de sinalização horizontal e vertical;
• campanhas educativas de convivência no trânsito;
• melhoria das travessias na orla carioca e nos acessos às ciclovias.

 

A adoção dessas medidas contribuirá para reduzir conflitos entre ciclistas e pedestres, especialmente em áreas de grande circulação na orla da cidade.

 

Nós da CSC-RJ, Ong Caminha Rio e Movimento Bike na Pista entendemos que o fortalecimento da mobilidade ativa é política pública essencial para promoção da segurança viária, sustentabilidade urbana, saúde pública e democratização do espaço urbano.

 

Colocamo-nos à disposição para colaborar tecnicamente com os órgãos competentes na construção de soluções que garantam segurança, acessibilidade e respeito ao direito de ir e vir de todos os cidadãos.

 

Assinam:
Thatiana Murillo, diretora da Ong Caminha Rio
Viviane Zampieri, fundadora do Movimento Bike Na Pista
Gustavo Alecrim, presidente da CSC-RJ
Raphael Pazos, fundador da CSC-RJ

 

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