Inovação tecnológica: a inteligência remota no auxílio da mobilidade

O controle semafórico centralizado e a operação de campo por parte da equipe de agentes pode auxiliar na mobilidade urbana de Aracaju, SE

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 |  Autor: Raquel Passos  |  Postado em: 26 de outubro de 2011

Sensor instalado no asfalto da Avenida Beira Mar e

Sensor instalado no asfalto da Avenida Beira Mar

créditos: Cleverton Ribeiro

Passarelas, viadutos e construção de grandes avenidas são medidas ‘imediatas’ que surgem à mente quando o assunto é solucionar as questões vivenciadas no trânsito pelas cidades. Certo? Errado. É preciso pensar em mobilidade urbana sustentável [como acontece nas localidades desenvolvidas e em ascensão] e agir sob a proposta de sintonizar as necessidades da parcela vulnerável (pedestres e ciclistas) à dos condutores de veículos automotivos. O meio automatizado é uma via de mão dupla para implantação de um controle semafórico inteligente.


A tecnologia é a ‘menina dos olhos’ da atualidade por ser capaz de encontrar este caminho, afinal, ainda é o único recurso não-poluente que concilia interatividade de processos com a instantaneidade de informações.


Como o número de carros em circulação em Aracaju cresceu consideravelmente – hoje a estimativa é que haja três carros por família –, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), responsável em fomentar o tema mobilidade na capital sergipana, se prepara para agir de forma democrática em consonância com as inovações tecnológicas para garantir segurança e mobilidade.
A assessora especial da SMTT, Sheila Santos, explica como o controle semafórico centralizado e a operação de campo por parte da equipe de agentes pode auxiliar na mobilidade urbana de Aracaju: “Este sistema permite reprogramar os ciclos semafóricos automaticamente, de acordo com o fluxo captado pelos sensores instalados no asfalto e próximos aos semáforos e ainda detectar o fluxo de veículos”.

Sheila Santos spresenta a CITT

Sheila Santos spresenta a CITT

créditos: Cleverton Ribeiro

Segundo Sheila Santos, com este modo ‘semáforo inteligente’ é possível ganhar fluidez na via e melhor distribuição dos tempos semafóricos. “Bem como, ter menos tempo de espera nos cruzamentos (consequentemente menos estresse) e diminuição do tempo dos reparos semafóricos (o sistema avisa quando tem algum problema, então a equipe semafórica terá acesso à informação e irá ao local mais rápido)”, coloca.


Se passarelas e viadutos, que são construções significativas para algumas cidades, não dariam conta para a questão em Aracaju, semáforos dariam? Eis a questão. A SMTT foge do lugar comum ao levantar estudos que viabilizem este sistema prático e que traz resultados proporcionais em metrópoles como São Paulo, que teve seu primeiro sistema a operar em 1982.

 

Inteligência local


Na capital sergipana, semáforos que funcionam com sensores instalados no asfalto. Um exemplo está na Avenida Beira Mar, cruzamento com Murilo Dantas. Os veículos que saem das praias por esta via e trafegam sentido Farolândia são poucos, segundo o diretor de trânsito da SMTT, major Paulo César Paiva. Assim, ele explica que o dispositivo que fica no asfalto já próximo à faixa de pedestres de cada semáforo do cruzamento isola a aproximação quando não há tráfego. “Por conta da demanda diferenciada em cada ponto semaforizado é que este inteligente se faz necessário para não termos um verde ocioso”, elucida Paiva.


O técnico em semaforização, Miguel Ângelo, informa que a possibilidade em programar o semáforo otimiza a demanda mais carregada. No cruzamento da Beira Mar com Farolândia, o sistema inteligente atua em tempo integral há cerca de cinco anos.  “É uma saída para a fluidez de pontos críticos de fluidez. Com controle dos semáforos é mais fácil deslocar equipes para agir em alguma ocorrência ou mesmo para liberar uma rua com maior retenção. Semáforos inteligentes são laços magnéticos que possuem ligados ao controlador (o cérebro eletrônico)”, relata o diretor de Trânsito de Aracaju, major Paulo César Paiva.
A pretensão da SMTT é interligar os semáforos mais estratégicos à Central de Inteligência de Transportes e Trânsito (CITT), como explica major Paiva: “E ainda conseguir ter a operação remota para intervir nos controladores que deverão ser adequados à inovação tecnológica, com um software especial para isso na CITT”.


