E-bikes facilitam o acesso a empregos e à atividade econômica

Estudo da USP mostra como as bicicletas elétricas beneficiam os que moram longe e podem ampliar em muito o número de empregos alcançáveis no território urbano

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Fonte: EESC-USP  |  Autor: Mobilize Brasil  |  Postado em: 29 de setembro de 2026

Bicicletas elétricas permitem acesso mais fácil a

Bicicletas elétricas permitem acesso mais fácil a empregos

créditos: Magnific/ Reprodução

As bicicletas elétricas têm grande potencial para facilitar o deslocamento de trabalhadores que moram longe de seus locais de trabalho ou procuram emprego em regiões mais distantes.  Essa a constatação de um estudo que analisou diversos fatores relacionados, como infraestrutura cicloviária, registros de viagens e a integração desse veículo com o transporte público.


As conclusões são fruto do trabalho de doutorado de Thiago Vinicius Louro, do programa de pós-graduação em Engenharia de Transportes da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), em regime de dupla diplomação com a Universidade de Twente, nos Países Baixos, onde defendeu sua tese.


“Analisando os impactos das bicicletas elétricas na acessibilidade ao emprego e na equidade espacial” explica as possibilidades que as chamadas e-bikes criam, especialmente para pessoas que não conseguem pedalar por limitações de esforço físico e em casos de viagens mais longas.

 

A conclusão, segundo o pesquisador, é que "as bicicletas elétricas podem ampliar de forma significativa o número de empregos alcançáveis por bicicleta, especialmente em cidades com grandes distâncias, relevo acidentado e infraestrutura de transporte desigual”.


Esforço físico
Essa melhoria na acessibilidade é derivada principalmente da maior velocidade que os veículos elétricos podem alcançar e do menor esforço físico que os usuários necessitam para operá-los. Louro identificou que o aumento na eficiência no deslocamento é de 20% a 38% usando modelos baseados em tempo de viagem. A vantagem é ainda maior nos modelos baseados em esforço, com ganhos de 265% a 532%.


A tese reúne quatro estudos publicados separadamente pelo autor, mas concebidos e executados como partes de um projeto de pesquisa unificado. O material inclui uma revisão sistemática de 71 artigos científicos identificados em bases de dados acadêmicas, informações de GPS de milhares de viagens do sistema de bicicletas compartilhadas Tembici, dados de infraestrutura cicloviária e topografia, estatísticas socioeconômicas sobre acessibilidade, empregos e redes de transporte em São Paulo e Rio de Janeiro.


Um possível desdobramento da pesquisa é a ampliação do desenvolvimento de ciclovias para trajetos com maior inclinação, que não são viáveis para o uso de bicicletas tradicionais, mas funcionam para os modelos elétricos. Os benefícios são maiores para regiões de grande atividade socioeconômica e topografia desafiadora, como São Paulo e Rio de Janeiro, mas se não se limitam às cidades grandes.


Também é avaliada na pesquisa a oportunidade que as e-bikes oferecem no acesso ao transporte público para pessoas que não residem perto de estações de metrô e trem, por exemplo. “As e-bikes podem ter papel muito importante em sistemas de trilho, aumentando a área de alcance das estações”, acrescenta o autor do estudo. “O ideal é que os sistemas de transporte público sejam pensados em conjunto com o sistema de bicicletas compartilhadas, sem que haja competição entre os dois, mas complementaridade.”


Louro acredita que este trabalho possa abrir caminhos para que outros estudos continuem explorando os impactos positivos das bicicletas elétricas. “Entre as direções mais promissoras estão incorporar custos monetários e a disponibilidade operacional real dos sistemas de bicicletas compartilhadas nas análises de acessibilidade, expandir as análises para outras cidades brasileiras com diferentes estruturas urbanas e topografias, e realizar comparações internacionais para identificar em quais contextos as e-bikes geram maiores benefícios”, cita o especialista.


Mercado em alta
Os Países Baixos e a China estão entre os países que melhor ilustram as possibilidades práticas das bicicletas elétricas no dia a dia das pessoas. O mercado de e-bikes chinês é o maior do mundo e o uso desses veículos pelos holandeses já representa uma parcela significativa das viagens cotidianas.

 

Louro reflete que, no Brasil, esse mercado está crescendo rapidamente, mas algumas medidas seriam necessárias para seguir os exemplos mais representativos do uso das e-bikes. Entre elas, estão políticas de subsídio, a integração tarifária e a expansão da infraestrutura cicloviária.


Para acessar a pesquisa no repositório da USP, clique aqui 


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