Quem pedala em SP enfrenta muita poluição e falta de segurança

É o que indica pesquisa inédita que monitorou ciclistas por 10 mil km de vias na cidade. Dados mostram altos índices de poluição e ultrapassagens feitas a menos de 1,5 m

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Fonte: Mobilize Brasil/ Instituto Cordial  |  Autor: Mobilize Brasil  |  Postado em: 10 de outubro de 2026

Apresentação do pesquisador Luis Meyer, do Institu

Apresentação do pesquisador Luis Meyer, do Instituto Cordial

créditos: Agência Ophelia/ Divulgação

Mais de 10 mil quilômetros de vias percorridas por ciclistas em São Paulo foram monitorados, com uso de sensores e inteligência artificial, para uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Cordial a pedido do Itaú Unibanco, no contexto dos 15 anos do sistema Bike Itaú de compartilhamento de bicicletas.  

 
Os resultados, divulgados em apresentação na última quinta-feira (8), revelam que quem pedala na cidade está exposto a altos índices de poluição e a riscos preocupantes em meio ao tráfego intenso de veículos. Segundo os pesquisadores, a pesquisa também reforça a importância de as políticas públicas em mobilidade urbana lastrearem suas decisões em evidências. 

 

Gráfico mostra regiões de SP com maior e menor exposição à poluição Imagem: Reprodução

 


O estudo chama a atenção para um local em especial, a ciclovia da Marginal Pinheiros, na zona oeste da capital. Nos trechos de Pinheiros e Alto de Pinheiros, o indicador de poluição alcançou níveis 163% acima da média da cidade — mais de duas vezes e meia o valor registrado para a capital. Considerando toda a ciclovia da Marginal Pinheiros, o indicador médio ficou 22% acima do restante da cidade.

 

O que surpreendeu foi que esse trecho conta com uma barreira vegetal entre a ciclovia e o tráfego de veículos. Mas o estudo mostrou que a vegetação não foi suficiente para impedir que o material particulado expelido dos escapamentos dos veículos se disperse e alcance os ciclistas.


O indicador utilizado pelo estudo do Instituto Cordial considera a presença de material particulado disperso no ar, atribuindo maior peso às partículas mais finas, as de maior potencial de danos aos pulmões. Na escala adotada pela pesquisa, o índice vai de zero, quando não há registro desse material, ao nível máximo quando o material particulado ultrapassa os limites seguros estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).


“O material particulado não fica restrito às pistas dos automóveis. Ele se dispersa e alcança a ciclovia mesmo com a presença da vegetação. Enquanto a maior parte da frota que circula na cidade continuar dependendo de motores a combustão, nenhuma solução de infraestrutura vai resolver sozinha a exposição do ciclista à poluição. Temos um problema que precisa ser tratado de forma integrada: mobilidade ativa, desenho urbano, qualidade do ar e redução das emissões precisam fazer parte do mesmo planejamento”, explica Luis Fernando Villaça Meyer, diretor de operações no Instituto Cordial e pesquisador responsável pela pesquisa.


O cenário observado na Marginal Pinheiros integra um quadro mais amplo de diferenças territoriais na exposição à poluição. Na Região Central, o indicador é 56% superior à média da cidade, o maior resultado entre as regiões analisadas.

 

 

Material particulado atravessa barreira de vegetação na ciclovia da Marginal Pinheiros Foto: Governo de SP


Riscos no trânsito
A pesquisa analisou ainda a exposição dos ciclistas durante ultrapassagens dos veículos. Nas vias contempladas pelo levantamento, três em cada quatro ultrapassagens ocorreram a menos de 1,5 metro das bicicletas. Apenas 24% foram registradas a uma distância considerada adequada segundo parâmetro previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).


A situação mais crítica aparece na Zona Leste da capital paulista. Na região, a distância média registrada entre veículos e bicicletas durante as ultrapassagens foi de 55 cm, praticamente metade da média observada na cidade, de 108 cm.


Segundo Meyer, a segurança do ciclista depende de uma infraestrutura viária que ofereça mais proteção, como faixas de recuo e ciclovias bem desenhadas, e fiscalização da distância mínima de ultrapassagem. “Esses elementos são especialmente relevantes em regiões como a Zona Leste, onde as ruas já são, em média, mais estreitas do que no resto da cidade", observou o pesquisador. 


Ciclovias e ciclofaixas
Outro resultado da pesquisa mostra que a velocidade dos ciclistas é aproximadamente 18% maior nos locais com infraestrutura dedicada, como ciclovias e ciclofaixas. A comparação indica que, nas rotas analisadas, a presença de espaços exclusivos para bicicletas está associada a velocidades médias mais elevadas.


“Quando o ciclista tem uma infraestrutura cicloviária pensada para ele, ele pedala com menos conflito com outros usuários e mais segurança, e isso aparece nos números de velocidade. É um sinal de que investir em infraestrutura dedicada não apenas contribui para a proteção dos ciclistas, também torna o deslocamento por bicicleta mais eficiente no dia a dia”, conclui o pesquisador do Instituto Cordial.


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