Brasilia Para Pessoas

11
maio
Publicado por Brasília no dia 11 de maio de 2018

Texto e fotos: Uirá Lourenço

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Ontem, enquanto pedalava e passava pelos inúmeros bloqueios no caminho, ocorreu algo curioso.

 

Ao passar pela W3 (504 Norte), próximo a um cartório e a uma agência bancária, tirei foto da rampa bloqueada. Como ocorre diariamente, as calçadas e rampas do local viram estacionamento.

 

A motorista estava no carro e ficou incomodada por eu ter tirado foto da infração. Continuei meu trajeto e ela me seguiu. Parei no supermercado, fiz compras e acomodei as sacolas na bicicleta. De repente, surge a motorista para tirar satisfação.

 

Transcrevo abaixo o diálogo entre nós dois.

 

[Ela] – Por que você tirou foto minha?

 

[Eu] – Não tirei foto sua. Tirei foto do seu carro, que estava bloqueando a rampa. Foi você que tirou foto minha (ela tirou foto após eu registrar o carro estacionado).

 

[Ela] – Mas o carro é minha propriedade, você não pode tirar foto. Exijo que você apague.

Já liguei para a polícia e eles estão vindo. Passei sua foto para eles. A coisa tá preta para você.

 

[Eu] – Tudo bem. Estou aqui e aguardo os policiais. Você disse a eles que estava estacionada bloqueando a rampa?

 

{Silêncio}

 

[Ela] – Apaga as minhas fotos.

 

[Eu] – Apago as fotos se você prometer que não vai mais parar bloqueando o caminho dos pedestres.

 

[Ela] – Você sabe o que eu estava fazendo lá? Estava esperando minha avó, que foi ao banco.

 

[Eu] – Isso lhe dá o direito de estacionar bloqueando o caminho dos pedestres?

 

{Silêncio}

 

[Ela] – Você é policial ou agente do Detran?

 

[Eu] – Não, sou cidadão e fico incomodado com os bloqueios. Você deveria pensar nos cadeirantes e nos idosos, nas pessoas com a idade da sua avó que precisam passar pela rampa.

 

[Ela] – Para você saber, já tem outro carro lá estacionado na rampa. Vai lá tirar foto.

 

Enquanto ela ia embora, percebi que estava estacionada em local proibido.

 

[Eu] – Você parou em local proibido de novo!

 

[Ela] – Aproveita e tira uma foto (fez pose para eu tirar foto).

 

[Eu] – Não, já tenho registro suficiente.

 

Não apaguei a foto, mas coloquei tarja na placa na esperança de que ela vai parar de bloquear o caminho.

 

As “vagas” nas duas rampas e nas calçadas próximas são as mais disputadas. Confirmando o que disse a motorista, basta sair um carro e não demora muito para outro já ocupar a “vaga”.

 

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“Vagas” concorridas na W3 (504 Norte). Em respeito ao direito de imagem (do carro), nenhuma placa está visível.

 

A pedido do Detran e da Secretaria de Mobilidade, realizei levantamento fotográfico de áreas críticas de estacionamento irregular. As rampas na 504 Norte entraram no levantamento. Infelizmente, não houve qualquer providência para coibir as infrações diárias nos locais.

 

É necessário porte atlético para caminhar e pedalar na capital federal. Além das crateras e da falta de continuidade de calçadas e ciclovias, os obstáculos (carros) no caminho exigem bom vigor físico.

 

VÍDEOS:

 

Pedestres atletas na Asa Norte (W3)

Video_Pedestres atletas_W3 Norte_print screen

 

Pedestres em apuros na capital federal (1 minuto)

Video_Pedestres em apuros_print screen

 



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Irene Ana Paula Borba
Arquiteta e Urbanista. Mestre e Doutora em Transportes (UnB e UL - Lisboa). Professora do UniCEUB (Centro Universitário de Brasília). Pesquisadora Colaboradora do Instituto Superior Técnico (IST - Lisboa). Pesquisadora Responsável pelo Grupo de Pesquisa PES Urbanos (Pesquisa em Espaços Sociais Urbanos) vinculado ao CNPq. A paixão por andar a pé existe desde sempre, mas se ampliou na academia (após a leitura de muitos teóricos como Jane Jacobs e Jan Gehl - seus maiores inspiradores) e após a finalização da tese de doutorado (em que estudou em profundidade o pedestre), decidiu aliar a teoria à prática. Tornou-se, coorganizadora do Jane's Walk em Brasília e colaboradora do Mobilize. E hoje é conhecida como Paulinha Pedestre.

Irene Uirá Lourenço
Servidor público e ambientalista. Usa bicicleta no dia a dia há 15 anos e, por opção, não tem carro. A família toda pedala, caminha e usa transporte coletivo. Tem como paixão e hobby a análise da mobilidade urbana, com foco nos modos saudáveis e coletivos de transporte. Com duas câmeras e o olhar sempre atento, registra a mobilidade em Brasília e nas cidades por onde passa. O acervo de imagens (fotos e vídeos), os artigos e estudos produzidos são divulgados e compartilhados com gestores públicos e técnicos, na busca de escapar do modelo rodoviarista atrasado e consolidar o modelo humano e saudável de cidade. Atualmente é voluntário do Bike Anjo, colaborador do Mobilize e coorganizador do Jane’s Walk em Brasília.
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