Cidades equatorianas, surpreendentemente caminháveis

No Equador, encontramos excelentes exemplos de trato com o pedestre, na conservação das cidades para as pessoas

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Fonte: Sampapé/Mobilize Brasil  |  Autor: Letícia Sabino/Sampapé  |  Postado em: 12 de abril de 2018

Mapa de localização em uma esquina histórica de Qu

Mapa de localização em uma esquina histórica de Quito

créditos: Sampapé/Letícia Sabino

 

Bons exemplos, diretamente do país que fica entre o norte e o sul do mundo :-)

Fotos: Leticia Sabino/Sampapé


Na América Latina muito se fala do urbanismo colombiano, mas dos países tropicais latino americanos o país que realmente me surpreendeu desde a perspectiva do caminhar foi o Equador. Ao visitar diversas cidades do país foi possível constatar que há um ordenamento urbano a nível nacional que colabora com a experiência a pé.



Quando fala-se em cidades caminháveis há um foco comum apenas nos níveis das cidades e bairros, ou seja, escalas mais locais de decisão. Isso acontece porque a qualidade do caminhar é bastante específica e subjetiva ao contexto de cada local e por isso deve ser construída de forma colaborativa. Porém, há algumas decisões de ordenamento que podem ser tomadas a nível nacional e melhorar e muito a experiência de caminhar sem perder a possibilidade de customização local.


No Brasil temos o Ministério das Cidades na instância federal que tem como função criar políticas e diretrizes de ordenamento urbano para diminuir desigualdades e garantir os direitos no perímetro urbano, mas é muito difícil ver mudanças ou benefícios efetivos nas cidades para quem caminha que tenham sido propostas a nível federal. Algo mais próximo, e que ao menos gerou subsídios para estas mudanças foi a Lei Nacional de Mobilidade Urbana de 2012, que coloca o pedestre na prioridade dos planejamentos das circulações nas cidades, mas não especifica o que significa isso na prática das cidades.


Como resultado há um grande questionamento ao trabalhar com caminhabilidade: “É possível o poder federal fazer resoluções e políticas que impactem na escala humana do caminhar nas cidades?”. O Equador me respondeu que sim, é possível.

 

Em uma visita recente ao país pude notar que existe alguns esforços a nível nacional para ordenar as cidades equatorianas que colaboram e muito para a experiência e qualidade do caminhar.




Conheci cidades de diferentes regiões, entre elas Quito, Latacunga, Riobamba, Cuenca e Guayaquil, ou seja tanto cidades da serra quanto da costa equatoriana. Nestas andanças notei alguns elementos comuns que estão em todas estas cidades que influenciaram muito a possibilidade de circular a pé com qualidade e segurança.



Abaixo destaco seis destes elementos:



1. Iluminação pública para quem caminha
Os postes de iluminação pública têm algo muito elementar mas bastante difícil de ver por aqui: iluminação voltada para as calçadas e em escala adequada para caminhantes.

 

 

 

 

 


2. Papelógrafos Públicos
Como forma de ordenar as colagens de cartazes e papéis pela cidade, em muitos muros, principalmente nas esquinas, foram implementados os papelógrafos públicos. Que são murais para que comunicação popular, comunitária, e em constante mudança seja colocada pelas próprias pessoas e se torne pontos de acesso a estas informações de forma ordenada, respeitando a paisagem urbana formada pelo conjunto de imóveis de cada cidade.

 

 

 

 

 

 




3. Nome dos estabelecimentos padronizados

Empreendimentos nos centros históricos da cidade devem seguir uma "lei cidade limpa" em um nível mais avançado: sinalizações não apenas por tamanho mas por padrão, o que garante um cuidado com as fachadas dos imóveis e identidade.  

 

 

 

 

 

 


4- Semáforo sonoro
Em todos os lugares semaforizados para pedestres havia sinalização sonora indicando quando o sinal estava verde ou vermelho ajudando as pessoas a atravessar com segurança e dando mais autonomia para deficientes visuais.
 

 


5- Padronização das calçadas
Como as calçadas são responsabilidade do poder público elas costumam ter continuidade e identidade em determinadas áreas da cidade, garantindo o caminhar confortável. 

 



6- Sinalização indicativa da cidade - "legibilidade"
O formato variava mas em todas as cidades havia sinalização indicativa para quem está a pé indicando os equipamentos e lugares mais emblemáticos mais próximos e mapas para entendimento da cidade.

     
     


 

Óbvio que isso não garante que as cidades não se desenvolvam de forma rodoviarista, o que também acontece e muito por lá, e faz com que ainda que aconteça estas ações nos centros, ir para outras partes da cidade seja ainda um grande desafio.

 

Mas foi possível observar que é possível com políticas de ordenamento urbano nacional que todas as cidades tenham alguns elementos básicos que colaboram com o deslocamento a pé nas cidades.

 

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