Ônibus e caminhões menos poluentes só em 2023 é "decisão irresponsável"

Ativista da Rede Nossa São Paulo critica em programa de rádio o prazo maior para adoção do padrão Euro 6 em veículos pesados, decidido na semana passada pelo Conama

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Fonte: Mobilize/ CBN  |  Autor: Mobilize Brasil  |  Postado em: 06 de novembro de 2018

Ônibus poluentes ainda serão usados nos próximos c

Ônibus poluentes ainda serão usados nos próximos cinco anos

créditos: Idec

Na semana passada, o Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) decidiu dar prazo maior - o ano de 2023 - para a adoção no país do padrão mais moderno e eficiente no controle de emissões de poluentes para caminhões e ônibus - o padrão Euro 6 (no Brasil, P8), já adotado nos EUA e em diversos outros países. 

Aprovada em reunião do Proconve - Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, que faz o controle das emissões para veículos pesados novos, desde então a decisão tem sido criticada por ambientalistas, que defendiam prazo final até um ano antes. 

Nesta terça-feira (6), o professor Américo Sampaio, da Rede Nossa São Paulo, criticou também a decisão do órgão no programa CBN São Paulo. "A medida do Conama é equivocada e beira a irresponsabilidade", disse Sampaio. 

Segundo o pesquisador, o Brasil já tem tecnologia e capacidade para usar esse padrão em 2019. "Com o Euro 6, seria possível reduzir 74 mil mortes decorrentes da poluição nos próximos 30 anos. A cada ano de atraso, o país acrescenta cerca 2.500 mortes desnecessárias aos seus indicadores". 

Ainda segundo Sampaio, a decisão do Proconve não se justifica social e tecnicamente, e a única explicação está no "peso do dinheiro": "A decisão se respalda no lobby da indústria automotiva, que não está interessada em investir em motores melhores, e na fraqueza do governo, que não resistiu à pressão das empresas", desabafou. 

Desde 2010

O Euro 6 já é utilizado desde 2010 nos Estados Unidos, e desde 2012 em muitos países da Europa. Mesmo a China, diz Sampaio, adotará o padrão a partir de 2021, e está à nossa frente.

Embora seja uma "decisão equivocadíssima", nas suas palavras, a regra não precisa necessariamente ser seguida pelos gestores nos municípios brasileiros, defende: "Nada impede que as cidades possam usar o padrão mais moderno a partir do ano que vem. Em São Paulo, por exemplo, a prefeitura pode adotar políticas que alterem a matriz energética na cidade e exigir padrões de veículos não poluentes na hora da contratação das empresas para o transporte público". E conclui: "Devemos ficar atentos ao que vão fazer as prefeituras a partir do próximo ano".

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