O Bike Itaú, maior projeto de bicicletas compartilhadas do continente, completa 15 anos em 2026. Para celebrar a longa vida das bicicletas laranjas, e discutir os desafios a serem enfrentados para melhorar as condições a quem pedala, o Itaú Unibanco e a Tembici realizaram nesta quarta-feira (8) um evento na sede do Insper, na capital paulista.
Estavam presentes apoiadores e parceiros do programa, de vários cantos do país, entre eles organizações como o Mobilize. Também vieram autoridades que em algum momento de suas gestões ajudaram a implantar o sistema de bicicletas compartilhadas nas suas cidades.

Evento em SP marca os 15 anos do Bike Itaú Foto: Paula Monteiro/Mobilize
Com quase 6 milhões de cadastros, cerca de 5 milhões de usuários, mais de 107 milhões de viagens e 468 milhões de quilômetros pedalados, o Bike Itaú evitou a emissão de 33 mil toneladas de CO2, serviu de estímulo à mobilidade ativa e como estratégia de descarbonização dos transportes, aponta o balanço atualizado apresentado pelo banco.
O sistema de empréstimo de bicicletas opera hoje em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre e na região de Pernambuco. Em Salvador, o uso cresceu 271% entre 2018 e 2025. No Rio, a solução já passa de 65 milhões de viagens, e só a estação do Largo da Batata, em São Paulo, acumula mais de 650 mil, revelam os dados do programa.
Para Luciana Nicola, diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade do Itaú Unibanco, a bicicleta "conquistou um papel cada vez mais relevante nas cidades brasileiras". "Apoiar essa agenda significa combinar soluções concretas, produção de conhecimento e articulação entre diferentes setores para acelerar transformações que contribuam para uma economia de baixo carbono", destacou.
Luciana Nicola (dir.): "Acelerar transformações que apoiem a economia de baixo carbono" Foto: Paula Monteiro
Poluição e insegurança viária
O ponto alto do evento trouxe um estudo inédito, produzido a pedido do Itaú. A pesquisa foi realizada pelo Instituto Cordial em 2025, a partir do monitoramento de mais de 10 mil quilômetros de vias percorridas por ciclistas na cidade de São Paulo. As bicicletas foram equipadas com sensores e inteligência artificial, que puderam capturar dados de poluição, qualidade do solo e exposição ao risco dos ciclistas em ultrapassagens por automóveis, entre outros.
Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de operações no Instituto Cordial e pesquisador responsável pelo estudo explicou que um problema relevante para quem pedala nas ruas da capital é a poulição: “O material particulado não fica restrito às pistas dos automóveis. Ele se dispersa e alcança a ciclovia mesmo com a presença da vegetação. Enquanto a maior parte da frota que circula na cidade continuar dependendo de motores a combustão, nenhuma solução de infraestrutura vai resolver sozinha a exposição do ciclista à poluição". Segundo Meyer, a solução deve ser buscada de forma integrada, como parte do mesmo planejamento, considerando "mobilidade ativa, desenho urbano, qualidade do ar e redução das emissões”.
A pesquisa também avaliou a exposição dos ciclistas ao tráfego de veículos. De todas as vias mapeadas, três a cada quatro ultrapassagens foram registradas a uma distância inferior a 1,5 metro, mínimo previsto pelo Código de Trânsito Brasileiro para ultrapassagens de bicicletas. Apenas 24% das ultrapassagens ocorreram a uma distância adequada e segura, de acordo com a legislação. O pior exemplo está na Zona Leste, onde os veículos passam, em média, a apenas 55 cm de distância, praticamente metade do observado no restante da cidade.
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