Em Aracaju há 89 controladores que operam em 122 cruzamentos semaforizados, destes, o técnico Miguel Ângelo lembra da necessidade de mapear os que possuam critérios para implantação do sistema inteligente. “Não funcionaria em todos os cruzamentos da cidade. Nem no da Avenida Augusto Franco (antiga RJ) com Tancredo Neves e nem na rotatória do Orlando Dantas porque o tipo de ocorrência ultrapassa o que cabe ao semáforo fazer. Nesses casos é preciso outros tipos de intervenções estudadas e realizadas pela engenharia de trânsito”, completa.


Para que haja mobilidade urbana, é preciso que um lado abra mão para que o outro trafegue e assim o cíclico sistema é montado. “O tempo de espera em um cruzamento triplo, por exemplo, é o de abertura das outras duas vias. E assim vai. Mas as pessoas costumam olhar apenas para o seu lado e não enxergar a necessidade do próximo. Mobilidade só pode ser construída com a gentileza das pessoas em compreender”, reforça o técnico em semaforização.


Como funciona?


De acordo com João Cucci Neto, autor de um trabalho complementar de Engenharia de Tráfego e Transporte Urbano, do curso Engenharia Civil da Universidade Mackenzie (SP), trata-se de controladores eletrônicos ligados fisicamente (por cabos) a um ou mais computadores. Com esse sistema, o controle dos corredores mais importantes em uma cidade pode ser feito de um único ponto – na Central de Operações.


“Na Central devem existir técnicos que operem os computadores e acompanhem o funcionamento dos semáforos porque assim eles conseguirão identificar a frequência dos semáforos, os quadros apresentados, se há algum tipo de avaria a cada instante nas ruas”, completa o engenheiro da SMTT, Fernando Nunes.


Diante de imprevistos que acontecem nas ruas, como veículos enguiçados, acidentes e colisões, a operação normal de trânsito prevista para este sistema fica alterada e os planos semafóricos pré-estabelecidos não prevêem a lentidão que é gerada. Portanto, segundo Sheila Santos, com o sistema semaforizado é possível ajustar os tempos de um ou mais cruzamentos para essas situações.
“Os técnicos são os responsáveis pela operação realizada nos computadores. Ao detectar o fato, através de informações de quem está operando nas ruas, os profissionais conseguem alterar os tempos até que a situação seja solucionada”, completa Sheila Santos.
Nesse aspecto, o ônibus coletivo, apontado por especialistas como sendo a solução mais viável (econômica e prática) para que haja a mobilidade urbana sustentável, começa a despontar na corrida pelo deslocamento hábil e eficiente.

 

Central de trânsito


Desde novembro de 2009, que a Central de Inteligência de Transportes e Trânsito (CITT) opera em Aracaju, munida de informações relevantes advindas das 12 câmeras de monitoramento instaladas estrategicamente pela cidade. A partir do acompanhamento diário das imagens, as equipes da Central dialogam com as que operam nas ruas com um único objetivo: promover mobilidade urbana.
A sustentabilidade deste processo é algo gradual, como explica o superintendente Antônio Samarone: “O que as equipes tem feito nestes últimos meses é um trabalho em sintonia com a visão do órgão e da administração municipal em promover qualidade nos deslocamentos das pessoas. As câmeras têm significância para o desempenho do trabalho de operação e fiscalização dos agentes de trânsito e supera ainda mais quando se trata de informar condições de tráfego à quem mais interessa: a sociedade”.


É um serviço que tem ganhado proporções nas redes sociais através do perfil oficial da SMTT no Twitter, local em que o órgão antecipa situações para condutores terem tempo hábil em alterar a rota e para pedestres se situarem quanto às condições de travessia segura.


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