O Metrô do Rio - A privatização que não deu certo

Desde a privatização há 20 anos, o metrô carioca só piorou, ficando mais sujo e sem fiscalização. É o que denuncia o artigo de Marcelo Santos, do site Via Trolebus

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Fonte: Via Trolebus  |  Autor: Marcelo Santos  |  Postado em: 25 de março de 2014

O metrô de lá não é visto como o principal meio de

Metrô não é visto como principal meio de transporte carioca

créditos: Divulgação

 

Este que vos escreve tirou alguns dias do cotidiano paulistano para tirar alguns dias de férias e voltar às origens, rever amigos e claro, curtir um pouco da cidade natal, o Rio de Janeiro, a tão falada “Cidade Maravilhosa”. Como moro em São Paulo há quase três anos, as linhas abaixo mostram o quanto o Metrô do Rio mudou em tanto pouco tempo.

 

A concessionária Metrô Rio e o Governo do Estado do Rio parecem ter um plano (que vem funcionando muito bem, diga-se de passagem) de piorar cada vez mais a operação e a qualidade dos serviços prestados pelo Metrô do Rio de Janeiro. Ao contrário de São Paulo onde o Metrô e a CPTM são essenciais para a mobilidade paulistana, em terras cariocas o Metrô do Rio não é visto como o principal meio de transporte. Afinal de contas, o ônibus (e seu cartel de empresários e políticos bem pagos) é o principal meio de transporte do carioca. Até porque o Metrô do Rio só tem duas linhas, a Linha 1 (que tem a cor laranja em seus painéis) e a Linha 2 (verde, por coincidência, a de São Paulo).

 

Morei na cidade do Rio por mais de trinta anos e cresci vendo o Metrô “expandindo”. Tinha orgulho do serviço prestado pelo governo até que a privatização aconteceu. A partir de 9 de dezembro de 1997 (segundo dados da Wikipedia), o governo repassou a responsabilidade do serviço para a Metrô Rio. E daí em diante, o Metrô do Rio nunca mais foi o mesmo. E para nos entristecer, a privatização que tinha a promessa de melhorar o serviço mostrou-se sem fiscalização por parte do governo e acabou mostrando que vem sendo mais nociva do que benéfica a quem mais se importa com o Metrô: a população carioca.

 

Sujeira e pouca luz

A primeira coisa que choca ao embarcar nos carros do Metrô é a sujeira e a pouca luminosidade. Apesar dos carros serem mais largos e mais altos que os carros da frota do Metrô de São Paulo, os carros do Rio parecem que não são limpos há meses. Externamente e internamente, principalmente. E mesmo nos carros novos (apelidados de Salamandras) a sujeira já se instalou e parece que a concessionária não tem qualquer interesse em manter a frota limpa.

 

Além da sujeira e da pouca luminosidade dos carros, a frota parece que se “arrasta” pelos trilhos. É importante salientar que a frota do Metrô do Rio é um pouco mais nova do que a frota do Metrô de São Paulo. E mesmo com tantas falhas diárias, a qualidade “cosmética” e da manutenção da frota paulistana é de “primeiro mundo” se comparada à limpeza, qualidade e manutenção da frota carioca.

 

Usei o Metrô do Rio para me deslocar para os lugares que eu queria rever e durante a minha estada. E fiquei triste em perceber que a privatização fez mal ao Metrô carioca. Estações sem sinalização adequada, passagem cara e principalmente uma sensação de “me esqueceram nos anos 80” tomou conta. Em 2010, a Concessionária Metrô Rio lançou a Linha 1ª, uma aberração da natureza que prometia ao usuário uma viagem mais rápida e única, sem baldeação, saindo do subúrbio (ou periferia, como queira) para o centro do Rio e a zona sul.

 

Ao contrário do Metrô de São Paulo e de outros metrôs do mundo onde a baldeação entre linhas é vista como algo benéfico e menos cansativo ao usuário, a mídia e a concessionária conseguiram convencer a população que a viagem sem baldeação era melhor para todo mundo. Foi construída a estação Cidade Nova (quase em frente à Prefeitura e a já existente estação Estácio) para que a Linha 2 pudesse partir da estação São Cristóvão e chegar até os trilhos da estação Central, já na Linha 1. E da estação Central, as Linhas 1 e 2 compartilhariam os mesmos trilhos até a estação Botafogo, na zona sul carioca. Se o usuário paulistano se irrita com a mensagem sonora “aguardando o tráfego do trem à frente” que ele não venha andar no Metrô do Rio. A mensagem é dita quase que o tempo todo, mesmo fora dos horários de pico.

 

Com a promessa do governo e da concessionária Metrô Barra está sendo construída a Linha 4, que nada mais é que um “puxadinho” da Linha 1 que irá trazer os usuários da zona oeste (leia-se Barra da Tijuca) para a malha metroviária. Os projetos originais (e ainda atuais) do Metrô Rio que previam a Linha 2 indo do subúrbio, baldeando na estação Estácio com a Linha 1 e chegando à estação Carioca (a estação Sé dos cariocas) e a Linha 4 saindo do Terminal Alvorada na Barra da Tijuca e chegando até o Centro do Rio baldeando nas estações Gávea e Botafogo com a Linha 1 ficaram apenas nos projetos.

 

No final das contas, o que vemos com o Metrô do Rio são as manchetes dos jornais mostrando fatos que em 30 anos nunca aconteceram, como o ocorrido na Jornada Mundial da Juventude em 2013, onde o Metrô teve panes de energia e deixou muitos usuários a pé. E este é um exemplo apenas, já que os jornais e este blog mostram muito mais repetidamente e cotidianamente os problemas na operação do Metrô da Cidade Maravilhosa. E o secretário de Transportes da cidade do Rio ainda premiou a concessionária por excelência em qualidade do serviço prestado. É piada pronta (de mau gosto, claro). Que venham os Jogos Olímpicos!

 

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