Trabalho sobre metrô de SP é premiado na Alemanha

Trabalho premiado permite avaliar ganhos sociais gerados por novas linhas de metrô. E mostra que a Linha 6 de São Paulo privilegia bairros mais ricos

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Fonte: Mobilize Brasil  |  Autor: Da Redação  |  Postado em: 20 de agosto de 2013

Trabalho sobre metrô de SP é premiado na Alemanha

Linha 6 Laranja: benefícios aos mais ricos?

créditos: Metrô SP

 

 

O brasileiro Thiago Guimarães foi o grande vencedor do Prêmio Max Brauer, atribuído a cada dois anos pela Fundação Dr. h.c. Max Brauer, vinculada à Hochbahn, operadora do metrô da cidade de Hamburgo e segunda maior empresa de transporte coletivo da Alemanha. 

 

O trabalho "Desenvolvimento de um indicador de acessibilidade para a avaliação de projetos de transporte da perspectiva da exclusão social – Estudo de caso da Linha 6 do metrô de São Paulo" foi escolhido em função da proposta inédita para avaliar os benefícios sociais efetivos trazidos por uma mudança na infraestrutura de transportes ou no uso do solo. 

 

O trabalho é uma dissertação de mestrado em Planejamento e Desenvolvimento Urbano, apresentada em 2011 na HafenCity Universität, em Hamburgo, onde o autor vive e trabalha. 

Com formação de jornalista, economista e urbanista, Guimarães também foi o responsável pelo desenvolvimento do projeto editorial do Mobilize Brasil e foi consultor editorial do portal até 2012.

 

"Transporte não é um fim em si. É um meio, que permite ganhos de acesso a postos de trabalho, serviços públicos, locais de educação ou de cultura. Esse é o enfoque que permite avaliar um sistema de transporte", frisa Guimarães, em entrevista concedida via skype.

 

Ele explica que seu trabalho focou o especialmente o acesso aos postos de trabalho e, por essa abordagem, conclui que o projeto da Linha 6 beneficia sobretudo os grupos sociais incluídos e menos aqueles setores mais vulneráveis da população. "Ao contrário da retórica adotada por planejadores e políticos, não é qualquer projeto de transporte que beneficia a sociedade inteira", reitera o pesquisador. 

 

A Linha 6 do metrô de São Paulo deverá ligar o bairro da Brasilândia, na zona noroeste da cidade, ao centro de São Paulo, servindo bairros com diferentes perfis socioeconômicos. A linha teve seu projeto alterado diversas vezes em função de ingerências políticas e do lobby de parte dos moradores de Higienópolis, contrária à abertura de uma estação no bairro. A conclusão da obra havia sido inicialmente prevista para 2013, mas a linha não deverá entrar em operação antes de 2020.

 

O estudo de Guimarães indica que os principais beneficiários da linha 6 não serão os habitantes dos bairros socioeconomicamente mais vulneráveis da metrópole, mas sim segmentos menos sujeitos à exclusão social residentes de bairros com boa infraestrutura de transporte coletivo (em geral já servidos pelo metrô) e situados no centro expandido da cidade de São Paulo.

 

"Há uma mudança visível no desenho de rede metroviária de São Paulo que acontece entre 1990 e 2000, com impacto muito forte na exclusão social. No Plano Integrado de Transportes Urbanos 2020 (Pitu 2020), que foi anunciado em 1999, constava uma concepção de rede aberta, com grandes arcos metroviários, ligando bairros periféricos. Essa concepção foi abandonada, negada, com o Pitu 2025. Ele concentra as linhas no centro expandido, numa concepção radial. E essa Linha 6 deriva do Pitu 2025. A lógica passa a ser outra: a pessoa deve pegar um ônibus na periferia para chegar à região central, onde encontra uma rede mais densa de metrô", explica Thiago Guimarães.

 


Pitu 2020: rede metroviária mais aberta

O especialista argumenta que no próprio eixo servido pela Linha 6 há bairros que ganharão acessibilidade e outros que irão perder. "Na região de Brasilândia, a linha poderá gerar diferenciação de bairros que hoje são similares. Os planejadores precisam lidar com o desenvolvimento territorial local desses bairros e talvez incluir linhas complementares de transporte coletivo, ou ainda estimular a criação de centralidades locais, com polos econômicos", conclui.

 

O estudo premiado já foi apresentado, em 2012, a profissionais da Companhia do Metropolitano de São Paulo. A cerimônia pública de premiação irá acontecer em outubro.

 

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Comentários

Darcy - 18 de Agosto de 2014 às 16:01 Positivo 2 Negativo 1

É um erro afirmar que a linha 6 irá beneficiar apenas os bairros ricos,toda expansão é útil. Na verdade, o Brasil é tão carente de infraestrutura que onde ela existe forma-se um núcleo de "riqueza", pelas potencialidades geradas pelas oportunidades.

Diego - 22 de Maio de 2014 às 12:21 Positivo 1 Negativo 3

Saviano, você acha mesmo que a tese de mestrado do especialista se resume aos argumentos trazidos pela notícia, ou acha que ela é mais profunda, ainda mais por ter ganho um prêmio num dos países mais avançados do planeta terra? Informe-se melhor.

Saviano - 20 de Agosto de 2013 às 13:38 Positivo 2 Negativo 7

A dissertação do um "Especialista" é mais correta que a pesquisa Origem Destino e todos os estudos dos profissionais do metrô? Tem certeza que recebeu premio por uma análise tão rasas e tendenciosa?

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