Principal desafio é promover a mobilidade humana

Realizado nesta sexta, o II Fórum Mobilize Brasil discutiu relação das pessoas com as cidades, importância das calçadas e políticas públicas voltadas à mobilidade humana

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Felipe Castro  |  Postado em: 18 de abril de 2013

Participantes debateram a mobilidade sustentável

Participantes debateram mobilidade sustentável nas cidades

créditos: Felipe Castro/Mobilize Brasil

 

Como criar uma cidade que seja convidativa às pessoas, e, ao mesmo tempo, favorável à mobilidade urbana sustentável? Esta foi a discussão central do II Fórum Mobilize Brasil "Cidades para pessoas: uma utopia no Brasil?", realizado nesta sexta-feira (12), no Salão Nobre da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo.

 

Participante do debate, o promotor Mauricio Lopes, da Promotoria de Habitação e Urbanismo no Ministério Público do Estado de São Paulo, questionou, primeiramente, o emprego do termo "mobilidade urbana".

 

"Mobilidade urbana não é privilegiar o automóvel para ele chegar mais rápido ao seu destino. Temos que privilegiar a mobilidade humana", afirmou.

 

Para o professor da FAU-USP, Alexandre Delijaicov, o grande desafio do poder público é criar o que ele chama de "esquinas de convivência", um "sistema de passeios públicos que promovam encontros e a convivência das pessoas nas cidades". 

 

E como reduzir o papel do carro? Ciclista militante, Delijaicov acredita que "o automóvel sempre vai ser insaciável". "O melhor jeito de lutar contra ele é colocando semaforos a cada cem metros, que permitam que os pedestres atravessem as ruas normalmente, e não como se fossem coelhos acuados", brincou.

 

A jornalista e criadora do projeto Cidades para Pessoas, Natália Garcia, foi além: "A cidade não te convida a estimular a diversidade, a criar e estimular conexões". 

 

Ela lembrou que as placas em São Paulo, por exemplo, não conversam com as pessoas, e sim com os carros, e usou o exemplo do Festival Baixo Centro realizado no elevado Costa e Silva, o Minhocão, na região central de São Paulo, como uma boa iniciativa para aproximar as pessoas da cidade. "Aos fins de semana, o Minhocão passa do pior para o melhor espaço público possível, simplesmente pela ocupação das pessoas", disse.

 

Sobre a responsabilidade das calçadas, se é dos municípes ou do poder público, o promotor Maurício Lopes foi enfático: "A calçada é obrigação pública e deve ser vista como tal". Para o promotor, trata-se do primeiro contato da pessoa com a cidade. "As calçadas devem respeitar quem anda e caminha sobre elas."

 

Representante do governo federal no debate, a subsecretária de mobilidade urbana do Ministério das Cidades, Isabel Lins, acredita que "ter uma cidade sustentável, feita para as pessoas, acessível, não é utopia. Temos as ferramentas necessárias".

 

Transmitido ao vivo pela Ucan e realizado com apoio do banco Itaú e da FGV, o II Fórum Mobilize Brasil terminou abrindo para as perguntas da plateia. Um representante do Pedala Manaus,  um médico do tráfego, uma ativista do Rio de Janeiro e um rapaz de 16 anos cujo sonho é ser urbanista foram alguns dos participantes.

 

 

 

 

 

 


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Comentários

Carlo Marques - 16 de Abril de 2013 às 19:17 Positivo 3 Negativo 0

Vi pela internet. Excelente debate, salvo alguns assessores de vereadores, que atrapalharam um pouco. Senti falta de alguém da prefeitura de São Paulo. O próprio prefeito poderia aprender muito com aquela mesa genial.

Erealdo Fagundes Couto - 15 de Abril de 2013 às 09:46 Positivo 3 Negativo 0

Gostaria que na prática fosse feito o que dizem os especialistas. Fala-se muito, mas fazer nada de proveito. Não existe bom censo, somente lucros e desejos pessoais. Interesses de grupos é o que mais se ve. O povo também não faz por merecer.

Ibrahim Tauil - 14 de Abril de 2013 às 10:03 Positivo 2 Negativo 0

Reserva verde da área insular, os morros de Santos viraram alvo da cobiça imobiliária, agravando ainda mais a mobilidade naquela região. Vias estreitas c/trânsito intenso de veículos e pedestres, sem ou com calçadas que ainda servem de estacionamento

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