Brasilia Para Pessoas

31
março
Publicado por Brasília no dia 31 de março de 2016

Texto: Uirá Lourenço (Brasília para Pessoas | Mobilize) e Super-Ando

Fotos: Uirá Lourenço (Brasília) e Red Ocara (São Paulo)

 

Campanha convocou crianças para registrar as condições de calçadas e aplicar curativos urbanos em Brasília e em São Paulo

 

Pensando nas dificuldades cotidianas enfrentadas pelos que caminham, Brasília para Pessoas, Corrida Amiga, Red Ocara e Super-Ando uniram-se para registrar os machucados urbanos por meio do olhar das crianças.

 

Realizamos juntos um passeio diferente, inusitado, mapeando ao longo do caminho as feridas, as ciladas encontradas em nossas calçadas e seus reflexos na circulação de pessoas. A ação ocorreu simultaneamente em Brasília e São Paulo e destacou um problema que atinge todas as cidades brasileiras, e que, de tão recorrente, acaba esquecido. Porém, estamos empenhados em despertar a notoriedade da questão, denunciar e cobrar soluções das autoridades competentes.

 

Na rota proposta, mapeamos as ciladas com o aplicativo #Cidadera e cobrimos os machucados de nossas calçadas, chamando atenção para os problemas enfrentados diariamente pelos pedestres. Em Brasília e São Paulo, foram as crianças que protagonizaram o passeio. Transformaram a passagem urbana, deixando suas pegadas com o poder de seus pés.  É #CidadaniaAtiva desde cedo!
 
Caminhada em Brasília

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Na capital federal, quatro crianças saíram para caminhar pela Asa Norte. Com curativos urbanos em mãos, fizeram um percurso de 1 km. Os pequenos passaram pela W3, via movimentada da capital federal, com muitas opções de linhas de ônibus e por onde milhares de pessoas caminham todo dia.

 

Apesar da grande movimentação de pessoas, as condições das calçadas estão bem aquém do desejável. Inúmeras crateras receberam curativos e foram denunciadas pelo Cidadera. O trabalho foi árduo, mas gratificante. Na fala das crianças é perceptível a indignação. Também se nota como elas se preocupam com o próximo e imaginam como um cadeirante ou um cego conseguiria transpor os obstáculos no caminho.

 

• Vídeo da caminhada com as crianças em Brasília

 

Entre os inúmeros problemas ao longo da via W3 (tanto na Asa Norte, quanto na Asa Sul), estão: calçadas totalmente deterioradas, sem manutenção; invasão das calçadas pelos motoristas (conversão das calçadas em estacionamentos); calçadas descontínuas e estreitas; ausência de rampas; travessia insegura para pedestres; rampas bloqueadas.

 

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Problemas frequentes na W3 Norte: calçadas destruídas e invadidas; travessia insegura.

 

Com certa frequência a via passa por amplo recapeamento (a última ocorreu em 2014), mas as calçadas não recebem qualquer investimento e nem as condições de travessia recebem qualquer atenção. Vídeo recente revela a agonia de passar a pé pela W3 Norte.

 

 

Caminhada em São Paulo
 

Artigo_Mobilize_Caminhada Criancas_Calcada Cilada_Foto 4

(Canal Mova-se)

 

Mais de mil quilômetros separam as duas cidades, porém a realidade constatada pelos olhos das crianças mostra que Brasília e São Paulo têm dolorosas semelhanças para quem anda a pé. A ação contou com o engajamento de seis crianças com muita energia para enfrentar os obstáculos ao longo de um quilômetro. O ponto de concentração foi no Largo do São Francisco, área central da cidade.

 

Ao caminhar pelos calçadões cheios de história, deparamo-nos com várias ciladas: calçadas em mau estado de conservação, falta de acessibilidade, buracos, postes, irregularidades e declives acentuados. Tudo isso presente até em ruas exclusivas para os pedestres que, no entanto, não estão à altura do mínimo de que necessitamos. Ao ter que dividir o viário com veículos, tivemos que esperar um tempão para atravessar a faixa de travessia e, quando abriu o verde, as crianças se assustaram porque ficou vermelho muito rápido para o pedestre.

 

Artigo_Mobilize_Caminhada Criancas_Calcada Cilada_Foto 5

Crianças e herói Super-Ando uniram força para aplicar curativos nos machucados.

 

Percebemos também o quão importante é ocupar o espaço público. Crianças e adultos interagiram com a população a fim de transmitir a mensagem. Além disso, foi fantástico e potente ver as crianças protagonizando a ação e transformando o cenário urbano, mudando a si mesmas e mudando o mundo.

 

Do Largo, praça do Ouvidor, passamos pela Rua São Bento, praça do Patriarca, Viaduto do Chá e Theatro Municipal. Finalizamos o trajeto na Praça das Artes, espaços muito simbólicos para os paulistanos.

 

• Vídeo da caminhada com as crianças em São Paulo

 

Iniciativas como essa plantam sementinhas nos corações que habitam nossas cidades. Inspiram e catalisam mudanças rumo à cidade que tanto merecemos: humana, acessível e caminhável para todos!

 

A campanha Calçada Cilada 2016

 

A Calçada Cilada 2016 entra na sua reta final. Organizada pela rede Corrida Amiga com ampla gama de apoiadores, trata-se de uma campanha que está agitando as cidades em favor da melhoria da mobilidade a pé e da acessibilidade universal. O objetivo é denunciar os problemas (ciladas) das calçadas.

 

Até o dia 3 de abril qualquer cidadão pode caminhar pela cidade e registrar as armadilhas no caminho dos pedestres, pelo aplicativo ou pelo portal Cidadera.

 

CIDADE ACESSÍVEL, NINGUÉM INVISÍVEL! CALÇADA CILADA 2016

 

 

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Confira a galeria de fotos das caminhadas em Brasília e em São Paulo.

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Gostou da ideia? Faça em sua cidade. Manual para fazer os curativos urbanos: http://www.redocara.com/#!proba-ocara-lab/crtz

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Agradecimentos: Biomob, Canal Mova-se, Curativos Urbanos e Giro Inclusivo.



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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