Placas deixadas em rua do Recife pedem respeito ao pedestre

Ninguém sabe quem deixou várias placas de sinalização alertando para a travessia de pedestres em um cruzamento do bairro do Espinheiro. Fato é que a ideia 'pegou'

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Fonte: Folha de Pernambuco  |  Autor: Priscilla Costa  |  Postado em: 12 de junho de 2018

Placas obrigam motorista a ver o pedestre (Rafael

Placas obrigam motorista a ver o pedestre (Rafael Azevedo)

créditos: Rafael Furtado

 

Quem passar pelo cruzamento das ruas do Espinheiro com a Santo Elias, no bairro do Espinheiro, Zona Norte do Recife, irá se deparar com uma situação no mínimo curiosa. Com uma pitada de bom humor e criatividade, placas de sinalização foram colocadas próximo à faixa de pedestres que há na área, bem na altura do bar do Vagão.

 

A alternativa, embora de autoria ainda desconhecida, foi um meio encontrado para chamar a atenção dos motoristas que, mesmo sabendo da existência de uma faixa de segurança, ignoram sua principal função: dar preferência aos pedestres.

 

Lá, a dificuldade na travessia também ganha vez pela ausência de um semáforo - anseio antigo dos moradores locais. Inclusive, a iniciativa, aponta a maioria dos moradores, acende a discussão de que é possível, sim, estimular a educação no trânsito por meio de métodos simples. 

 

A Folha de Pernambuco esteve no local e constatou que quem passa pelo cruzamento, de fato, está compartilhando da ideia e, o mais importante, o propósito pelo qual as placas foram colocadas tem surtido efeito. Principalmente, em horários de maior movimento de carros. "Achei muito boa porque as placas obrigam o motorista a perceber que o pedestre também faz parte do trânsito", avaliou o publicitário Rafael Azevedo, 29 anos. 

 

Assim como ele, outras pessoas aprovaram a iniciativa. "É uma forma humorada de os pedestres pedirem respeito diante da falta de educação dos motoristas. Ao mesmo tempo, essa intervenção mostra às autoridades de trânsito o quão é necessário investir em campanhas educativas", observou um dos comerciantes da região, Robson Ramalho.

 

A reportagem também fez o teste. Bastou deixar a placa à mostra para o primeiro carro parar, servindo de exemplo para os próximos reduzirem a velocidade em seguida. E a reação dos motoristas era unânime: todos observavam e sorriam ao ver o conteúdo das placas. Frases como "Pare para mim" e "Respeito", além de gravuras que mostram um boneco vestido de rei atravessando a faixa de pedestres, estão entre os conteúdos das placas. 

 

Assim como os demais, a cabeleireira Débora Leão, 24, pegou uma das sinalizações e não negou a cara surpresa ao ver que a ideia, de fato, funciona. "Só quem utiliza essa faixa sabe a dor de cabeça que é atravessar aqui. Não sei quem fez isso, mas está de parabéns. A gente quem agradece", brincou.

 

Autoria desconhecida

Ainda é um mistério saber quem são realmente as pessoas que interviram nesse trecho do Espinheiro. Não se sabe se são moradores. A única informação é que um grupo jovem, com idade aproximada de 20 anos, implantou a "pequena engenharia" no lugar. Basta olhar para perceber que se trata de uma solução barata: em cada calçada lateral à faixa de pedestres foi colocado um cano de PVC, com uma base plástica segurada por pedras (para o cano não tombar). 

 

Iniciativa teve aprovação de moradores e comerciantes da área. Foto: Rafael Furtado

 

Os canos, que servem para encaixar as placas de sinalização, foram colocados propositalmente em ambas as calçadas para o pedestre utilizar qualquer um dos canos, a depender da direção que ele vier. O curioso e mais interessante é que nenhuma sinalização foi furtada, pelo menos, por enquanto. 

 

Procurada, a Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) não comentou sobre a intervenção, mas reiterou, em nota, que "o condutor que deixar de dar preferência à passagem do pedestre que se encontre na faixa destinada à travessia está passível de multa gravíssima".

 

Em relação à implantação de semáforo no local, o órgão afirmou que "é importante ressaltar que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) recomenda a adoção de outras formas de controle de tráfego, como a faixa de pedestre, para obediência às normas gerais de circulação, uma vez que a implantação inadequada do equipamento semafórico pode apresentar prejuízos ao desempenho e segurança do trânsito".

 

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