Manaus: apenas duas linhas de ônibus circulam na madrugada. Prefeitura acha suficiente

Manaus conta apenas com dois ônibus de duas linhas, os chamados 'corujões'. Na capital do AM, 40% da população utiliza o transporte público

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Fonte: D24am  |  Autor: Da redação  |  Postado em: 17 de dezembro de 2013

Quem precisa do serviço acha pouco e reclama

Quem precisa do serviço acha pouco e reclama

créditos: Divulgação

 

Com uma população de 1,86 milhão de habitantes e mais de 40% dependendo do transporte coletivo, Manaus conta apenas com dois ônibus de duas linhas, os chamados ‘corujões’, circulando na madrugada. Hoje, os ônibus que rodam na capital amazonense saem das garagens às 5h e retornam à 1h.

 

Entre a 1h e 4h59, os usuários do sistema que necessitam se deslocar pela cidade precisam recorrer aos táxis, mototáxis ou até mesmo aguardar nos terminais o início da circulação.

 

Nas primeiras horas da manhã, Manaus chega a ter 1,7 mil ônibus, divididos em 240 linhas, em circulação nas ruas. A noite, entre as 20h e 0h, eles ainda são em torno de 900, uma queda de 30%. Mas, a partir daí, cai para duas linhas operando: a 306, que atende o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, e a 640, que sai do Terminal de Integração do Jorge Teixeira (T4), na zona leste, e vão ao Centro pela Avenida Constantino Nery, segundo informações da Superintendência Municipal de Transporte Urbano (SMTU).

 

Ainda segundo a SMTU, os últimos ônibus com destino ao Centro saem do Terminal Central, Matriz, as 0h e das linhas alimentadoras (T3, T4 e T5) à 1h. Este mês, por conta das festas natalinas, o horário de circulação será estendido para 1h. “É uma viagem a mais de cada uma das linhas que terão o horário estendido, ou seja, um veículo de cada”, informou a SMTU, em nota.

 

Quem precisa do serviço acha pouco e reclama. Maria Cristina Rodrigues, 24, trabalha como garçonete no Parque 10, zona centro-sul, e mora no bairro Colônia Terra Nova, na zona norte. Para chegar em casa precisa pegar dois ônibus.

 

“Não tenho horário certo de sair do trabalho. Se passar das 22h, já fica difícil pegar ônibus. Já aconteceu de chegar no terminal (T3) e já ter passado o último ônibus (034, no caso dela). A opção é esperar o primeiro ônibus, que vai passar lá pelas 5h10, ou pegar uma outra linha e descer bem mais longe de casa, correndo o risco de ser assaltada”, afirmou, explicando que dependendo do horário até ‘lotação’ fica difícil. “Mototáxi de madrugada eu não me arrisco, prefiro dormir no terminal”.

 

A empregada doméstica Darlene Vasquez da Silva, 45, conta que precisou andar de madrugada pelas ruas do bairros Coroado e São José Operário, zona leste, no dia da formatura do filho. “Quando acabou a cerimônia na escola (no São José) não tinha mais ônibus, tivemos que voltar para casa (Coroado) andando”, contou.

 

A filha dela, Júliana, de 16 anos, disse que já ficou sozinha durante toda a madrugada em um ponto de ônibus no Centro, após perder a hora em uma festa de despedida da turma de um cursinho pré-vestibular. “O transporte para como se a cidade parasse. Tem muita gente trabalhando ou estudando, mas infelizmente os que precisam de transporte têm que se sujeitar a essa situação”, reclamou.

 

“A gente nem chega no trabalho e já pensa no transtorno da hora da volta. Ônibus lotado de você não dar conta de respirar”, disse Darlene, que trabalha como empregada em um apartamento no Conjunto Eldorado, zona centro-sul.

 

Suficiente

Em nota, a SMTU informou que estudos do sistema de transporte coletivo de Manaus mostram que o número de ônibus operando a partir das 22h e de madrugada é suficiente para atender a demanda de passageiros, que mesmo nesta época do ano diminui “consideravelmente”.

 

Na quarta-feira, das 960 mil passagens registradas pelo sistema de bilhetagem eletrônica do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), 350 mil ocorreram entre às 21h e 24h.

 

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Comentários

Sunao - 17 de Dezembro de 2013 às 16:40 Positivo 8 Negativo 0

Claro que eles acham suficiente.. Não precisam utilizar o sistema publico, acredito cada vez mais, que todo funcionário publico deveria ter por obrigação a utilização do sistema publico para locomoção.. Só sentindo na pele eles irão entender.

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